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sábado, 11 de outubro de 2014

Você se lembra de como era ser uma criança?

"Temos sempre a mesma idade por dentro." Gertrude Stein
 
Muitas vezes acordamos já pensando no nosso dia que será cheio de obrigações e compromissos. Tanta coisa para fazer e tão pouco – ou nenhum tempo para diversão ou mesmo simplesmente, relaxar.
 
As memórias de tempos leves, alegres e divertidos estão ficando cada vez mais distantes. Lembranças de tempos em que estávamos totalmente presentes em tudo o que fazíamos. Onde a vida era o aqui e o agora.
 
Quando observamos com atenção uma criança brincando no parque, vemos que elas estão se movendo com uma energia positiva e desprovidas de medo ou controle. Isso acontece porque as crianças não tentam reprimir a energia delas. Elas não pensam: "Devo olhar para essa borboleta e quero saber para onde ela está indo? Devo correr atrás dela?” Não, elas não pensam, elas agem. Por não reprimir a energia e permitir que ela flua, as crianças estão constantemente em processo de descoberta e busca.
 
Infelizmente na medida em que crescemos vamos deixando para tras a leveza e descontração que tínhamos quando éramos crianças. Passamos a adotar uma postura e pensamentos rígidos, e incorporamos isso no nosso dia a dia, nas nossas relações, nas nossas regras de vida e na nossa maneira de ser, ver e viver nesse mundo.
 
Crescer e tornar-se um adulto não significa que devemos ser constantemente sérios, rigidamente disciplinados e exigentes. É claro que essas são qualidades necessárias em muitos momentos da vida adulta, mas em outros, é importante se permitir apenas ser leve, livre e naturalmente solto como uma criança.
 
Aproveitando que hoje é comemorado no Brasil, o dia das crianças, pare e pense por um momento sobre quando foi a última vez que você realmente se soltou, se permitiu e ousou algo novo. Pense na última vez em que você brincou e riu descontraidamente. Caso você não lembre como é estar assim, então observe por alguns minutos uma criança. Coloque-se no lugar dela e imagine-se com toda aquela energia, força e descontração.
 
Em geral as crianças tem uma leveza e alegria natural, e não se preocupam tanto com as coisas ao seu redor. Elas simplesmente vivem o momento com intensidade e alegria. É claro que existem exceções, e essas são para aquelas crianças sofridas ou que já vivenciaram momentos dificeis na vida. Dessas, a alegria foi substituida pela dor, preocupação e tristeza. Porém, a verdadeira essência infantil é leve, pura e feliz.
 
A vida adulta vai nos tirando pouco a pouco desse universo infantil; vai roubando as nossas memórias de leveza e descontração. Passamos a carregar uma tensão desnecessária, ansiedade extrema e estresse insuportável. Nos sentimos pesados, tristes e preocupados. Quando chegamos a esse ponto, é sinal de que precisamos resgatar a nossa parte criança que foi engolida pelo adulto.
 
Abaixo relaciono algumas coisas simples que podemos fazer e que podem ajudar a resgatar a criança que ainda vive dentro de cada um de nós.
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Fotos by Lila
 
 
Trazendo a sua criança interior para a sua vida
  • Suspenda temporariamente as suas crenças e sinta a experiência.
  • Permita-se! Faça algo que você, a muito tempo, sente vontade de fazer mas que vem adiando porque pensa que não tem mais idade para isso. Tente algo novo, seja o que for, simplesmente tente. Algo simples como andar por outra rua, ou mudar seu estilo de roupa, ou mesmo tentar um novo corte de cabelo.
  • Esteja aberto para novas ideias e para conhecer novas pessoas. As crianças naturalmente declaram: "Aqui estou mundo, me mostre o que você tem". Faça o mesmo!
  • Experimente mais e discuta menos. Crianças não ficam discutindo sobre o que fazer, elas simplesmente dizem "não seria divertido se nós ...".
  • Coloque o seu ego de lado. Você não é melhor do que ninguém, você é apenas diferente. Esse é o pensamento de toda criança, logo elas interagem com todos e com tudo.
  • Recupere a seu criatividade. Faça algo criativo, algo que você considere único. Seja pintar, montar um carro, jogar num estilo diferente ou ler um livro a partir do segundo capitulo. Se você reaprender como é ser uma criança, a sua criatividade vai naturalmente florescer.
Lembre que você ainda é uma criança, você apenas cresceu, ficou fisicamente diferente e adquiriu novas experiências; mas a leveza, a bondade, a alegria e descontração ainda moram dentro de você, então deixe tudo isso retornar ao lugar que pertence: na sua vida e no seu dia a dia.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O que os filhos realmente querem?

abraço
Eles pedem para a gente um monte de coisas, não? Iphone, iphod, roupas, sapatos, brinquedos e muito mais. Mas o que eles de fato querem é mais barato que videogame e mais saudável que sorvete. O que será?
 
Uma descoberta
 
Antes de tudo quero contar uma história sobre um médico que em 1945, durante o término da segunda guerra mundial ficou responsável por pesquisar a melhor maneira de cuidar das crianças órfãs da guerra. Ele viajou toda a Europa e visitou muitos tipos de lugares que cuidavam dessas crianças para ver qual obtinha maior sucesso nesse trabalho. Ele viu muitas situações extremas. Em alguns lugares ele viu campos hospitalares montados e os bebês colocados em berços de aço limpos e enfermarias higienizadas, sendo alimentados em horários regulares por enfermeiras uniformizadas. Em outro local mais afastado, ele viu um caminhão chegando com quase cinquenta bebês órfãos sendo deixados para os moradores da vila criarem. O médico suíço tinha uma maneira simples de comparar as diferentes formas de cuidado. Ele não tinha tempo de pesar, medir ou checar a coordenação motora deles, ele usava uma simples estatística: a taxa de mortalidade. Com as epidemias se alastrando na Europa naquela época, muitas pessoas e crianças estavam morrendo; porém as crianças da vila estavam se desenvolvendo melhor do que as dos hospitais.
 
A ciência comprovando o amor
 
O médico descobriu algo que há muito tempo as mães mais experientes já sabiam: as crianças precisam de amor para viver. As crianças dos hospitais tinham tudo menos afeto e estímulos, já as da vila tinham abraços, alegria, pessoas por perto, coisas para aprender e ver.
Naquela época os cientistas afirmaram pela primeira vez algo que hoje sabemos ser fundamental na vida de nossos filhos: “As crianças precisam de contato humano e afeto, e não apenas alimentos e higiene. Se não receberem esses ingredientes humanos, podem facilmente morrer.”
 
Além do contato físico
 
Os bebês adoram ser tocados e receber carinho, as crianças maiores passam a ser mais seletivas e os adolescentes começam a panfletar que não gostam, mas lá no fundo é só o que querem. Os adultos adoram, mas escolhem para quem dar e de quem receber. A verdade é que todo mundo gosta e precisa de afeto. O afeto tem muitas nuances, é uma delas é expressa por palavras. Quando dizemos eu "te amo" ou "você é especial" ou qualquer outra frase amorosa, estamos demonstrando nosso afeto num nível muito profundo.  Dar e receber afeto é importante pois todos nós precisamos ser reconhecidos, queridos, cuidados e amados.
 
Quem não gosta de receber um elogio sincero? Quem não gosta de ouvir palavras amigáveis e gentis? Quem não gosta de ter suas ideias ou opiniões ouvidas? As palavras podem construir ou destruir pessoas, então é necessário tomar cuidado com o que sai da nossa boca.
 
É importante que cuidemos das nossas crianças dando alimento, casa, educação e entretenimento, mas se só fizermos isso, elas vão sentir falta de alguma coisa. Elas tem necessidades psicológicas essenciais como: conversas, elogios, afeto, carinho e contato físico (abraços e beijos). Se isso for dado espontaneamente, com amor e cotidianamente, certamente teremos crianças mais saudáveis e felizes.