Há pouco tempo atrás falar abertamente sobre abuso sexual* de crianças e adolescentes era um verdadeiro tabu. A grande maioria dos casos era escondido por vergonha e medo. Hoje a realidade está um pouco diferente, mas os adultos, por motivos diversos, ainda preferem, manter o silêncio, fazendo de conta que nada está acontecendo, pois expor e enfrentar a situação de forma aberta e corajosa implica em mexer em uma ordem familiar estabelecida.
Por conta deste interminável sigilo, as crianças e os adolescentes tornam-se involuntariamente cúmplices de sua própria dor, sendo obrigadas a assumirem sozinhas as terríveis conseqüências físicas e psicológicas do abuso.
O abuso acontece sempre que a criança ou o adolescente estão sozinhos. Este terrível segredo é difícil de ser partilhado, pois tanto a criança quanto o adolescente teme a punição ou não acreditam na capacidade do adulto de protegê-los. Se não conseguem falar é porque não tem mais confiança no adulto. Outros, quando falam, são desacreditados e acusados de sedução. Para um vitima não há nada pior do que se abrir para algum que duvida dela.
R.C. Summit (1983) descreveu a síndrome de acomodação da criança e adolescente vítimas de abusos sexuais: “Se o diagnostico de abuso não foi feito, e se as pessoas não acreditam na criança ou no adolescente, os distúrbios são mais discretos e eles aprendem a aceitar a situação e sobreviver a ela, sob o risco de as conseqüências só se manifestarem mais tarde na forma de graves problemas de personalidade”.
As nossas crianças e os nossos adolescentes estão sequelados pelo excesso de abuso que sofrem e é o nosso dever ajudá-los. Romper com o silêncio e acreditar na vítima do abuso é um primeiro e importante passo.
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* A Organização Mundial de Saúde define o abuso sexual da seguinte maneira: “A exploração sexual de uma criança ou adolescente implica que esta seja vítima de um adulto ou de uma pessoa sensivelmente mais idosa do que ela com a finalidade de satisfação sexual desta. O crime pode assumir várias formas: ligações telefônicas obscenas, ofensa ao pudor e voyeurismo, imagens pornográficas, relações ou tentativas de relações sexuais, incesto ou prostituição de menores”.