quarta-feira, 29 de maio de 2013

Adolescência e a necessidade de separação dos pais

 
 
Se você tem filhos adolescentes ou já esteve por algumas horas na companhia de um, você certamente está familiarizado com o “desdenhoso olhar” que eles costumam usar para expressar inquietação, incômodo ou desprezo pelo o que está sendo dito. Muitas vezes o referido olhar vem acompanhado de suspiros ou falas que deixam claro o incômodo da turma teen. Esse olhar é quase um equivalente ao bater de portas de forma dramática.
 
 
Rebelião adolescente

Adolescentes são gênios em fazer coisas que sabem que vão irritar você. Por exemplo, se você o está esperando para um calmo jantar em família, eles provavelmente vão fazer uma careta e reclamar da refeição. Se você tentar prever seu humor e agir em conformidade, eles vão mudar o humor. Se eles não concordam com o seu pedido, eles irão esquecer ou ignorar suas promessas.
 
Ao contrário do que muitos adultos pensam, adolescentes definitivamente não gostam de excessiva atenção, principamente quando esta é no sentido de censurar, avaliar ou criticar o que eles fazem. Tal como a excessiva atenção, os conselhos fazem parte do pacote que eles “odeiam”.
 
 
Necessidade de Sepação
 
Os pais precisam perceber que essa fase “rebelde” que os filhos passam nada mais é do que a imensa necessidade de demonstrar que já cresceram, que não são mais os bebês dependentes e sim seres auto-suficientes. É claro que nós pais sabemos que eles ainda precisam da nossa ajuda e apoio, mas eles não querem admitir isso, pois precisam se sentir capazes de encontrar seu caminho sem o constante direcionamento dos pais. Para a maioria dos adolescente, a nossa ajuda é percebida como uma interferência.
 
Eles procuram criar suas próprias regras e valores na tentativa de estabelecer a sua própria identidade. A tão conhecida “rebeldia adolescente”, seja na forma de estilos de roupas, censuráveis ​​cabelos, músicas, quartos desarrumados, ou mesmo o consumo de álcool e a prática da mentira, são tentativas de iniciar o processo de separação dos pais.
 
 
O que fazer?
 
Você pode estar se perguntando: “Então devo deixar meu filho ser um rebelde para ele conquistar a tão sonhada liberdade dos pais?” A minha resposta é não. A rebeldia se instala quando eles não vêem outra saída; quando eles percebem que as amarras que os pais colocam é tão forte que não os permite andar, e para tirá-las eles precisam “do grito”.
 
Já tive a oportunidade de escutar inúmeros adolescentes e posso afirmar que eles não são iguais. Ao contrário do que a grande maioria das pessoas panfletam sobre essa fase humana, a adolescência é uma fase linda e de grande importância na vida de um ser. O que nós precisamos aprender e entender, é que os nossos filhos estão crescendo e tendo a necessidade de fazer escolhas, correr riscos, conhecer o mundo pelos olhos deles.
 
O que nós precisamos aprender é a apoiar essa jornada dos nossos filhos, não controlá-los e super protegê-los. O mundo não deixará de ser perigoso se mantivermos nossos filhos sobre nossas asas; não temos o direito de tentar controlar a experiência que eles desejam ter e nem tão pouco deixar de permitir que explorem o mundo sobre a perspectiva deles.
 
Precisamos definitivamente aprender que os filhos não nos pertencem. Eles pertencem ao mundo e para ele precisam ir e explorar. É claro que amamos esses pequenos que esticaram e perderam as bochechas rosadas, mas nosso amor não pode ser uma prisão e sim um lugar seguro para que eles possam voltar ao sentirem a necessidade de recarregar as forças e de um abraço amoroso.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mantendo a autoridade e o respeito com os seus filhos

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O modo como tratamos nossas crianças poderá determinar como eles irão se relacionar conosco no futuro, com os próprios filhos e com as demais pessoas ao redor deles.
 
Para que boas relações sejam mantidas hoje e fortalecidas amanhã, precisamos educá-los com autoridade e respeito.
 
Se você está confuso ou não tem certeza de como fazer isso, abaixo coloco algumas dicas.
  • Fale calmamente em vez de gritar. Gritar é a total perda da autoridade.
  • Seja firme e nunca cruel. Use seu tom de voz para demonstrar firmeza. Nunca contato físico ou dedo em riste.
  • Tranquilize as crianças quando estiverem assustadas. Nunca ignore seus medos.
  • Seja tão educado com seus filhos quanto gostaria que eles fossem com você.
  • Não precisa ser insensivelmente crítico quando eles fazem algo que você não concorda. Trate o assunto com seriedade, mas com delicadeza.
  • Aceite que você não apenas ensina seus filhos, mas que aprende com eles.
  • Nunca corrija seus filhos em público. Isso é humilhante e ele não estará lhe escutando num momento desses e sim preocupado em se esconder de quem possa estar assistindo a cena.
  • Sempre que possível, respeite os desejos e escolhas que eles fazem. Isso ajuda na auto-confiança e auto-estima.
  • Valorize a opinião deles em qualquer conversa.
As crianças também são pessoas – o fato de serem menores e dependerem da gente, não nos dá o direito de fazermos ou dizermos o que bem entendemos.
 
Se você trata seus filhos com respeito agora, tenha certeza de que eles estão assimilando essa grande e valiosa lição.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

É permitido Errar

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Errar faz parte da vida e, como não poderia ser diferente, faz parte do processo de educar os nossos filhos. “Filho não vem com manual de instrução” diz o velho e conhecido dito popular. Exatamente por isso que é importante reconhecer que não vamos acertar sempre. Permitir que os erros se tornem aprendizados valiosos é dar a grande chance a si mesmo para acertar da proxima vez.
 
Mantenha os 3
 
Bom senso, tranquilidade e ser menos exigente consigo mesmo são três pequenos e valiosos ítens necessários na bagagem de todos os pais.
  • O bom senso nos permite fazer escolhas sensatas e adequadas para cada situação. Uma boa forma de exercitar o bom senso é nos colocarmos no lugar da criança. Pense como se você tivesse a idade que os seus filhos tem, isso ajuda a dar mais leveza para situações irritantes aos olhos dos adultos.
  • A tranquilidade que demonstramos ao lidarmos com nossos filhos em diversas situações, nos ajuda a transmitir à eles que é possível manter uma relação saudável e livre de inquietações; e o melhor de tudo é que permite com que nossos filhos se sintam mais seguros.
  • Exigir menos de si mesmo. Não se permitir errar é naufragar diante das falhas. Quando não estamos preparados para nos permitir errar, não ajudamos aos nossos filhos a lidar com os erros deles. Acredite, qualquer “falha” que você cometa é possível ser corrigida.
 
Educar é estar se relacionando
 
É importante que tenhamos em mente que educação é relacionamento e relacionamento é uma experiência sempre nova e completamente cheia de variáveis.
 
Algumas vezes não estamos num bom dia para nos relacionarmos seja lá com quem for, e isso pode dificultar a nossa capacidade de avaliarmos bem uma determinada situação. Se isso acontecer o mundo não vai acabar. Reconheça o erro e repare a situação lá na frente. Diga algo como: ”Filho, me enganei e peço desculpas. Vamos tentar fazer isso novamente?”
 
Ajudar um filho a reparar um erro é algo que poucos pais fazem. Quando você reconhece seu erro e mostra aos seus filhos que está tentando consertá-los, você está dando uma grande e positiva lição de como eles podem lidar construtivamente com os erros deles.
 
Se você durante muito tempo agiu de uma determinada maneira e, ao longo dos anos foi mudando de idéia ou opinião, fique atento para não tornar isso maior do que na verdade é. Não há nada de mais em dizer aos seus filhos: “ Até agora eu pensei e agi dessa maneira, mas vejo que isso não estava muito certo e quero mudar”.
 
Lembre-se que os erros não precisam ser penalizados e sim apenas reparados.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Como perdoar a si mesmo

Forgive
     A culpa é uma das piores cargas emocionais que podemos carregar ao longo da vida. Ela pode ser destrutiva se não for digerida rapidamente e da melhor maneira possivel.
   
    Ao longo do meu trabalho como psicóloga, pude observar como a culpa tende a ser uma destruidora de sonhos; uma verdadeira amarra que nos prende e, quando se atreve a nos soltar para respirarmos um pouco, nos deixa andando em círculos.
 
    Você sente que machucou alguém? Você está carregando culpa, vergonha ou constrangimento por isso? Bem, penso que seja a hora de deixar ir essa bagagem emocional. É hora de curar. E a melhor maneira de fazer isso e trazer a paz interior é perdoar a si mesmo.
 
      Perdão é uma palavra forte eu sei, porém prefiro usá-la nesse texto pois sei que ela é a perfeira e extrema parceira da culpa.
 
     Talvez você se sinta tão culpado que não consegue nem pensar na misericórdia de perdoar a si mesmo. Eu sei, eu entendo isso. Mas se você mudar de idéia e decidir dar uma nova chance a si mesmo, te convido a ler algumas pequenas dicas que me atrevo a escrever.
 
     Não são receitas mágicas, apenas estou compartilhando alguns pequenos aprendizados que a vida generosamente me presenteou, ao me permitir conviver com pessoas que me ensinaram isso. À todas elas a minha gratidão.
 
RECONHECER o que aconteceu. Ok, você “estragou tudo”. Ninguém é perfeito. Entenda por que você fez o que fez. Aprenda com a experiência para que você não cometa o mesmo “erro” novamente.
 
ACEITAR a responsabilidade. Responsabilidade aqui significa a capacidade de responder diante do que aconteceu. Observe como você reage ao que aconteceu. Você pede desculpas? Tenta compensar a pessoa com algo ou alguma coisa? Ok. Faça o que é construtivo e razoável para resolver a situação.
 
PEDIR PERDÃO. Caso sinta a necessidade não hesite em pedir perdão à pessoa que você magoou. Ela pode ou não perdoar você, porém independente disso, buscar o perdão é um passo para curar as feridas emocionais.
 
PERDOE-SE. Se alguém te perdoar ou não não anula o mais importante de tudo: você deve perdoar a si mesmo. Não seja tão exigente consigo. A vida é uma caixa de surpresas e ninguém sabe o que vai acontecer no minuto seguinte. Então porque nos exigimos acertar sempre?
 
TOMAR CONSCIÊNCIA que você não é a única pessoa que errou na vida. Todos nós cometemos, estamos cometendo ou ainda vamos cometer erros ao longo da vida e vamos nos sentir culpados por isso. Você não está só nesse barco.
 
SEGUIR EM FRENTE. O que está feito está feito. Você tem como voltar no tempo e fazer diferente? Acredito que não, certo? Então só te resta seguir em frente. Ficar parado remoendo a culpa só vai lhe trazer prejuizos emocionais.
 
SE PERMITIR acertar da próxima vez. Digo isso porque em geral a pessoa culpada sente que merece ser punida e isso é uma bola de neve que traz pelo caminho não só a auto punição, mas a auto-sabotagem e a auto-destruição. Tudo isso vem com um pensamento frequente: “Eu não mereço ser feliz, pois fiz alguém sofrer”.
 
Então, será que dá para tentar começar a perdoar a si mesmo? Espero que sim!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Melhore a comunicação com seus filhos adolescentes

 
A comunicação com o adolescente é extremamente importante, mas muitas das mudanças típicas que ocorrem durante a adolescência tendem a interferir com a eficácia e a qualidade da interação entre eles e seus pais. Embora os adultos tenham muito mais experiência de vida do que o adolescente, esses geralmente não aceitam ou não acreditam no fato. Por esse motivo, o conselho, a sabedoria, e as orientações dos pais deixam de ser valorizados.
 
Fale apenas para estar conversando
 
Uma meta importante para melhorar a comunicação com os adolescentes é: apenas falar com eles, sem tentar fazer outra coisa do que falar. Na hora de uma conversa leve e descontraída, não há espaço para sermões.
Grande parte da interação verbal que temos com os jovens é projetado para obter um ponto de vista ou para ensinar algo. Tentamos mudar a atitude deles, assim como tendemos a dizer o que eles estão fazendo de errado e mais, já ensinamos o suposto caminho certo. Convencer passa a ser a nossa meta numa conversa, mostrando a importância de determinadas atividades. Em outras palavras, quando falamos com eles, estamos tentando realizar algo mais do que uma conversa simples e agradável, estamos tentando ensiná-los algo que eles não estão nos pedindo no momento.
Quando queremos conselhos nós pedimos, certo? Com os adolescentes funciona do mesmo jeito. Se eles não pedem para você, irão pedir para outra pessoa.
 
A semente do diálogo deve ser plantada na infância
 
Se você deseja ter um adolescente que converse mais com você, comece a desenvolver o diálogo com ele desde a infância. Se você não conversou com seus filhos quando eram pequenos, o que lhe faz pensar que os mesmos irão fazê-lo justamente na adolescência?
 
Não transforme uma conversa numa palestra
 
Alguns adolescentes relatam que quando falam com seus pais sobre várias coisas, a conversa geralmente termina em palestras ou pregações: "Quando eu estou falando com eles é só para ter uma conversa, eles usam o que eu digo, quer para me mostrar seus pontos de vista, para me ensinar algo ou para explicar certas coisas."
 
Conversando com um adolescente de 16 anos, ele me contou que que tentou falar com a mãe sobre seu amigo que foi trabalhar num restaurante fast-food e que por isso ele havia deixado a escola. O adolescente estava tentando falar sobre como estava triste por perder o amigo na escola e a mãe não perdeu a chance de aconselhar, mas perdeu a chance de escutar e aproximar-se do filho. Quando os adolescentes tentam conversar com seus pais e recebem esse tipo de resposta, a comunicação com eles vai desaparecer.
 
Seja Positivo
 
Imagine que você tem um chefe ou colega que está constantemente criticando seu desempenho na empresa. O que você faria? Evitaria essa pessoa ou a convidaria para almoçar todos os dias? Para os adolescentes ter pais “palestrantes ou julgadores” de valores é uma chatice. Eles vão evitar ao máximo qualquer interação verbal e física. Mas não pensem que essa é uma atitude exclusiva dos adolescentes; todos nós tendemos a evitar situações que produzem sensações negativas. Portanto, se a maioria de sua interação com o adolescente é negativa, ele vai tentar evitá-lo.
 
Pense nas últimas dez conversas que você teve com seus filhos adolescentes. Será que a maioria delas envolveu algum tipo de correção ou discussão que enfatizou o que eles estavam fazendo de errado? ou foi uma conversa agradável, dando espaço para expressão de sentimentos, sem a necessidade de dar a sua experiente e valorosa opinião? Caso a resposta tenha sido a segunda, parabéns você está sendo um bom ouvinte de seus filhos adolescentes. Caso tenha sido a segunda, está na hora de começar a pensar em mudar algumas atitudes. Afinal ter filhos que confiam em você, que conversam e se sentem seguros é uma conquista da relação e não uma tarefa a ser cumprida ou obrigação a ser aceita.
 
Lembre-se que na medida em que os filhos vão crescendo, eles vão se libertando das nossas amarras e, lá na frente a única coisa que vai “prendê-los” a nós será a relação construída quando eles ainda viviam “embaixo das nossas asas”.