Mostrando postagens com marcador Transtornos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Transtornos. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de abril de 2014

A maldade humana - O caso do menino Bernardo

Foto retiradada internet
 
A morte do menino Bernardo Uglione Boldrini de 11 anos, tem me deixado reflexiva sobre as motivações humanas para a prática do mal. Tenho pensado em como nós seres humanos sofremos mutações ao longo dos anos. Mudamos a nossa essência primitiva e nos fragmentamos em diferentes e multiplas formas de ser, umas boas e outras nem tanto. Vou me deter a falar sobre o que poderia nos motivar a praticar o mal, a parte “ruim” que habita dentro de nós.
 
O nosso senso de certo e errado.
 
Sabemos que a nossa capacidade humana de distinguir o que é certo e errado é algo que pode ser aprendido e desenvolvido; porém os mais recentes estudos no cérebro, revelaram que o comportamento humano e a noção sobre o que é certo e errado, já nasce com a gente; ou seja, a espécie humana sofreu uma mutação natural e já vem com as informações sobre o senso moral no DNA. Contudo, não podemos deixar de considerar que o meio cultural em que estamos inseridos tem uma enorme influência sobre o nosso comportamento e decisões; assim não devemos confundir a nossa capacidade inata de distinguir o certo e o errado, com a decisão que tomamos de agir correta ou incorretamente. Então já que nascemos com o sendo moral de certo e errado, por que algumas pessoas decidem praticar o mal em detrimento do bem?
 
A ausência do bem pode estimular a prática do mal?
 
“O mal é a ausência do bem”. Essa frase sempre ecoou em minha mente, e já foi base de muitas conversas inteligentes em grupos de estudos.  Então supostamente a prática do mal acontece porque não exercemos a nossa nata capacidade de senso moral, do certo e errado? De uma maneira simples pode-se dizer que sim, mas a questão pode ser melhor aprofundada no momento em que paramos para pensar sobre as escolhas que fazemos. Quando decidimos fazer o bem, estamos escolhendo um caminho em detrimento do outro, e o contrário é verdadeiro. Voltando ao caso do pequeno Bernardo, os seus assassinos claramente escolheram fazer o mal àquela criança, e abriram mão da escolha de praticar o bem a ela, recusando de dar carinho, atenção e amor; ações básicas e necessárias para o desenvolvimento saudável de uma criança. O que poderia ter levado aqueles pais a escolher a má ação? Provavelmente seus interesses egocêntricos; a necessidade de atender unicamente a si mesmo foi o que importou. Pessoas extremamente individualistas focam apenas em si; perderam o que eu chamo de “estar consciente do outro e de si na vida”.
 
A presença da consciência faz a diferença em nossas ações.
 
Antes de tudo é importante ressaltar a diferença entre estar consciente e ser consciente. O primeiro faz uso da razão; é a nossa capacidade de pensar e entender o que vivemos ou pensamos. O segundo é uma maneira de ser, de estar no mundo; está relacionado a maneira como levamos a vida, e principalmente é a nossa maneira de estabelecer vínculos com as outras pessoas. Gosto de um termo que aprendi ainda na universidade: “A consciência transita entre a razão e a sensibilidade”. Então poderíamos dizer que a prática do mal é também a ausência da consciência? É claro que em apenas uma palavra não é possível explicar essa cruel, profunda e intrigante manifestação do ser humano; mas posso sim dizer que a ausência dela não gera bons frutos, pois o contrário, o estar consciente nos permite cuidar e amar os outros seres.
 
Mente doentia, a psicopatia.
 
Os casos de crimes frios e premeditados como o do menino Bernardo, me faz lembrar das perturbadas mentes psicopatas, as quais são destituídas de consciência. Na Classificação Internacional de Doenças, a psicopatia é denominada de “Transtorno de Personalidade Dissocial”, e como o nome diz, indivíduos com transtono dissocial apresentam dificuldade para conviver em sociedade, pois o que prevalece são seus interesses individuais. Os psicopatas são incapazes de estabelcer vínculos verdadeiros e de se colocar no lugar do outro, e seus crimes são calculistas e visam o seu o seu próprio benefício.  Para mim, os assassinos de Bernardo são genuínos psicopatas; que agiram com crueldade e sem compaixão, ou mesmo culpa ou remorso por terem ceifado a vida de uma criança.
 
Eles estavam conscientes de seus atos, pois a psicopatia não é um estado de loucura, que deixa o indivíduo fora de si e perdido em meio a crises mentais e emocionais; eles, como todo bom psicopata, usaram a inteligência para enganar e tirar do caminho quem os incomodava.
 
O estar consciênte não impede que uma pessoa pratique o mal, ela pode ter consciência do que faz e aceitar isso como uma ação necessária e digna de ser manifestada. O ser consciente sim, nós impede por exemplo de bater num filho em um estado de estresse ou raiva; nos impede de agredir alguém fisica ou verbalmente quando discordamos do que ela diz ou faz. O ser consciente nos coloca no lugar onde devemos estar, o de “Ser Humano”.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Medo de Crescer

Foto retirada da internet - google imagens.
Foto retirada da internet - google imagens.

Muitos conhecem a história de Peter Pan, o menino que não queria cresce, pois certo dia escutou seus pais conversando sobre o futuro dele quando adulto. Peter decidiu que não queria assumir as responsabilidaidades da vida adulta e apenas se divertir; então foi em busca da “Terra do Nunca”, onde poderia realizar esse sonho. O personagem pertence a a história de James Matthew Barrie e está no livro “Peter Pan in the Kensington Gardens”, de 1904. 

Em 1983 a chamada “Síndrome de Peter Pan” foi aceita no universo da psicologia devido a publicação do  livro “The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up” (em portugues - Peter Pan, síndrome do homem que nunca cresce), escrito pelo Dr. Dan Kiley.

Crescer pode ser assustador
 
Crescer pode ser encantador e ao mesmo tempo assustador para algumas crianças. Principalmente aquelas que são estimuladas pelos pais, a permanecer no mundo infantil.
 
As crianças pequenas têm uma grande dependência dos pais ou dem quem as cuida.  Isso é perfeitamente natural, tendo em vista que elas não conseguem lidar sozinhas com situações diversas do dia a dia.  Esse vínculo criado entre crianças e adultos é importante para o desenvolvimento da criança e para sua segurança e formação da personalidade; porém é importante lembrar que uma das condições necessárias para que uma criança possa viver plenamente a sua infância é permitir que ela cresça em segurança e com apoio.

Pequenos exploradores

Crianças gostam de explorar o mundo, conhecer coisas novas e libertar-se das antigas experiências. É fundamental que elas se sintam confiantes e prontas para os próximos passos, e essa confiança é um aprendizado estimulados por nós pais. Representamos para os nossos filhos a proteção, defesa e a garantia de que eles poderão viver e experimentar o que quiser, e em segurança. Aos poucos, as crianças vão percebendo que conseguem fazer coisas sozinhas e, sentem-se felizes com isso, pois afinal aprender a “se virar só” é algo necessário para a manutenção da vida.  

Aos seis anos toda criança começa a perceber cognitivamente que está crescendo; e insconsciente, ela sabe que crescer significará se afastar de seus pais e de alguns “mimos”. Com isso, crescer poderá provocar sentimentos contraditórios. Oras podem estar felizes com a ideia, noutra com medo. Felizes porque crescer significa ganhar independência, experimentar coisas antes nunca feitas; mas também significa perder algumas regalias que só os “bebês” têm. O processo de crescimento não é um mix de sentimentos apenas para elas, alguns pais, em especial as mães, também sofrem muito com isso.

Tomando consciência

Certo dia eu me dei conta de como meu filho de nove anos está diferente. Sua voz, atitudes e maneira de se expressar também. Percebendo essas mudanças, fiz um comentário de que já não era mais o meu bebezinho de antes. Ele, sensível e perspicaz como é, percebeu a minha emoção camuflada por traz da minha fala descontraida e me disse: “Lamento mãe por eu estar crescendo e não ser mais um bebê”.  Aquela fala foi um beliscão que me acordou das minhas veladas lamentações maternas. É lógico que meu filho não precisa lamentar-se por estar crescendo, mas sei que ele percebeu que para mim, e para ele, crescer significava perdas. 

Impedindo seu filho de crescer

Muitos pais enfrentam momentos de crise quando percebem que seus filhos estão crescendo e começam a atrapalhar esse processo trazendo-os de volta para as fases que já não fazem mais parte do cotidiano da criança ou mantendo-os nelas. Fazemos isso em coisas simples, mas extremamente prejudiciais, como por exemplo:

- Uso de mamadeira e chupeta em crianças acima de 2 anos,
- Superproteger em situações que eles precisam aprender a lidar sozinhos;
- Escolhendo suas roupas e amigos (no caso de crianças acima de 6 anos);
- Não permitindo que expressem opiniões e pensamentos;
- Criando castigos humilhantes, mas que dão aos pais a sensação de controle e superioridade.

 Ajudando seu filho a crescer 

Em qualquer idade podemos estimular nossos filhos a caminhar com suas próprias pernas. Quanto mais velha a criança, mais responsabilidades e liberdade elas vão adquirindo.  

É importante aceitarmos que eles não nos pertencem, e sim ao mundo, e é para ele que devemos prepará-los. Estimular os filhos a permanecer numa fase da vida é um ato egoísta e prejudicial aos mesmos, e poderá prejudicar toda uma vida adulta.  
 
Precisamos ter claro em nossas mentes que nós pais devemos sim estar juntos de nossos filhos desde os primeiros passos, apoiando, encourajando e estimulando a continuar sozinhos a partir de um determinado momento da vida. Devemos criar uma atmosfera saudável, onde nossos filhos compreendam que estaremos sempre ao lado deles  para ampará-los em momentos de necessidades, o que não significa impedir que caiam ou que caminhem com suas próprias pernas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Transtorno de Identidade de Gênero. O que é isso?

Fiquei sabendo desta reportagem através de um grupo no facebook. Achei importante escrever a respeito no intuito de esclarecer o que vem a ser o TIG-transtorno de identidade de gênero.
 
 
A reportagem
 
“Um pai alemão começou a usar saias porque o filho de cinco anos gosta de usar vestidos”. A história mexeu com um vilarejo tradicional no sul da Alemanha. Niels Pickert percebeu que seu filho gostava de usar vestidos e era ridicularizado por isso no jardim de infância. Segundo Pickert, "usar saia era a única maneira de oferecer apoio ao meu filho".
 
Em uma carta, Pickert explica: "Sim, eu sou um daqueles pais que tentam criar seus filhos de maneira igual. Eu não sou um daqueles pais acadêmicos que divagam sobre a igualdade de gênero durante os seus estudos e, depois, assim que a criança está em casa, se volta para o seu papel convencional: ele está se realizando na carreira profissional enquanto sua mulher cuida do resto".
 
De acordo com o pai, ele não podia simplesmente abandonar o filho ao preconceito alheio. "É absurdo esperar que uma criança de cinco anos consiga se defender sozinha, sem um modelo para guiá-la. Então eu decidi ser esse modelo". “Um dia eles resolveram sair pela cidade vestindo saias.” 
 
Meninos vestindo saias e meninas usando cuecas. O que vem a ser isso?
 
Existe uma explicação cientifica para isso que é o chamado transtorno de identidade de gênero. É um transtorno de ordem psicológica e médica e se manifesta na condição em que a pessoa de um sexo se identifica com o oposto.
 
As causas podem ser as mais variadas possíveis dando margem para as divergências cientificas em teorias e opiniões. Porém, o que eu pude observar pessoalmente, em casos que atendi de crianças com este transtorno, foi que os pequeninos interpretam as mensagens conscientes e inconscientes de seus pais como não sendo amadas por serem quem são, especialmente em relação ao sexo ao qual pertencem, portanto não podem amar a si próprias se não pertencerem ao sexo oposto.
 
Crianças gostam de explorar o mundo
 
O que eu percebo hoje em dia é que os pais querem educar da maneira mais livre possível e tentando respeitar ao máximo as vontades dos filhos. Isso é valoroso, porém é um campo minado, pois se não soubermos como fazer isso, iremos mais confundir os nossos filhos do que ajudá-los.
Uma criança de 5 anos de idade não tem clareza sobre as consequências das suas escolhas. É claro que para ela nada é definido como certo ou errado, pois isso ainda está em construção. A sociedade em que ela está inserida e a educação que receberá irão dar essas diretrizes.
 
Crianças são verdadeiros exploradores que saem pelo mundo a fora em busca de conquistas. Com isso, se um menino vê sua mãe, irmã (caso o tenha) ou tias usando saias, ele pode ter a curiosidade, vontade ou desejo de usar também. Isso não significa que ele esta é uma escolha definitiva dele. Crianças são exploradores, lembram? No momento em que ela é incentivada a fazer isso com mais frequência, estimulada por um adulto, ela poderá começar a incorporar como sendo o correto a fazer. 

sábado, 21 de maio de 2011

Pare o Bullying!

Cartaz feito por alunos de uma escola publica no Canadá
para uma das muitas campanhas anti-bullying.

Por que devemos parar o bullying? Porque ele é extremamente perigoso, podendo ser fatal para muitas crianças e adolescentes.
Temos o terrível exemplo da tragédia que ocorreu no Rio de Janeiro. Ela chocou o Brasil e o mundo e chamou a atenção da mídia para um problema que ocorre muitas vezes nas escolas brasileiras: A violência.
Lamento imensamente por todas as vítimas dessa prática, assim como por seus praticantes, pois para mim todos precisam urgentemente de ajuda.

Dedico-me a escrever textos sobre bullying, pois acredito que a conscientização é fundamental para o combate a essa prática. Precisamos nos tornar pais conscientes e entender que o bullying não é uma fase normal da infância ou adolescência e que os seus efeitos podem durar até a idade adulta.

Relaciono abaixo alguns possíveis impactos sobre a prática do bullying.  As informações são baseadas em pesquisas feitas pelas universidades de B.C. Canadá.

Impacto sobre as vítimas:
• Ansiedade
• Solidão
• Baixa auto-estima
• Isolamento
• Depressão
• Dores físicas
• Fugas de casa
• Consumo de álcool e ou drogas
• Suicídio
• Mau desempenho acadêmico
  
Impacto sobre os Bullies (praticantes):
• Envolvimento em brigas freqüentes
• Ser ferido em uma luta
• Vandalismo
• Consumo de álcool
• Fumo
• Baixo desempenho escolar
• Desinteresse escolar
• Desejo de possuir uma arma
• As chances de tornar-se um criminoso aumentam em 60%.

Impacto sobre os Observadores do Bullying (transeuntes, testemunhas e assistentes):
As crianças podem ser influenciados indiretamente por serem testemunhas interpessoais de um gesto de violência, o que pode aumentar significativamente os sentimentos de vulnerabilidade e diminuir o sentimento de segurança pessoal.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Transtorno da Ansiedade na Infância

Li recentemente este livro e achei muito interessante para nós pais. Ele fala sobre o transtorno da ansiedade sofrido na infância. Hoje em dia, este transtorno é mais comum do que pensamos.

O livro cita vários exemplos de crianças ansiosas, como:
"A menina Talia tem apenas 9 anos, é cheia de amigas e adora ouvir rock, mas ela morre de medo de água, tanto que evita festinhas à beira da piscina. Outro garoto, George, tem 12 anos e se sente muito sozinho. Apesar de conversar com os pais, não consegue socializar com mais ninguém e isso tem preocupado sua família. Laís, de 7 anos não consegue viver mais longe de sua mãe e nem aceita mais dormir na casa do pai (eles se separaram). Já Caio, de 10 anos, se preocupa com tudo e vive com medo, e sempre que encosta em um objeto que pode lhe transmitir germes, corre para o banheiro para lavar as mãos intensamente."

Todos esses casos e sintomas são exemplos de ansiedade exagerada. A ansiedade é algo normal e faz parte da vida de todas as crianças e, como visto, ela pode assumir diversas formas. O grande problema, contudo, é quando o transtorno atrapalha a vida da criança a ponto de isolá-la do mundo por conta de sua fobia. Em alguns casos, a ansiedade na infância pode marcar o início de uma vida de angústias e tormentos que, nos casos mais graves pode levar a problemas mais sérios na fase adulta.
Precisamos conhecer mais sobre o tema para que possamos ajudar aos nossos filhos que, dependendo do caso, devem também contar com o auxílio de um profissional.

Aqui, coloco um trecho de um capítulo do livro que achei interessante:

Como a Ansiedade Infantil se manifesta?

"Todo mundo é único e não há duas crianças ansiosas que se comportem exatamente da mesma maneira. Existem, porém, amplas semelhanças que podemos descrever.

Quando sente ansiedade, a criança geralmente percebe três efeitos diferentes. Em primeiro lugar, a ansiedade é vivida em seus processos mentais e pensamentos. A criança ansiosa terá pensamentos que giram em torno de algum tipo de perigo ou ameaça: podem viver com medo de se machucar, de que alguém próximo a elas se machuque ou de ser motivo de risos. Em segundo lugar, a ansiedade é experimentada em um plano físico, em seu corpo.

Quando uma criança se torna ansiosa, seu corpo se torna mais empertigado, mais alerta. Os pesquisadores frequentemente se referem a esse fenômeno como resposta

"luta ou fuga", porque ele serve para proteger a pessoa, preparando-a para lutar ou fugir do perigo em potencial. A reação de luta ou fuga envolve mudanças tais como aumento da frequência cardíaca, respiração, transpiração e náusea.

Por conseguinte, quando apreensiva, a criança ansiosa pode queixar-se de dor de estômago, de dor de cabeça, pode vomitar, ter diarreia ou fadiga. Em terceiro lugar, e provavelmente o mais importante, a ansiedade afeta o comportamento da criança. Em situações que a deixam ansiosa, ela pode ficar nervosa, sentir as pernas bambas, chorar, agarrar-se a adultos ou ficar trêmula.

Não podemos deixar de mencionar que a ansiedade quase sempre envolve algum tipo de fuga. Pode tratar-se de uma fuga óbvia (recusar-se a levar o lixo para fora de casa quando está escuro, por exemplo), assim como pode envolver manifestações mais sutis (ficar cuidando o tempo todo da música, em uma festa, para não ter de conversar com ninguém, por exemplo).

O grau de ansiedade varia muito de uma para outra criança. Certas crianças têm medo apenas de uma ou duas coisas. Pode ser, por exemplo, que uma criança seja habitualmente segura e extrovertida, mas tenha medo de dormir de luz apagada. Na outra ponta do espectro, algumas crianças podem afligir-se com muitas áreas da vida e parecer sempre nervosas e sensíveis. Pode acontecer, por exemplo, de a criança ficar muito apreensiva diante de qualquer situação nova, ter medo de conhecer outras crianças, ter medo de cachorros, de aranhas e do escuro, ou ficar muito intranquila quando os pais saem à noite."

Fica aqui a sugestão para leitura.
Boa semana!

domingo, 23 de maio de 2010

Transtorno de Conduta. O que é isso?

Quem assistiu ao filme Toy Story conhece bem o personagem de um garotinho chamado Cid. Ele destrói todos os seus brinquedos e os da sua irmã. Cid tem um dos comportamentos típicos de crianças e adolescentes com Transtorno de Conduta. Esses pequenos que se divertem com o sofrimento dos outros, seja um animal ou um amigo chamam a atenção pela agressividade exagerada e falta de empatia.

O que é o Transtorno de Conduta? - "É um padrão repetitivo e persistente de comportamento que viola regras sociais importantes em sua idade ou os direitos básicos alheios" (ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria)

Bem, nenhum menor de 18 anos pode ser chamado de psicopata, uma vez que sua personalidade ainda não está formada. Nesses casos, usamos o termo "Transtorno de conduta". Calma! Não quero dizer que as crianças com transtornos de conduta serão psicopatas no futuro, mas não posso deixar de ressaltar que esse transtorno revela um forte risco. Assim como nem toda criança com TC será um psicopata, mas todo psicopata sofria de TC.

Quando o comportamento de uma criança ou adolescente deve nos preocupar?
Quando mentem ou furtam com frequencia, desrespeitam regras constantemente, maltratam animais ou a outras crianças e demonstram agressividade excessiva. É claro que certo grau de malvadeza é aceitável na infância e adolescência, pois faz parte do desenvolvimento. Vamos dar um desconto! Até mesmo porque o TC é caracterizado pela repetição, e não por atos isolados. Eles podem vir acompanhados de hiperatividade e déficits graves de atenção.

Costumo dizer que não devemos cobrar nada de ninguém que a idade não permita. Por isso, não exija capacidade de julgamento (consciência do que pode ou não fazer) ou analise de limites de crianças menores de 7 anos. Somente a partir desta idade é que essa capacidade se desenvolve. Por exemplo: Quando um menino de 6 anos coloca o gato no microondas, ele não sabe o risco que está expondo o animal, mas um menino de 8 anos sabe. É claro que existem exceções em relação a idade como no famoso caso da menina inglesa de 2 anos chamada Mary Bell (1968). Já nesta idade era muito diferente de qualquer outra criança. Nunca chorava quando se machucava e destruía todos os seus brinquedos. Aos 4 anos precisou ser contida ao tentar enforcar um amiguinho na escola. Aos 5 anos, viu um colega sendo atropelado e não demonstrou nenhuma reação emocional. Depois da alfabetização, ficou incontrolável: pichava paredes na escola, incendiou a sua casa e maltratava animais. Aos 11 anos, Mary matou por estrangulamento dois meninos (3 e 4 anos) sem dó e piedade. Antes de ser julgada, Mary foi avaliada por psiquiatras e psicólogos e teve como diagnóstico um gravíssimo transtorno de conduta. Mary foi um caso clássico e raro de psicopatia na infância. Muitos psicopatas sofreram abuso na infância, seja físico, sexual ou psicológico. O caso citado reuniu todos os fatores.

O que torna uma criança com tendência a psicopatia?
Existem três fatores de risco: a predisposição genética, um ambiente hostil e possíveis lesões cerebrais no decorrer do desenvolvimento. Esses fatores não atuam sozinhos, eles precisam de terreno fértil. Quando a criança se encontra em um ambiente hostil, violento e com carência de afeto, os sintomas podem se manifestar.
Até então, não se conhece a cura para a psicopatia em adultos, no entanto existe a chance de mudar o comportamento de crianças com o transtorno de conduta e evitar que se tornem transgressores mais tarde.

Um abraço,
Lila
______________________
Fonte & Sugestão de Leitura:
Gritos no vazio - A história de Mary Bell - Gitta Sereny. Editora: Gutenberg
Teorias da Personalidade - Howard S. Friedman & Mirian W. Schustack

segunda-feira, 22 de março de 2010

Esclarecendo o TOC - Transtorno Obssessivo Compulsivo

Você já deve ter assistido ao Filme "Melhor Impossível" , onde o personagem principal é um simpático/antipático e ranzinza, que mesmo com todas as suas “manias” conquistou o público. Melvin, um escritor de meia-idade que lavava as mãos obcecadamente, levava seus próprios talheres ao restaurante e não se sentia confortável ao pisar nas calçadas multicoloridas da cidade. Ele sofria de TOC -Transtorno Obsessivo-Compulsivo. O filme ajudou a tornar mais conhecida pela maioria das pessoas, essa síndrome que hoje se apresenta de maneira mais comum do que se imagina em adultos, adolescentes e crianças.

Sobre o TOC: É uma doença caracterizada pela presença de obsessões e compulsões que se apresentam de forma repetitiva, causando sofrimento à pessoa portadora. As obsessões se referem a pensamentos e idéias de conteúdo negativo (morte, azar, etc.) que se repetem, originando sofrimento e angústia sem que algo na realidade externa as explique. As compulsões são comportamentos repetitivos e estereotipados que funcionam como resposta às obsessões e servem para aliviá-las (afastar o azar, evitar um acontecimento ruim). Esses pensamentos de caráter negativo invadem a mente da pessoa sem que ela tenha controle sobre eles. Para neutralizá-los, é necessário realizar uma série de rituais, como lavar as mãos, organizar objetos, contar em voz baixa, etc., na tentativa de evitar que se tornem realidade. Assim, o dia-a-dia de quem sofre desse transtorno passa a ser regulado em função dos rituais, consumindo tempo, energia e resultando em grande sofrimento e angústia.

É muito importante não confundir o TOC com algumas características de personalidade presentes em muitos de nós, como organização e perfeccionismo. Para que esse transtorno seja diagnosticado, esses elementos devem estar presentes em um nível muito elevado, prejudicando as relações sociais, o trabalho e o cotidiano de maneira geral.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), para que uma pessoa receba o diagnóstico de estar sofrendo de transtorno obsessivo-compulsivo, ela deve apresentar:
- Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento, são experimentados como intrusivos e inadequados, causando ansiedade ou sofrimento, não sendo meras preocupações excessivas com problemas da vida real.

Em algum ponto durante o curso do transtorno, a pessoa reconhece que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais (esse item não é valido para o diagnóstico em crianças).

As obsessões ou compulsões causam acentuado sofrimento, consomem tempo (tomam mais de 1 hora por dia) ou interferem significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (ou acadêmico), atividades ou relacionamentos sociais habituais do indivíduo.

O transtorno obsessivo-compulsivo pode ser vivenciado também por crianças. Nesse caso, pais e professores devem prestar atenção a sinais específicos, como medo persistente de doenças; contar e recontar buscando a exatidão; demora em realizar as tarefas escolares por causa da necessidade de apagar constantemente os exercícios já feitos; inflexibilidade e rigidez nas brincadeiras; e ritual diário de higiene repetitivo e exagerado.

É importante que pais e educadores aprendam a identificar esses sintomas e sinais, já que as crianças nem sempre costumam verbalizar seus sentimentos. Deve-se estar atento à conduta de crianças e adolescentes e, frente a dúvidas, buscar o apoio de profissionais especializados.

A realização de um diagnóstico adequado é imprescindível em qualquer idade, uma vez que este transtorno pode estar associado a outras doenças, como depressão, ansiedade e problemas alimentares, que devem ser tratados em conjunto. O tratamento ocorre geralmente mediante a associação de terapia e novas medicações, e seus resultados vêm sendo positivos, principalmente em relação à notável diminuição dos sintomas.
_______________________
Fonte e Sugestão de Leitura:
SILVA, Ana Beatriz. Mentes e Manias. São Paulo, Gente: 2004.
CORDIOLI, Aristides. Vencendo o Transtorno Obsessivo-Compulsivo. São Paulo, Artmed: 2003

domingo, 14 de março de 2010

Síndrome de Asperger ou Síndrome de Gênio

Há poucos anos atrás, mal se ouvia falar em síndrome de Asperger, mas atualmente tem sido tema de livros, palestras, congressos, pesquisas, etc. Isso é muito bom para esse grupo de pessoas que possuem comportamentos diferenciados da grande maioria.

Mas o que é a Síndrome de Asperger?
É um transtorno do desenvolvimento da família do autismo, mas entretanto diferentemente do autismo, a pessoa quando criança com Síndrome de Asperger, apresenta desenvolvimento cognitivo e intelectual normal e não apresenta atraso no desenvolvimento da fala.  O desenvolvimento da criança parece normal, mas no decorrer dos anos seu discurso torna-se diferente, monótono, peculiar e há com freqüência a presença de preocupações obsessivas. Sua capacidade de interagir com outras crianças torna-se difícil, é pouco empática, apresenta comportamento excêntrico, suas vestimentas podem se apresentar estranhamente alinhadas e a grande dificuldade de socialização tende a torná-los solitários. Há prejuízo na coordenação motora e na percepção viso espacial. Elas apresentam interesses peculiares e pode passar horas assistindo ao canal da previsão do tempo na televisão ou estudando exaustivamente sobre temas ou assuntos preferidos como dinossauros, carros, aviões ou mapas de ruas, por exemplo. (Fonte: Livro- Olhe nos meus olhos – Minha vida com Síndrome de Asperger – John Elder Robison)

Tenho atendido, nesses últimos anos, algumas crianças e adolescentes com Asperger. A grande reclamação desses é a incompreensão dos familiares, da escola e dos amigos para o comportamento social apresentado. Eles são acometidos pela Aspie (abreviatura de Asperger), mas e na grande maioria das vezes, não diagnosticados, o que torna ainda mais difícil esta interação. O que dificulta o diagnóstico, é que a pessoa com Aspie é muito inteligente, por isso, os pais podem pensar como o seu filho tão inteligente pode estar doente. Bem, enquanto o diagnóstico não vem, as pessoas com Aspie vão sendo incompreendidas e maltratadas, principalmente na escola porque os professores, os auxiliares e os demais alunos não estão ainda familiarizados com a patologia. O mesmo acontece no trabalho (quando adulto) e nos relacionamentos em geral. Algumas crianças e adolescentes são alvo de bullying (ameaça ou agressão de forma intencional e repetida) não só na forma de violência física, mas na psicológica.

O Psicólogo e diretor de estudos de crianças autistas da Universidade de Yale em Connecticut Ami Klin realizou uma pesquisa com grupos de pessoas com e sem a síndrome de Asperger, para verificar o raciocínio lógico. Foi apresentado um desenho animado com um círculo e um triângulo dentro de uma elipse.

No vídeo, o triângulo se movia em direção ao circulo e dava um empurrão. O círculo se balançava, mas voltava a ficar parado. Na terceira vez, após receber o empurrão do triângulo, o círculo saiu em direção ao objeto e a elipse acabou sendo estourada.

O pesquisador perguntou ao grupo de pessoas sem a síndrome, como elas traduziam aquela situação. A maioria disse que o triângulo estava provocando o circulo e chegou um momento que o objeto não suportou e decidiu sair correndo para tomar satisfação com o triângulo.

Já o grupo com Apie viu uma fusão nuclear, quando duas partículas que se repelem mutuamente acabam destruindo um átomo.

Fique atento para alguns sintomas característicos de crianças com Síndrome de Asperger:

1. Faz pouco contato visual com o outro, não consegue passar muito tempo olhando nos olhos de outra pessoa.
2. Provavelmente não usa gestos como acenar, apontar, assentir ou fazer ”shh” com o dedo significando silêncio.
3. Não tem muitos amigos
4. Prefere brincar sozinho ao invés de interagir com outras pessoas
5. Nas brincadeiras em grupo, destaca-se pelo comportamento distinto, por exemplo: Continua a vagar pela sala enquanto as outras crianças já estão sentadas na hora de ouvir uma história.
6. Parece fascinado por partes do brinquedo ao invés de brincar com ele. Por ex: gira constantemente as rodas de um carrinho, ao invés de fazê-las rodar no chão
7. Passa longos períodos enfileirando objetos e fica mais perturbado do que o normal se alguém os muda de lugar
8. Demonstra interesse em coisas incomuns para uma criança, por ex: postes de iluminação, liquidificador, mapas, logotipos.
9. Prefere a rotina
10. Evita revezamentos e gosta de ser o primeiro o tempo todo
11. Repete a mesma coisa várias vezes
12. Não facilita o diálogo quando o assunto é algo sobre o qual apenas o outro deseja falar
13. Fala sem se preocupar se o outro está interessado ou entediado com o assunto sobre o qual ele está falando
14. Faz movimentos incomuns e repetidos, como girar o corpo e agitar os braços
15. Muito sensível ao barulho
16. Mostra a tendência a ser muito formal
17. Tem uma comunicação rebuscada, eloqüente, de um modo incomum, com o tom muito alto e sem expressão ou com sotaque distinto. (Fonte: Livro Convivendo com Autisto e síndrome de Asperger – Chris Williams e Barry Wright)

A melhor maneira de ajudar uma pessoa com a síndrome é entendendo os seus sintomas e procurando ajuda para a mesma. O tipo de terapia indicada é a Relacional, onde vão aprender a se socializar.

Abaixo, um vídeo que resume um pouco dos sintomas da Aspie.
Abraços,
Lila