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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Adolescentes e Internet: Caso Amanda Todd

Foto de Amanda Todd

Hoje em dia quase todo mundo tem acesso à internet. Quem consegue sobreviver sem acessar seus e-mails, sites e facebook? Este último, o qual é permitido ser usado apenas por maiores de 13 anos, é acessado por crianças de 5 e 6 anos. A maioria dos pais não se dá conta do perigo que existe nesta envolvente teia de relacionamentos virtual e não se interessam em supervisionar o que seus filhos fazem constantemente em frente a um computador.

Caso real
Há poucos dias, uma adolescente suicidou-se em uma cidade aqui de B.C. – Canadá. Ela foi vítima de bullies na escola e sofreu perseguição de stalkers.

Para quem ainda não conhece os termos:
Bullying – É um tipo de agressão que pode ser física ou psicológica, que ocorre repetidamente e intencionalmente e ridiculariza, humilha e intimida suas vítimas.
Stalkers – Que traduzindo para o português significa um “perseguidor”. As personalidades stalkers desenvolvem uma obsessão por uma pessoa (ou várias) e insiste em vigiá-la ou segui-la pessoalmente e ou virtualmente.

A garota de 15 anos chamada Amanda Todd, cometeu um grande engano que custou a sua vida. Envolvida pelas sedutoras relações virtuais, a adolescente se expôs mais do que devia e sofreu as consequências desse ato. Falando com desconhecidos na net, ela permitiu que os mesmos tivessem acesso a sua vida e a sua intimidade. Isso começou quando ela tinha apenas 12 anos.

O Mundo Virtual
Percebo que muita gente parece não se dar conta de que o que colocam na net, estará lá para sempre. Nunca mais terão de volta a informação, foto, etc que decidirem postar. Você poderá apagar qualquer informação de seus sites, mas não poderá apagar dos provedores dos sites.

A facilidade para se fazer “amigos” virtuais é enorme, com isso muitos jovens se envolvem com pessoas desconhecidas e passam a ser presa fácil de personalidades doentias que rondam o universo virtual. Muitos pais não orientam seus filhos para isso. Parece que aquela velha frase que eu tanto ouvi na minha infância: “Não fale com estranhos” não é mais praticada ultimamente pelos pais. Todo mundo fala com todo mundo e a sua vida é quase pública, um livro aberto.

Amanda postou um vídeo no YouTube há um mês atrás e suicidou-se dia 10 de outubro de 2012. Ela pedia ajuda, pois ela estava só, sem amigos e sem amparo.

Adolescentes e a vida em grupo
Os adolescentes precisam se sentir integrados a um grupo. Eles são como pássaros que vivem em bandos. Isso é saudável e importante, pois os amigos ajudam a formar a personalidade do adolescente e a desenvolver sua autoconfiança. Um adolescente que perde isso perde quase tudo.
  • Abaixo coloco o vídeo que Amanda postou e um texto com a tradução do mesmo. Peço que em respeito a ela, todos os possíveis comentários sejam amorosos. Obrigada!
Tradução do Vídeo
“Olá, eu decidi contar a minha história sem fim. Na sétima série eu fui com uns amigos para a webcan. Queria conhecer novas pessoas e fazer amigos. Eles diziam que eu era bonita, perfeita, etc. e queriam tirar fotos minhas, então eu deixei. Um ano depois eu recebi mensagens pelo facebook de um homem. Eu não sabia como ele me conhecia, então ele disse: ‘Se você não fizer um show pra mim, eu irei divulgar a foto dos seus seios’. Ele sabia meu endereço, nome dos meus amigos, dos meus familiares e pais.

Num feriado de Natal, alguém bateu na minha porta as 4hr da manhã, era a polícia. Minha foto havia sido enviada para todos.

Eu fiquei realmente muito doente. Estava ansiosa, deprimida e com síndrome do pânico. Então eu mudei e comecei a consumir drogas e álcool. Minha ansiedade piorou e eu não conseguia sair disso.

Um ano se passou e o garoto voltou com uma lista dos meus novos amigos da escola. Criou uma página no facebook e meus seios era a foto do perfil. Eu chorava todas as noites. Perdi todos os meus amigos e o respeito deles. As pessoas me odiaram novamente e falavam mal de mim. Ninguém gostava de mim.

Eu nunca tive aquela foto de volta, ela está lá fora para sempre.

Eu comecei a me cortar e prometi para mim mesma que nunca mais teria amigos. Eu ficava sozinha na hora do almoço. Então eu mudei de escola novamente. Tudo estava tranquilo mesmo eu estando só. Eu almoçava na livraria todos os dias.

Depois de um mês eu comecei a conversar com um velho amigo; ele me dizia que gostava de mim, mas que tinha uma namorada e ela estava de férias. Então, eu cometi um enorme erro de nos envolvermos. Eu pensava que ele gostava de mim.

Uma semana depois eu recebi um bilhete na escola, a namorada dele e mais 15 pessoas, incluindo ele próprio diziam: Olhe ao seu redor, ninguém gosta de você. Um dia na frente da escola tinham umas 50 pessoas, e então um cara gritou que pelo menos um soco ela deveria me dar. Ela fez isso. Ela me jogou no chão e me deu vários socos. As crianças tiraram fotos e filmaram. Eu estava sozinha e largada no chão.
Eu me sentia uma piada no mundo e pensei que ninguém merecia isso. Eu estava sozinha e tudo isso foi minha culpa. Eu não queria que ele se machucasse, eu pensava que ele realmente gostava de mim. Mas ele só queria sexo. Alguém gritou mais uma vez: dá mais um soco nela. Professores vieram correndo e eu estava caída numa vala. Meu pai me encontrou.

Eu queria morrer. Quando eu cheguei em casa eu bebi água sanitária. Isso me estragou por dentro e eu pensei que iria realmente morrer. A ambulância chegou, me levaram pro hospital e depois me liberaram.
Quando eu cheguei em casa eu vi que tudo estava no facebook. Diziam: ‘Ela mereceu. ’
Ninguém se preocupava. Mudei de cidade, fui para a casa da minha mãe. Outra escola…eu não queria registrar queixa, pois eu queria seguir em frente.

Seis meses haviam passado e as pessoas estavam postando no facebook fotos minhas na vala e eu era marcada nelas.
Eu estava bem melhor, então eles disseram: ‘Ela deveria usar outro alvejante. Eu espero que ela morra’. Eles diziam que esperavam que eu visse isso e me matasse.

Por que isso acontece comigo? Eu errei, mas eles me perseguem. Eu deixei vocês pessoal, eu deixei a cidade… Eu estava chorando constantemente.

Eu me pergunto todos os dias porque eu ainda estou aqui?

A minha ansiedade piorou. Eu não sai nenhum dia neste verão. Todo o meu passado…a minha vida nunca iria ficar melhor…eu não podia ir para a escola. Não podia conhecer e nem estar com pessoas.

Eu estou me cortando com frequência, eu estou realmente deprimida. Estou tomando antidepressivo, indo a um terapeuta e, há um mês neste verão, eu tive uma overdose e estive no hospital por 2 dias.
Me sinto presa. O que restou de mim? Nada pára. Eu não tenho ninguém. Eu preciso de alguém.”



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cybercrime - Cuidado nunca é demais!

Escrevi este texto a convite da Daniela para o Clube dos pais e mães blogueiros

Foto: Arquivo pessoal
Estamos vivendo uma era em que as amizades virtuais aumentaram mais que as presenciais. As redes de relacionamentos invadem as nossas casas com infinitas possibilidades de curtos diálogos com diferentes pessoas de diversas partes do mundo. Como é bom poder encontrar velhos amigos e fazer novos. Como é interessante poder adentrar em diversos mundos com apenas alguns toques no teclado. Que infinito universo cibernético se apresenta aos nossos olhos. Encantador, não acha? Parece ser fácil e seguro fazer amigos dessa forma, não? Até mesmo porque estamos em nossas casas isentos de riscos que o mundo lá fora nos impõe. Mas apenas parece!

Com essa facilidade tecnológica, somos uma isca fácil para pessoas que nem sempre tem boas intenções. Como é fácil assumirmos uma personalidade que não é a nossa e nos apresentarmos ao mundo virtual sem que ao menos sejamos reconhecidos. Esse tipo de comportamento tem um nome: “fake”. A palavra vem do Inglês, que significa “falso”.

O que é isso?
É uma personalidade falsa usada para ocultar a identidade real de uma pessoa. De uma maneira geral, os fakes são facilmente encontrados em sites de relacionamento (principalmente o Orkut que estatisticamente tem apresentado o maior número de invasão de fakes) e uma das finalidades deles é dar opiniões sem se identificar, evitando constrangimentos ou ameaças pessoais ao opinante, mas sua maior finalidade é ter uma segunda vida. A maioria dos criadores de fakes o fazem só por diversão, para conhecer novas pessoas sem se expor. Porém, esse tipo de comportamento tem se tornado um novo problema social.

Pessoas começam a apresentar distúrbios mentais e psicológicos, levando-os a trocar a vida real pela vida de seus falsos perfis. O que acontece é que o mal uso do fake tem causado dependência nos seus usuários, declinando suas vidas nos aspectos social, emocional e intelectual. Existem relatos de pessoas que criaram um perfil fake, e que o vivenciaram tão intensamente chegando a ter um surto psicótico (quadro clínico se caracteriza pela perda de contato com a realidade). O psicótico pode ter alucinações ou crenças delirantes e exibir alterações de personalidade e desordem de pensamento. Isso pode ser acompanhado por comportamento incomum ou bizarro, assim como dificuldade de interação social e de levar adiante atividades cotidianas. Nesses casos, essas pessoas tentam assumir a vida da outra, “roubando” as suas informações, fotos, amigos, eventos, etc. o que pode ser perigoso.

Como um fake, as pessoas adotam uma nova maneira de viver e com isso elas podem ser quem quiserem e até mesmo cometerem crimes cibernéticos, os chamados Cybercrime, que são: disseminação de vírus que coletam e-mails para venda de mailing; distribuição material pornográfico (em especial infantil); fraudes bancárias; violação de propriedade intelectual e direitos conexos ou mera invasão de sites para deixar mensagens difamatórias como forma de insulto a outras pessoas. Para esse último chamamos de cyberbullying.

O que poucos sabem é que esse tipo de prática já está no código penal brasileiro e é passivel de pena: Art. 307 do Código Penal – Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem. Pena: detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

Mas infelizmente não é tão fácil localizar e punir um fake, pois eles entram em seu computador e não deixam pistas, quando você vai ver o estrago já está feito. Então, como podemos nos proteger?

Antes de responder a esta pergunta, gostaria de traçar um paralelo entre esses dois mundos (o virtual e o real). Se pararmos para pensar e nos questionarmos sobre o que nos motivou e continua nos motivando, a estar mais tempo dentro de casa conectados a internet fazendo amigos virtuais, chegaremos a algumas prováveis respostas: a violência nas ruas, a falta de segurança para os filhos, a crescente influencia para o consumo de drogas e alcool, a criminalidade em suas infinitas versões e muito mais. Por medo do que poderia acontecer lá fora, achamos um “lugar seguro”: dentro de casa e dentro dos nossos computadores.

Certa vez, escutei da mãe de um jovem de 18 anos que era melhor ele ficar em casa na internet do que na rua correndo risco de vida. Bem, essa parece ser a nossa atual realidade social: Ficamos em nossas casas para nos “proteger do mundo lá fora”, mas este mundo veio ao nosso encontro.

Diante desses fatos, precisamos ficar atentos e termos atitudes preventivas, mas não devemos ficar nervosos, ansiosos ou mesmo cancelar as nossas contas em sites, grupos, blogs, etc. Abaixo, cito algumas pequenas coisas que podemos fazer para evitar surpresas desagradáveis na net.

Dicas:
- Quando você se cadastrar em sites de relacionamentos (Orkut, facebook, etc.) procure se vincular a grupos ou a pessoas conhecidas ou amigas. Não aceite pessoas que não conheça, pois os hackers adicionam as vitimas, pois assim eles conseguem todas as informações necessárias como, e-mail, data de nascimento, etc.
- Use as configurações de segurança dos seus sites. Navegue sempre em modo seguro usando: https://, nunca apenas http:// (sem o “s”). Em geral quando você usa o modo de segurança, aparece um cadeado ao lado do seu site. Isso significa que é mais difícil alguém entrar em sua rede.
- Use as configurações de privacidade. Assim, pessoas que não são amigos não vão conseguir ver fotos ou outras informações suas.
- Evite colocar informações pessoais do tipo: telefone, endereço de casa ou do trabalho, informações sobre os seus filhos (escola, lugares que freqüenta) Muitos sites pedem esse tipo de informação, mas você não é obrigado a informar.
- Ao colocar fotos na net, use assinaturas, como as de marca d’água para personalizá-las e evitar que sejam copiadas.
- Ao postar fotos de seus filhos, evite que os mesmos apareçam despidos ou em situações constrangedoras, pois esse tipo de foto é sempre alvo dos pedófilos e fakes. E não se esqueça de assiná-las ou personalizá-las.
- Tenha bons programas de antivírus no seu computador e use-os frequentemente. No mínimo uma vez por semana.
- Oriente os seus filhos sobre os fakes e seus riscos e sempre supervisione o que eles fazem na net.
- Tenha sempre muito cuidado com o que você posta ou escreve na net, pois isso ficará lá para sempre.

Previna-se e continue aproveitando as maravilhosas oportunidades que esse mundo virtual nos oferece!
Abraços,
Lila