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segunda-feira, 11 de março de 2013

Violência Sexual

Banner Pedofilia
 
Ao longo da história da humanidade, crianças têm sofrido todo tipo de violência independentemente da cultura ou classe social em que vivem.
 
Há pouco tempo falar abertamente sobre abuso sexual* de crianças e adolescentes era um verdadeiro tabu (assunto delicado que gera incômodo em algumas pessoas quando se fala sobre).  A grande maioria dos casos de abusos eram escondidos pela vítima por vergonha e medo.  Hoje a realidade está um pouco diferente. Algumas poucas vítimas ou testemunhas, se permitem falar, denunciar ou relatar o que vem acontecendo com elas. Porém, muitos adultos, pais das vítimas, ainda preferem manter o silêncio fazendo de conta que nada está acontecendo. Preferem não expor os fatos e nem enfrentar a situação de forma aberta e corajosa. Eles sabem que isso implicaria em mexer numa ordem familiar estabelecida, pois a maioria de casos de abusos ocorrem dentro de casa. O lar que deveria ser o lugar mais seguro para uma criança, muitas vezes é o cenário de momentos de terror.
 
É importante que tenhamos em mente o conceito sobre Abuso Sexual: Abuso sexual é todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual entre um ou mais adultos e uma criança menor de 18 anos, tendo por finalidade estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa.
 
A violência sexual contra crianças e adolescentes pode se manifestar de diversas formas como:
 
- com contato físico por meio de toques,
- carícias, manipulação de genitais,
- relações com penetração anal, vaginal,
- sexo oral;
- sem contato físico como o voyerismo,
- assédio,
- exibicionismo,
- utilização da criança para elaboração de material pornográfico ou obsceno;
- com contato físico com violência nos casos de estupro, brutalização, muitas vezes chegando ao assassinato das vítimas.
 
Por conta do interminável sigilo das testemunhas, vítimas e algozes, as crianças e os adolescentes tornam-se involuntariamente cúmplices de sua própria dor, sendo obrigadas a assumirem sozinhas as terríveis conseqüências físicas e psicológicas do abuso.
 
Cenário em que acontecem os abusos
 
Em geral, o abuso sexual acontece sempre que as crianças ou os adolescentes estão sozinhos.  A experiência que vivenciam, os momentos de medo e de incapacidade diante do que vai acontecer ou aconteceu, torna o cotidiano e a vida de muitos deles, quase insuportável.  Manter tudo isso em segredo é um peso a mais, mas as vítimas sabem o quanto ele é difícil de ser partilhado.
 
O medo e a descrença silencia
 
Tanto a criança quanto o adolescente temem a punição ou não acreditam na capacidade do adulto de protegê-los. Se não conseguem falar é porque não tem mais confiança no adulto. Outros, quando falam, são desacreditados e acusados de sedução. Para um vitima não há nada pior do que se abrir para algum que duvida dela.
 
Síndrome de Acomodação
 
R.C. Summit (1983) descreveu a "Síndrome de Acomodação" da criança e adolescente vítimas de abusos sexuais: “Se o diagnostico de abuso não foi feito, e se as pessoas não acreditam na criança ou no adolescente, os distúrbios são mais discretos e eles aprendem a aceitar a situação e sobreviver a ela, sob o risco de as conseqüências só se manifestarem mais tarde na forma de graves problemas de personalidade”.
 
As nossas crianças e os nossos adolescentes estão sequelados pelo excesso de abuso que sofrem e é o nosso dever ajudá-los. Romper com o silêncio e acreditar na vítima do abuso é um primeiro e importante passo.
______________________
* A Organização Mundial de Saúde define o abuso sexual da seguinte maneira: “A exploração sexual de uma criança ou adolescente implica que esta seja vítima de um adulto ou de uma pessoa sensivelmente mais idosa do que ela com a finalidade de satisfação sexual desta. O crime pode assumir várias formas: ligações telefônicas obscenas, ofensa ao pudor e voyeurismo, imagens pornográficas, relações ou tentativas de relações sexuais, incesto ou prostituição de menores”.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sobre o Abuso Infantil

O QUE É ABUSO INFANTIL - Abuso infantil é o maltrato físico, psicológico ou sexual das crianças. Enquanto a maioria dos abusos contra crianças acontece em ambientes domésticos, uma parcela significativa também ocorre em organizações que envolvem crianças, tais como igrejas, escolas, empresas de cuidados da criança e escolas residenciais. Há quatro categorias principais de abuso de criança: negligência, abuso físico, abuso psicológico ou emocional e abuso sexual. Existem diferentes subcategorias dentro de cada tipo de abuso. É fácil identificar algumas formas de abuso infantil, outros são mais difíceis. O fato de que uma criança sofreu dano não revela necessariamente abuso. Abuso de criança é uma ação ou omissão que prejudique uma criança. A pessoa responsável deve ter conhecido sua ação ou omissão, a qual era susceptível de causar danos. Bem, isso é um ponto de vista muito legal. Agora existe um mais prático, oponto de vista da vítima: "é qualquer coisa que prejudique você!!"


WHAT IS CHILD ABUSE - Child abuse is the physical, psychological or sexual maltreatment of children. While most child abuse happens in the childs home, a significant portion also occurs in organizations involving children, such as churches, schools, child care businesses, and residential schools. There are four major categories of child abuse: neglect, physical abuse, psychological or emotional abuse and sexual abuse. There are different subcategories within each type of abuse. Its easy to identify some forms of child abuse, but difficult for other forms. The fact that a child experienced harm doesnt necessarily reveal abuse. Child abuse is an action or inaction that harms a child. The person responsible should have known their action or inaction was likely to cause harm. Well, thats a very legalistic point of view. Let me give you another one. Child abuse, from the standpoint of the victim, is anything that harms you!!

sábado, 13 de novembro de 2010

Algumas coisas custam mais do que você imagina!

Dados recentes, divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelam que 250 milhões de crianças entre cinco e catorze anos trabalham em todo o mundo, sendo 120 milhões em período integral. O Brasil está entre os países com altos índices de trabalho infantil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 1993, trabalhavam no país 4.547.944 crianças brasileiras de cinco a catorze anos. Destas, 40% se encontravam nas cidades desenvolvendo trabalho tipicamente urbano. O DIEESE coordenou uma pesquisa em seis capitais com o objetivo de conhecer, analisar e discutir esse trabalho e, com isso, subsidiar propostas para sua erradicação. A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), no âmbito do Programa Internacional para Erradicação do Trabalho Infantil (IPEC), da OIT.
Embora os grandes números de trabalho infantil encontrem-se na Ásia, África e América Latina, os países desenvolvidos não são imunes ao problema.

O trabalho infantil não é um fenômeno moderno, acontece há muito tempo. A esperança vem de uma boa noticia: recentemente havia uma tendência da extinção da exploração damão de obra infantil, mas acredito que isso ainda está longe de acontecer. É preciso muita mudança de comportamento e consciência.

Sabemos que a mão de obra infantil (que é absurdamente cruel, irritante, maléfica, injusta, ordinária e demais adjetivos negativos que pudermos encontrar e que ajudam a definir a ação) é barata e dificil de controlar. Mas isso não impede que façamos a nossa parte. Consumir com consciência, é uma maneira de diminuir  a produção de muitos produtos e evitar a exploração cada vez maior de crianças inocentes. Produtos baratos demais são um reflexo da exploração de alguém, e este alguém pode ser uma criança. Façamos a nossa parte e evitemos que a boa vida de uns não se realize através do sofrimento de outros.
Seria realmente maravilhoso se todas as crianças no mundo pudessem ter o conforto de um lar, o cuidado de pais amorosos, uma cama quentinha, escola, lazer e alimentação saudável.
O vídeo abaixo mostra a realidade de mundos paralelos que se cruzam no universo infantil.

domingo, 26 de setembro de 2010

O que você faria se alguém batesse nos seus filhos? E se esse alguém fosse você?



(Frases da imagem: "Abuso é Real" - "Essa imagens ofendem você?" - "Você já viu o suficiente?" - "Não há desculpas para o abuso" - "Você vai ajudar?" - "Quantas crianças irão sofrer antes de todos nós fazermos a nossa parte?" - "Você vai fazer de conta que não viu?" - "Por favor ajude!")


Uma história contada pela escritora americana Astrid Lindgren, ilustra de maneira afetiva a irracionalidade do castigo físico e de como ele é visto pelos olhos de uma criança. "Certa vez, uma senhora contou que quando era jovem não acreditava no castigo físico como uma forma adequada de educar uma criança, apesar do pensamento comum da época incentivar o uso de um fino galho de árvore para corrigir a criança. Um dia, o seu filho de 5 anos fez alguma coisa que ela considerou muito errada e, pela primeira vez, sentiu que deveria dar-lhe um castigo físico. Ela disse para ele que fosse até o quintal de sua casa e encontrasse uma varinha de árvore e trouxesse para que ela pudesse aplicar-lhe a punição. O menino ficou um longo tempo fora de casa e quando voltou estava chorando e disse para a mãe: Mãezinha, eu não consegui achar uma varinha, mas achei uma pedra que você pode jogar em mim. Imediatamente a mãe entendeu como a situação é sentido do ponto de vista de uma criança: Se minha mãe quer bater em mim, não faz diferença como e com o quê; ela pode até fazê-lo com uma pedra. A mãe pegou seu filho no colo e ambos choraram abraçados. Ela colocou aquela pedra em sua cozinha para lembrar sempre: Nunca use violência!".

O título deste post é uma tentativa de reflexão para nós pais e cuidadores: Por que ficamos furiosos quando outra pessoa destrata os nossos filhos? E porque não nos importamos quando somos nós mesmos que o fazemos? Por que somos os pais? Essa condição nos dá o direito de abusar de nossos filhos?

Sabemos que a punição física é uma prática "educativa" que sempre foi muito utilizada por pais. Ela começa com a velha e "inocente" palmada e facilmente se tornar um abuso físico. Os pais que batem, acreditam estar corrigindo o comportamento da criança ou adolescente. A grande questão é que bater não educa, apenas gera revolta, medo, tristeza... Como não educa, o comportamento que queríamos "eliminar" nos nossos filhos se repete e, a cada nova tentativa de "educar batendo" você vai precisar agregar mais força, gritos, chantagens, etc para que algo aconteça. Essa é a receita da agressão!

Uma observação importante: No processo de aprendizagem, a repetição é fundamental. Por isso, nossos filhos repetem muitos comportamentos até que eles tenham a certeza de tê-los apreendido.
Exemplo: Uma criança ao beber água, derruba na roupa. Você diz à ela: Tome cuidado ao beber água para não se molhar. Na próxima vez que ela beber água, provavelmente vai se molhar novamente e você precisará repetir a informação. Isso poderá acontecer várias vezes e a cada vez que acontecer você vai precisar dar a mesma informação. Faça isso pacientemente! Não terá nenhum resultado no processo de educação se você gritar ao dizer: "Eu já falei para você tomar cuidado ao beber água e não se molhar, seu idiota!"

Cuidado! Num suposto misto de raiva e ou medo de não ser respeitada e ou desejo de disciplinar, você pode se tornar um(a) abusador(a) de seus próprios filhos.
Não perca o controle com os seus filhos!


 

terça-feira, 15 de junho de 2010

Expressando a Raiva

Todos nós já vimos uma criança com raiva. Se você ainda não viu uma, espere até ter um filho... Elas não estão nem um pouco preocupadas em esconder esse sentimento. Quando estão iradas a fisionomia, postura corporal, o tom de voz e os gestos mudam. Aquele anjinho vira uma fera. O primeiro impulso delas é bater, chutar e gritar.

A raiva é importante e natural, mas não podemos permitir que nossos filhos saiam batendo em todo mundo que encontram pela frente em um acesso de raiva. Eles precisam saber diferenciar entre raiva e violência. Violência é a raiva que saiu errado.

Então como podemos ajudar os nossos filhos a estarem confortáveis com esse sentimento?

Costumo dizer que a raiva tem voz e uma razão. Estimule a criança a dizer em voz alta que está com raiva e por que. Ex: “Eu estou com raiva de você porque não me deixou brincar no computador!”. Entender a raiva e um treino e pode levar algum tempo, então tenha paciência e persistência.

Quando as crianças não conseguem dizer o motivo da raiva, você pode dar uma ajudinha. Ex: “Você acha que eu cheguei tarde demais do trabalho hoje? É por isso que está chateado?”

Escute a raiva de seus filhos. Entenda que eles não querem lhe desafiar e nem medir forças, querem apenas ser ouvidos, compreendidos.
Certo dia meu filho ficou muito bravo comigo porque eu não queria deixá-lo fazer algo que me parecia perigoso. Ele muito irritado gritou: “Vou embora dessa casa e não volto mais!” Penso que ele queria me dizer: “Estou com muita raiva de você, principalmente quando não me deixa fazer o que eu quero. Deve ter um lugar melhor para morar” (ou algo assim). Diante daquela fala percebi que precisávamos conversar e deixar algumas coisas esclarecidas. Abaixei-me na altura de seus olhos e lhe disse: “Se você for embora desta casa eu irei junto, pois você é muito importante para mim e vou sentir a sua falta”. Ele me abraçou e chorando disse: “Mas mamãe, você não me deixa brincar”. Conversamos sobre o que aconteceu e naquele momento tudo ficou bem. Mas, não pensem que a cena não se repetiu (Lembram que entender e expressar a raiva é um treino?). Houve outras situações onde ele ficou com raiva e não soube se expressar. Hoje em dia, ele já consegue dizer: “Estou com raiva por (tal motivo)”.

Você é o melhor modelo a seguir para seus filhos, então seja bom nisso. Dê o exemplo! Filhos aprendem melhor sobre a raiva quando tem pais expressivos, muito mais do que com pais sempre contidos. As crianças precisam saber que seus pais são humanos. Quando você estiver com raiva, expresse isso a elas sem insultá-las ou maltratá-las, é claro. Diga as razões da sua raiva e use o tom de voz firme. Ex: “Estou brava com você porque não cumpriu o nosso acordo”. Expressar as nossas emoções de maneira saudável vai nos ajudar a educar os nossos filhos com respeito, empatia e amor.

Abraços,
Lila

sábado, 26 de setembro de 2009

Surras diminuem o Q.I. de crianças

Fonte: Pesquisa da New Scientist - Reportagem da Folha OnLine - Caderno: Ciência & Saúde

Uma surra pode deixar uma marca na criança que é pior do que o desenho vermelho das mãos. Palmadas e outras punições corporais atrasam a inteligência infantil, segundo demonstra um novo estudo.
O Q.I. (quociente de inteligência) de crianças entre 2 e 4 anos que receberam palmadas regulares de seus pais caiu mais de cinco pontos no decorrer de quatro anos, comparado com o de crianças que não levaram palmadas.
O Quoeficiente de Inteligência apresenta queda de 5.5 pontos com palmadas. Vale ressaltar que o estímulo intelectual é mais importante, diz estudo. "O lado prático disso é que os pediatras e psicólogos precisam começar a dizer: " Não batam, sob qualquer circunstância!", diz Murray Straus ( sociólogo da Universidade de New Hampshire, em Durham) que capitaneou o estudo juntamente a Mallie Paschall (do Centro de Pesquisa e Prevenção em Berkeley, na Califórnia)

Sem desculpas
Essas não são as primeiras evidências de que bater em crianças traz um custo. Tomografias do cérebro de crianças severamente castigadas, descobriram que receber surra baixa o desempenho cerebral. No entanto, os novos pesquisadores fazem uma ligação mais forte no relacionamento de causa e efeito entre surras e inteligência.
Elizabeth Gershoff, pesquisadora de desenvolvimento infantil da Universidade do Texas, examinou crianças no decorrer de quatro anos, além de calcular muitas variáveis passíveis de confusão, como a etnia dos pais, educação e se eles faziam leituras para as crianças ou não.

Straus e Paschall analisaram dados coletados nos anos 1980 como parte de uma pesquisa nacional de saúde infantil. Em 1986, um estudo anterior mensurou o Q.I. de 1.510 crianças com idade entre 2 e 9 anos, e também observou a frequência em que suas mães as submetiam a punições corporais. Os pesquisadores repetiram os testes quatro anos depois. Os pesquisadores separaram as crianças em dois grupos de idade --2 a 4 anos e 5 a 9-- porque alguns psicólogos infantis afirmam que surras ocasionais são aceitáveis em crianças mais novas, mas não em crianças mais velhas. (Eu não concordo com esta parte)

Abaixo às palmadas
As projeções revelaram que 93% das mães bateram em crianças entre 2 a 4 anos ao menos uma vez por semana, e que 58% recorreram à disciplina física com crianças mais velhas. Quase metade das mães das crianças mais novas bateram em seus filhos três ou mais vezes por semana, apontaram Straus e Paschall.

Quatro anos depois, as crianças mais novas que jamais apanharam de suas mães tiveram um ganho de 5.5 pontos de Q.I., se comparadas com crianças que sofreram punições corporais, enquanto os mais velhos que não apanharam ganharam 2 pontos de Q.I. em relação aos que não apanharam. Estes resultados põem em dúvida a prática de surra apenas nas crianças mais novas, diz Straus. "Uma das ironias mais cruéis é que as crianças novas são mais propensas a risco porque seus cérebros têm partes de desenvolvimento ainda em formação". (Esta parte eu concordo!)

Apesar da conclusão dos cientistas, a palmada não é uma garantia de mediocridade intelectual. Nas crianças mais novas, o atributo que fez mais diferença para a pontuação do Q.I. era se as mães estimulavam ou não a capacidade cognitiva. Isto era mais importante do que qualquer outra coisa, incluindo o castigo corporal.
"Digamos que você tem uma criança que tem pais educados, que apoiam e dão estimulação cognitiva, mas que batem: estas crianças vão ficar bem de qualquer modo, poderiam ficar melhores caso não apanhassem", afirma Strauss.
Entretanto, ele tem pouca paciência com o argumento de que a surra complementa aquilo que a disciplina não cobre. "A pesquisa simplesmente não mostra isso", diz ele. "Bater não funciona melhor com crianças pequenas".

domingo, 6 de setembro de 2009

Nova Lei amplia o conceito de estupro e aumenta as penas

A nova Lei 12.015, que passou a valer a partir de 07 de agosto deste ano e promoveu alterações no Código Penal. A nova lei considera a prática de atos libidinosos como um crime hediondo. Gestos que causem constrangimento, como carícias forçadas, poderão ser enquadrados como estupro e o acusado, em caso de condenação pela Justiça, pode ser punido com uma severa pena que, agora, varia de seis a dez anos de reclusão. Na lei anterior, essa pena oscilava entre três a oito anos para quem "constrangesse mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça".
Para as autoridades que lidam com a violência, e outros operadores do Direito, o endurecimento da lei é um contundente passo para uma punição mais rigorosa dos estupradores. Contudo, asseguram que, o mais importante, foi a ampliação do raio de ação da nova legislação. Na concepção da lei anterior, somente as mulheres sofriam o crime de estupro. Hoje, a legislação fala de "alguém", portanto, os homens também estão enquadrados nesta condição. "Foi realmente um importante avanço. Pela lei anterior, um criminoso que estuprasse um homem respondia por crime de atentado violento ao pudor e, apesar de ser um crime gravíssimo, a pena prevista era menor que a aplicada no caso de um roubo”. Explica a advogada criminalista cearense, Erbênia Rodrigues. O raciocínio da advogada tem realmente fundamento na lei que, até então, era aplicada no caso de um uma pessoa do sexo masculino ter sido violentada sexualmente. O autor seria enquadrado no artigo 214 do Código Penal Brasileiro (atentado violento ao pudor), com pena de dois a sete anos. Se este mesmo criminoso assaltasse a vítima, roubando-lhe, por exemplo, uma simples caneta ou um celular, seria enquadrado no artigo 157 do CPB, com punição de quatro a dez anos de cadeia. Agora, o caso de violência sexual será considerado um estupro.

Aplicação
Na prática, a nova legislação já começou a produzir os seus efeitos. O mais recente - e notório - caso envolve o famoso médico Roger Abdelmassih, até então, considerado um dos maiores especialistas brasileiros em tratamento de reprodução humana assistida.
Com base em uma longa investigação policial iniciada em 2008, e concluída recentemente, o Ministério Público de São Paulo - representado por quatro promotores que compõem o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado/Gaeco - denunciou Abdelmassih, por nada menos, que 56 estupros contra suas próprias pacientes, isto é, mulheres que tentavam engravidar artificialmente. Pela legislação anterior, seriam 53 atentados violento ao pudor (atos libidinosos) e três estupros (conjunção carnal). A mudança aconteceu porque a denúncia foi apresentada já com base na nova lei (12.015), sancionada no dia 7 último.
"Certamente, a mudança na lei representou um avanço. A nova redação termina por fazer a lei alcançar outras condutas que, antes, eram observadas no Código Penal como diferentes da prática do estupro. Mas, a mudança ainda vai gerar muita discussão, principalmente em relação aos casos em que os processos já estavam em tramitação antes da mudança, explica o promotor de Justiça Domingos Sávio Amorim, representante do Ministério Público Estadual junto à Nova Vara Criminal de Fortaleza.

Mudanças
A nova lei prevê também duas situações agravantes, alcançadas por dois parágrafos. O primeiro, "se da conduta (estupro) resulta em lesão corporal de natureza grave, ou se a vítima é menor de 18 anos e maior de 14, a pena de reclusão pode variar de oito a 12 anos de reclusão. O segundo parágrafo prevê que, "se da conduta resulta morte", a pena aumenta, vai de 12 a 30 anos de reclusão.
Mais dois capítulos fazem parte da nova lei, o que trata "dos crimes sexuais contra vulnerável (alguém menor de 14 anos)", e o de "lenocínio e do tráfico de pessoa para fim de prostituição ou outra forma de exploração sexual".
No geral, a lei 12.015 alterou o Código Penal Brasileiro (no seu Título VI), gerou modificações no artigo primeiro da lei 8.072/90 (a dos crimes hediondos) e, ainda, revogou a lei de número 2.252, de julho de 1954, que tratava do crime de corrupção de menores.
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Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Texto escrito por Fernando Ribeiro - Editor da Polícia 

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aprenda a tratar bem os seus filhos

 As crianças possuem algo de mágico. Elas são capazes de transformar qualquer coisa em arte, beleza e amor. A espontaneidade é surpreendente e a sinceridade que permeiam as suas ações, mais ainda. Para mim, todas são merecedoras de muito carinho e amor. Mas porque os pais nem sempre tratam bem os seus filhos?
Pare por um momento e observe os pais com seus filhos. Sempre faço isso e vejo cada cena de arrepiar. Certo dia em um shopping da cidade, vi um pai aos berros com uma menina de no máximo cinco anos. Ela queria continuar brincando e estava chorando contrariada por ter que ir embora; a mãe que segurava o braço da menina, quase a arrastava pelos corredores em direção ao elevador, o pai com o dedo em riste e com uma postura corporal que até eu ficaria amedrontada, tentava dar "lições" à filha de como ela deveria se comportar e ressaltava a sua desobediência e teimosa. Que irônico! A menina assustada colocou as mãos nos ouvidos para não ouvir as "doces" palavras vindas dos pais e recusava-se a entrar no elevador com os dois.

O que acontece então com os pais? Eles não amam os seus filhos? Ou não aprenderam a amar direito? Particularmente gosto de uma psicoterapeuta e escritora suíça chamada Alice Miller que escreve sobre abusos sofridos na infância. Sobre esse assunto, ela diz: "Qualquer pessoa que maltrata os filhos foi ela mesma gravemente traumatizada na infância... não há outro motivo para os maus-tratos às crianças senão a repressão das lembranças dos maus-tratos e da confusão sofrida pelo próprio agressor". Então, como um adulto maltratado na infância pode superar as experiências dolorosas e conseguir dar a seus filhos mais amor do que ele mesmo recebeu? Será que essas crianças, ao se tornarem adultas, estão fadadas a reproduzir um ciclo interminável de raiva, agressão e retaliação? Ou existem meios de se interromper esse ciclo e aprender maneiras empáticas e sensíveis de tratar bem os seus pequenos? A boa notícia é que embora os pais que ferem tenham sido eles mesmos feridos na infância, a perpetuação desse modelo não é inevitável. Algumas crianças que foram maltratadas crescem determinadas a dar a seus próprios filhos a infância que não tiveram.

Uma coisa é certa: apenas a vontade de cuidar bem de seus filhos não é suficiente. É preciso antes de tudo se cuidar; saber onde e quais são as suas feridas infantis. Após a tomada de consciência, o segundo passo nessa direção é o adulto aprender a se relacionar com os filhos de um modo diferente, que talvez ele raramente ou nunca tenha presenciado em sua própria infância. Aprender a tratar os filhos com dignidade e respeito é um aprendizado!

O Dr. Elliot Barker, Diretor da Sociedade Canadense para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças, recomenda quatro medidas fundamentais para os futuros pais e mães criarem filhos emocionalmente saudáveis, independentemente de quão inadequada tenha sido a sua própria criação.

1) Um bom nascimento: se o pai e a mãe estiverem presentes ao nascimento e essa experiência for boa, é mais provável que os pais se apaixonem por seu bebê. O trabalho duro de cuidar do filho vai parecer bem mais leve, pois os pais estarão encantados com a maravilha que é o seu bebê. A paixão começa ou se renova aí!

2) Amamentar no peito por um período prolongado: A amamentação mantém apaixonada a mãe pelo filho. Amamentar durante meses ou anos contribui para que a relação entre eles sobreviva a tempos difíceis, que de outro modo poderiam causar separação e distanciamento emocional.

3) Períodos mínimos de separação e qualidade no modo de tratar a criança: De acordo com o pediatra William Sears, só os pais estão perfeitamente sintonizados com as necessidades da sua criança. Afastar-se em momentos difíceis priva a criança de seu apoio mais valioso e também priva você de uma oportunidade de fortalecer sua amizade. Os bebês aprendem a suportar suas necessidades insatisfeitas, mas ao custo de um rebaixamento da auto-estima e da capacidade de confiar.

4) Planejar o espaçamento de nascimento entre os filhos: cuidar bem de uma criança de menos de três anos exige de pais bem intencionados uma quantidade enorme de tempo e energia. Planejar o espaçamento entre os filhos é importante para os pais não se exaurirem tentando cumprir a tarefa dificílima de atender às necessidades emocionais de filhos com pouca diferença de idade.

Essas quatro medidas atingem profundamente toda a família. Não só estabelecem a capacidade de amor e confiança do filho como também ajudam os pais a curar as feridas da sua própria infância. Criando um forte vínculo de amor e confiança entre pais e filhos, essas medidas podem deter o ciclo de maus-tratos em uma geração.

Crianças cuidadas com amor, carinho e respeito crescem com a convicção profunda de que é errado ferir outro ser humano. É o desenvolvimento da empatia!

Viver em um ambiente de honestidade, respeito e afeição torna praticamente impossível qualquer pessoa vir a ter impulsos de judiar de alguém mais fraco, pois ela aprendeu desde muito cedo que é correto e bom proteger e ajudar todos os seres. Esse é um aprendizado que ficará gravado em sua mente e em seu corpo e valerá pelo resto de sua vida.

Infelizmente muitos pais ignoram essas quatro medidas fundamentais. Pais agressores, que nunca receberam eles mesmos amor e confiança incondicionais, podem ter dificuldade em encontrar um modo diferente de se relacionar com os próprios filhos. O quê se pode fazer por essas famílias? Muitos estudiosos e cuidadores que se empenham na causa infantil, acreditam que mudanças na legislação poderiam obrigar os pais a "resolver o seu passado" se a lei não permitisse mais que as crianças fossem usadas como bodes expiatórios. Na Escandinávia as leis protegem as crianças dos maus tratos, não só agressão física e abuso sexual, mas também surras e intimidação. Essas leis não implicam em penalidades; elas têm como objetivo despertar a consciência das pessoas para as necessidades e direitos legítimos das crianças.

É comprovado que o ciclo dos maus-tratos pode ser interrompido com o tratamento amoroso das crianças. Faço um pedido àqueles profissionais que atendem a famílias, aos pais e a todos que tenham acesso a crianças abusadas, que enfatizem as quatro medidas de empatia entre pais e filhos, pois enquanto não temos uma mudança na legislação brasileira em prol das crianças, é o mínimo que podemos fazer por elas.

Felizmente a capacidade de amar e confiar, uma vez incutida na criança, passa de geração em geração tão facilmente quanto passam a desconfiança e a crueldade. As feridas cicatrizam e não precisam ser reproduzidas, desde que não sejam ignoradas. É perfeitamente possível estar aberto para a mensagem que nossos filhos nos passam e que pode nos ajudar a nunca mais destruir a vida e sim protegê-la e permitir que ela floresça.

Abraços,
Lila

domingo, 5 de abril de 2009

Não bata. Eduque!


Quem me conhece sabe que sou uma defensora da não violência contra crianças e adolescentes, por isso, escrever sobre esse tema é acima de tudo um dever.

O meu trabalho com crianças me permite escutar pais e filhos e ter uma visão mais realista de como a educação está equivocada. É claro que a intenção dos pais é de ajudar e educar os seus filhos, mas o que observo é que existe um enorme abismo entre esse desejo e a ação.

Muitos já devem ter escutado a frase: “Pedagogia da Palmada”. Ela mostra claramente um problema sério, que é a banalização do uso da violência como meio de solucionar conflitos. Além disso, ensina a criança que a violência é uma maneira plausível e aceitável. Já perguntei para muitas crianças que apanham de seus pais, o que elas pensam. Pasmem, mas elas acham que é certo, pois fazem “bobeira” e merecem apanhar. É claro que elas não gostam nem um pouco, mas estão convencidas através da ação dos pais, que bater e apanhar é o certo. Não lhes é mostrado outro caminho, então é claro, elas vão acreditar no que é dito e feito.

A realidade é que as punições corporais e psicológicas contra crianças e adolescentes, tais como as palmadas, castigos, chineladas e ameaças, são práticas habituais em quase todas as famílias, e o pior de tudo é que são encarados como ferramentas essenciais para “educar e disciplinar” os filhos. Poucos levam a sério o fato de que o castigo físico e humilhante poderá ter reflexos negativos ao longo da vida da criança; sem falar que constituem uma violação aos Direitos Humanos fundamentais, atentando contra a dignidade humana e a integridade física das crianças e adolescentes.

É bom lembrar que o uso do castigo físico infligido a uma pessoa faz parte de um “ciclo de violência”. Entretanto, muitos pais ainda não enxergam dessa forma, pois esta metodologia educativa está fortemente legitimada em nossa sociedade. Assistimos a programas que ensinam como castigar nossos filhos. Existem muitos livros que ditam normas cruéis sobre como punir e disciplinar. Os pais que utilizam a tapa, a palmada ou a chinelada para “educar” o fazem acreditando que estão fazendo o melhor, mas não percebem o estrago por trás dessa ação. Não vêem que estão abusando da diferença de poder que existe numa relação entre um adulto e uma criança.

Se a violência física contra um adulto não é aceitável socialmente, sendo passível inclusive de sanções legais, porque contra a criança deve ser aceita? Essa é uma pergunta intrigante.

Muitos não têm conhecimento dos efeitos que o bater provoca em seus filhos. Pensam que a criança esquece ou nada assimila. Engano terrível. Existem conseqüências nada positivas nas crianças vítimas de violência doméstica. As consequencias não podem ser generalizadas para todas as crianças, pois depende da experiência de vida de cada uma e da configuração familiar. Entretanto, uma conseqüência direta do uso do castigo físico é o aprendizado equivocado de que a violência é certa e soluciona conflitos e diferenças. A partir desse aprendizado, a criança irá manter o mesmo tipo de relação com outras pessoas, como na escola, com os irmãos e amigos, com os pais, etc. Sem falar em conseqüências psicológicas freqüentes, tais como introversão, medos desconhecidos, baixa auto-estima, insegurança, timidez, excesso de passividade e submissão.

Muitas vezes, a agressão física ou psicológica acaba acontecendo num rompante, não sendo uma prática cotidiana. Quando isso acontecer, sente com seu filho e seja sincero com ele, explicando que perdeu o controle e que se arrepende por isso. Este tipo de atitude é um ótimo exemplo de humildade e de respeito para com o outro. Ao sentar para conversar, você estará dando um ótimo exemplo de que pedir desculpas não é algo do qual a criança deva se envergonhar e de que errar é humano, que nem sempre vocês pais, irão acertar em tudo, apesar de sempre desejarem o melhor para ele. Aproveite o momento para ouvir a criança e procurar, juntamente com ela, estabelecer as “regras” de boa convivência para todos dentro de casa.

Agora se você usa a pedagogia negra* para educar, valer-se do que foi citado no parágrafo anterior não vai adiantar de nada, só vai lhe criar um problema maior, pois ao bater cotidianamente e pedir desculpas, você vai transmitir insegurança, desrespeito e o quanto a sua palavra não tem o menor valor. Antes de tudo você precisa parar de bater e encontrar uma maneira mais humana de educar aqueles que você tanto ama.

Um simples exemplo da perda de controle dos pais, é quando estão cansados demais após um dia de trabalho e descarregam em seus filhos todo o seu estresse. Junto com a criança, você pode conversar e estabelecer que, quando estiver cansado, você precisará de um tempinho para respirar fundo, relaxar e, então, dar a atenção de qualidade que ela merece.
 
Acredito ser importante esclarecer quais são os castigos físicos e humilhantes. A lista é grande, mas cito aqui apenas os mais usuais nas famílias:
· Palmadas
· Beliscões
· Tapinhas na mão
· Pontapés
· Puxão de cabelo
· Rejeição ou desqualificação da criança ou do adolescente
· Bater com a mão ou com um objeto (vara, cinto, chicote, sapato, fios, etc.)
· Xingamentos, humilhações
· Castigos excessivos, recriminações, culpabilização
· Ameaças
· Uso da criança como intermediário de desqualificações mutuas entre os pais em processo de separação
· Responsabilidades excessivas para a idade
· Sacudir ou empurrar a criança
· Clima de violência entre os pais e de descarga emocional em cima da criança
· Obrigá-la a permanecer em posições incômodas ou indecorosas
· Obrigá-la a fazer exercícios físicos excessivos.
· Surras
· Chacoalhar a criança, etc.
Educar não é difícil, mas vai exigir de você paciência e amor. Costumo dizer que antes de qualquer casal decidir ter um filho, eles precisam decidir se estão dispostos a educar. Para isso vão precisar de algum tempo disponível, paciência, respeito e amor para com seus pequenos.

Não delegar a educação dos filhos a terceiros é um precioso passo para a educação de qualidade.

Decidi compartilhar algumas perguntas que frequentemente escuto e percebo que é comum para muitos pais.

“Não tenho autoridade com meus filhos. O que fazer para que eles me respeitem?”- Ser autoritário e ter autoridade sobre os filhos são coisas diferentes. Os pais autoritários geram filhos com medo, insegurança e ressentimento. Ao contrário, pais com autoridade a conquistaram com respeito e diálogo. As crianças aprendem a se relacionar com os adultos a partir da maneira como eles se relacionam com elas. Sabemos que a criança precisa de limites. A idéia não é remover os limites e a disciplina da educação e da criação dos filhos, mas utilizar formas de disciplina sem o uso da violência.

Meu filho está agressivo e não obedece. Já tentei fazer várias coisas e não quero bater. Como dar limites sem bater? O que faço?- Parto do princípio que todas as crianças devem crescer em um ambiente livre de violência e que o diálogo – mesmo com os muito pequenos – deve sempre prevalecer. Uma criança que apanha ou é humilhada vai aprender que os conflitos se resolvem desta maneira. A agressão e a desobediência são um reflexo de uma educação inadequada, e para corrigir um aprendizado equivocado, somente com muita calma e amor. Certamente a criança aprendeu a agredir por defesa e a não obedecer por não acreditar mais nos pais. O processo agora é de reconquista: converse com calma com o seu filho. Muitas vezes as crianças testam os nossos limites e o nosso amor. Se quando a criança grita ou tem um comportamento agressivo e os pais cedem ao que ele quer, ele vai aprender que gritando e caindo no chão ele consegue o que quer. Uma dica: sempre que for falar com eles sobre a atitude que está tendo, abaixe-se para ficar da altura dele e olhe nos olhos. Repita até que ela apreenda o comando que você está dando. Lembre-se que o tempo e a forma como as crianças entendem as coisas é bem diferente do nosso. A paciência é indispensável.

"Apanhei quando criança e sou uma boa pessoa, não aconteceu nada comigo". Porque não devo educar meus filhos da mesma maneira?- Essa pergunta é a mais comum de todas. Embora muitas pessoas acreditem que "não aconteceu nada", castigos deixam sentimentos de raiva, ressentimento, rancor, medo e frustração. Apesar de muitos pais acharem que “educar batendo deu certo”, acredito que “educar sem bater”, com diálogo, respeito e participação fortalece o relacionamento com seus filhos, cria respeito, confiança. Educar com violência acaba legitimando a idéia de que a melhor forma de resolver conflitos é através da violência. Posso quase afirmar que você não gostava nadinha de apanhar, não é mesmo?

Acredito que a forma de educar meus filhos é assunto de minha família. Porque uma questão privada deve ser discutida na “sociedade”?- O castigo físico é uma forma de violência social e viola o direito da proteção integral da criança e do adolescente. A Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada por 130 países, dentre eles o Brasil, recomenda expressamente que as punições corporais na família, na escola e nas instituições penais, sejam proibidas por todos os signatários. O que para muitos parece uma simples questão privada acaba tendo reflexos negativos para toda uma sociedade. Um exemplo é a questão da violência contra a mulher. Até algumas décadas atrás, a violência contra mulher também era considerada um ”problema privado”, e muitos países ainda consideram que a mulher é “propriedade” do homem. No entanto essa situação vem mudando, sendo que muitos países já possuem legislações exclusivas para o tema, e a mulher é progressivamente vista como sujeito de direitos nas mesmas condições que qualquer outro cidadão. Sendo as crianças indivíduos vulneráveis, garantir a sua integridade física e moral é dever de todos: da família, da comunidade e da sociedade. Absolutamente não é um assunto da sua família, é um assunto da sociedade!

Porque eliminar castigos físicos e humilhantes deve ser uma prioridade, quando existem violências mais severas, como o abuso sexual por exemplo?- Por serem amplamente aceitos, e, portanto também corriqueiros, os castigos físicos e humilhantes acabam sendo deixados em segundo plano na luta pela garantia dos direitos das crianças. Todavia, as razões acima são justamente as que fazem deste tema prioritário nessa luta. Trabalhar pela erradicação dos castigos físicos é uma forma de eliminar todas as formas de violência contra crianças, afirmar que existe um “limite” entre violência leve e grave é uma forma equivocada de abordagem, pois ignora a criança como um sujeito de direitos.
Finalmente, todas as formas de violência estão inter-relacionadas e devem ser combatidas igualmente, começando pelos nossos lares.

Abaixo um vídeo para reflexão.
Abraços,
Lila

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*Pedagogia Negra - termo usado pela psicóloga e escritora Alice Miller para definir uma educação desrespeitosa e com violência.
- Fonte que ajudou na postagem: Manual dos direitos da criança e do adolescente.