segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A morte para as crianças

Crianças na fase pré-escolar acreditam na morte como algo temporário e que pode mudar, como nos desenhos animados. Entre os cinco e nove anos, a percepção muda e começa a ser de um evento irreversível. Somente entre nove e dez anos a morte passa a ser percebida como uma interrupção das atividades do corpo. No entanto, quando essa pergunta surge: O que é morrer? Os adultos tremem em pé e não sabem muito bem o que dizer aos pequenos. Tentam desculpas esfarrapadas e no final não respondem nada. As crianças? Continuam a questionar. E mais: lançam perguntas profundas sobre o ser humano, a vida e a morte. Precisamos estar bem preparados para darmos respostas satisfatórias. Até mesmo porque hoje em dia elas não se sentem satisfeitas com qualquer resposta. Elas querem saber mais e mais... A cegonha? Tudo bem, elas podem até aceitar esse argumento, mas querem saber onde elas pegam o bebê, quem os fez, como entram e saem da barriga da mamãe e quem escolhe se vai ser menino ou menina? Falar sobre a morte é tão simples, mas pode tornar-se tão complexo quanto falar do nascimento.
Ao contrário do que muitos adultos pensam, a criança entende sim sobre a morte e o morrer. Tentar omitir ou negar a existência da morte para uma criança é como excluí-la da experiência familiar e social. Elas vão questionar sem angustia, e com a maior naturalidade, até mesmo porque elas têm a necessidade de respostas verdadeiras e para elas tudo é muito natural, pelo menos até que nós adultos provemos ao contrário. Ter o cuidado de respeitar o tempo de compreensão e o desenvolvimento intelectual de cada criança é algo fundamental.

Quando algum membro da família morre, surge a dúvida: o que e como dizer às crianças? Esconder? Nem pensar! Até mesmo porque elas são sensíveis e irão perceber que o clima familiar está diferente. Se ela não sabe o motivo, pode pensar que é por ela e se sentirá confusa e desamparada. Dizer a verdade é sempre o melhor caminho. E temos muitas maneiras para dizermos a mesma coisa. Dizer que a pessoa foi viajar ou dormiu, pode criar a expectativa de que ela voltará e não ajudará nem um pouco a criança a elaborar o seu luto. É importante ficar atento ao luto mal elaborado de uma criança. Os sintomas são semelhantes aos de um adulto: ansiedade persistente, medo de outras perdas, medo de morrer, culpa persistente, hiperatividade, compulsões, euforia e depressão.

Muitos pais evitam falar sobre a morte para seus filhos, pois temem que sofram, mas esquecem que o sofrimento faz parte da vida e do aprendizado de estar vivo. Elas podem sofrer sim com a notícia e provavelmente irão fazer muitas perguntas. Seja sincero, sensível e acima de tudo respeite qualquer manifestação emocional da criança, que pode ir do choro ao silêncio. De qualquer maneira, a reação da criança ao luto, está relacionada a forma como os pais e ou familiares abordarão o assunto e como se sentirão diante da perda.

Ir ou não ao enterro? Crianças pequenas demais podem ser poupadas desse momento, principalmente se ela estiver confusa ou assustada. Em geral, não obrigue a criança a ir ao velório e enterro. Ela tem a sua própria maneira de se despedir e futuramente poderá escolher outra. Caso ela deseje participar das cerimônias, informe-a do que ela vai ver por lá. Deixe-a livre para perguntar o que quiser e ficar pelo tempo desejado.

Qualquer dúvida sobre o tema entre em contato por e-mail.
Abraços,
Lila

sábado, 10 de outubro de 2009

Crianças precisam de liberdade para errar

Por Suzane G. Frutuoso
Fonte: Revista Isto É, 07/10/2009.

No dia em que o filósofo escocês Carl Honoré, 41 anos, foi chamado na escola do filho Benjamin, hoje com 10 anos, e ouviu da professora de artes que o menino desenhava muito bem, ele se encheu de orgulho e sonhou alto. Saiu de lá e foi fazer uma pesquisa na internet sobre escolas de educação artística. Já imaginava: "Estarei criando o próximo Picasso?" Mas, ao indagar o menino sobre o curso, levou um balde de água fria. "Não quero ir para uma aula na qual o professor vai me dizer o que fazer. Só quero desenhar", disse Benjamin, com firmeza. "Por que os adultos têm que tomar conta de tudo?" Honoré percebeu quanto estava sendo um pai ansioso querendo dominar a felicidade simples do filho e transformá-la em realização. Ele entendeu também que não estava sozinho. Foi quando deu início às pesquisas do livro "Sob Pressão" (Ed. Record), recém- lançado no Brasil. "A ideia era retomar minha autoconfiança como pai e ajudar outros da mesma maneira", diz Honoré, que também é pai de Susannah, 7 anos. Uma das principais vozes do movimento slow (por uma vida mais tranquila), o filósofo foi criado no Canadá e hoje mora em Londres. Ele domina o português porque morou no Brasil em 1988 e 1990 para trabalhar com meninos em situação de risco.

ISTOÉ - Qual o problema de pais que, como o sr., tentam desde cedo lapidar a vocação infantil?
Honoré - Não há nada errado em encorajar o talento de um filho. Pelo contrário. É uma das principais responsabilidades dos pais identificar suas paixões e ajudá-los a desenvolvê-las. Mas existe uma grande diferença entre incentivar um talento e colocar a criança sob pressão, numa corrida obsessiva mirando o topo. A infância serve para descobrirmos quem somos e no que somos bons gradualmente, sem ninguém decidindo por nós. Deveria ser um tempo de experimentação em uma série de atividades diferentes. Focar logo cedo em algo leva ao perigo de se fechar para outras opções. Você limita os horizontes da criança no momento em que ela deveria estar aberta para um mundo de possibilidades. Uma criança não é um projeto que você pode modular. Ela é uma pessoa que precisa de permissão para ser protagonista de sua própria vida.

ISTOÉ - Mas a sociedade acredita que talento bom é talento precoce, certo?
Honoré - Talento precoce não é garantia de futuro brilhante. Crianças mudam conforme crescem, especialmente na adolescência. O menino que dribla espetacularmente os amigos, como o jogador Robinho fazia aos 6 anos, pode ser um atleta medíocre aos 13. Crianças precisam de espaço e liberdade para cometer erros, fazer más escolhas, ficar em segundo lugar no pódio. É assim que elas aprendem a trabalhar seus pontos fortes e descobrirão no que são boas. Claro que há casos de crianças prodígio que treinam com afinco seus talentos naturais e alcançam benefícios - na música, por exemplo. Mas é importante lembrar que é uma minoria. Nossa cultura exige perfeccionismo. Isso torna difícil para nós, pais, segurar expectativas e ajudar nossos filhos a desenvolver todo potencial que têm sem cair na fantasia de que eles podem ser os próximos Pelé, Paulo Coelho ou Caetano Veloso.

ISTOÉ - Como a pressão, com atividades que em tese melhorariam o desempenho no futuro, pode ser prejudicial?
Honoré - É possível acabar para sempre com o desejo dela por algo de que goste. Acelerando o processo de aprendizado, frequentemente não se aprende tão bem. Uma professora de música de Londres me contou sobre uma menina que começou a estudar violino aos 3 anos. Ela saltou à frente de seus pares. Mas aos 6 a técnica dela era tão distorcida que precisou passar meses reaprendendo o básico. As outras crianças que ela tinha ultrapassado acabaram deixando-a para trás.

ISTOÉ - Quais são os problemas do mundo contemporâneo que já afligem as crianças?
Honoré - Estamos em um momento único da história da infância na qual somos pressionados a oferecer uma infância "perfeita" aos nossos filhos. Uma série de tendências convergiu ao mesmo tempo para produzir uma cultura da perfeição. A globalização trouxe mais competição e incertezas sobre o mercado de trabalho, o que nos deixa mais ansiosos em preparar os filhos para a vida adulta. A cultura do consumo alcançou a apoteose nos últimos anos. O próximo passo é criar uma cultura de expectativas elevadas: dentes, cabelos, corpo, férias, casa, tudo deve ter perfeição. E crianças perfeitas fazem parte desse retrato. É uma cultura do tudo ou nada. Ou você é uma celebridade ou você é um ninguém. É rico ou pobre. É feliz ou depressivo. Parece que perdemos todas as nuances entre os extremos. Não toleramos coisas medianas ou boas o suficiente.

ISTOÉ - Por que isso acontece?
Honoré - Porque os pais dessa geração perderam a autoconfiança. O que nos torna iscas fáceis de empresas que criam produtos desnecessários para cuidar de crianças. Ao mesmo tempo, a sociedade é profundamente impaciente. Queremos tudo agora. E achamos complicado recuar e deixar as coisas acontecerem. Sou pai e sei como é confuso criar uma criança nos dias de hoje. O foco do livro não é demonizar os pais. É nos fazer menos culpados e inseguros em relação aos nossos filhos.

ISTOÉ - Como, então, incentivar o talento das crianças de modo saudável?
Honoré - Primeiro, não pressionando os muito pequenos. No esporte, há um número recorde de crianças com lesões graves, como rompimento dos ligamentos, porque estão treinando como profissionais. Quando crescem, deixam o esporte de lado por perderem o prazer de praticá-lo devido à competição que viveram muito jovens. Para medir a paixão de um filho por algo é necessário observar, ouvir e ler os sinais dele. Se nunca fala sobre uma atividade que pratica pode ser sinal de que não está completamente engajado naquilo. Se dorme no carro a caminho da atividade ou tem olheiras, provavelmente está sendo exigido demais. Se você tem de brigar para que um filho se dedique ao que faz, talvez seja hora de parar. A resistência contínua é sinal de que a atividade não é a ideal para a criança. Ou não é o momento certo. Também é crucial não deixá-la preocupada em relação ao desempenho. Encoraje-a a se dedicar constantemente, mas sem pressa. O pai do golfista Tiger Woods permitiu que ele fosse adiante num ritmo comedido. Sua política era fazer Tiger se desenvolver em seu próprio ritmo, nada além disso. E olhe como funcionou!

ISTOÉ - Existem paralelos entre crianças com excesso de atividades extracurriculares e crianças exploradas em trabalhos infantis?
Honoré - Talvez existam. Em ambos os casos, elas são prejudicadas ao serem impedidas de viver uma infância apropriada. O tempo delas não lhes pertence realmente. Criadas assim serão menos criativas. Estão tão preocupadas em agradar aos adultos e fazer tudo certo que não aprendem a pensar por si sós e a olhar para dentro de si mesmas. Sofrem com stress. Como têm cada minuto organizado e supervisionado por adultos, mais tarde descobrirão que é difícil viver por conta própria. Nunca amadurecerão. Há pouco tempo, soube do caso de um professor que pediu a um rapaz de 19 anos que desligasse o celular em aula e ouviu: "Por que você não resolve isso com a minha mãe?" Há pais que estão indo a entrevistas de trabalho com os filhos negociar salários e benefícios.

ISTOÉ - Parece que os pais de hoje sofrem justamente por terem inúmeras possibilidades e não saberem o que é melhor. Eles estão apavorados?
Honoré - Muito. Eles têm um mundo de conselhos, alertas e opções - e ficam sem saber o que fazer. E quando não sabemos o que fazer acabamos fazendo o que todo mundo está fazendo. Pais confiantes são resistentes ao pânico e à pressão, conseguindo assim encontrar o caminho para educar seus filhos. Não existe fórmula mágica para educar. Cada criança é única, assim como cada família. O segredo é encontrar a fórmula que funciona melhor para você e seu filho.

ISTOÉ - Há no Brasil pais escolhendo a escola dos filhos de 5, 6 anos conforme um ranking daquelas cujo ensino garante o ingresso nas melhores universidades. Eles estão certos?
Honoré - É o mesmo fenômeno aqui na Inglaterra. Eles querem que o filho entre numa boa universidade. O problema é o sistema para chegar lá. As melhores escolas são tão obcecadas em alcançar as maiores pontuações nos exames de avaliação que a educação sofre falhas. Há colégios hoje que são como fábricas com uma linha de produção. É uma escolha difícil para os pais. Não se pode esperar que sacrifiquem o futuro de seus filhos. Então, acredito que seja a única coisa que esses pais podem fazer nas atuais circunstâncias. Mas há outro ponto a ser lembrado. Criar um mundo perfeito para seu filho, no qual tudo é gerado de acordo com as necessidades dele, em que as emoções dele sempre vêm primeiro, não é uma preparação razoável para a vida adulta. Não é assim que o mundo real funciona. Nem todos aqueles que vão para as melhores escolas particulares e mais renomadas universidades são mais felizes, saudáveis e bem-sucedidos.

ISTOÉ - O que é fundamental na educação de uma criança?
Honoré - Elas precisam de tempo e espaço para explorar seu próprio mundo. Precisam de amor e atenção. Devem ter permissão para se arriscar. Há um movimento na Inglaterra contra festas de aniversário esbanjadoras. Muitos pais estão limitando os presentes que os filhos recebem ou até os proibindo. Estão reaprendendo a dizer não. Investimos tempo, dinheiro e energia num currículo matador para nossos filhos, mas tendemos a vacilar na disciplina. Do mesmo modo, crianças precisam dizer não para nós às vezes. Vejo uma mudança se aproximando. Pelo mundo, escolas estão revendo a obsessão por exames e evitando o excesso de atividades acadêmicas para que os alunos tenham tempo de relaxar, refletir e aprender coisas sozinhos.
"Uma escola escocesa eliminou a lição de casa dos 3 aos 13 anos. Em um ano, as notas em matemática e ciências melhoraram 20%

ISTOÉ - Há outros exemplos?
Honoré - Sim. Para que os jovens voltem a se interessar por esportes, as ligas esportivas estão reprimindo o abuso de pais que enfatizam a importância de ganhar a qualquer custo. Recentemente, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) reformulou o formulário de matrículas com ênfase num número menor de atividades extracurriculares que os alunos considerassem importantes para a futura carreira e optassem por assuntos que lhes despertassem paixão. Até mesmo Harvard está revendo o excesso de atividades, como mostra uma carta da direção encaminhada aos novos alunos.

"Você pode equilibrar melhor sua vida se participar de algumas atividades por puro divertimento, mais do que daquelas que imagina que serão um diferencial para conseguir emprego. As relações humanas que você construir com seus colegas pode ter uma influência maior em sua vida futura do que o número de cursos que você fará." O título: "Vá devagar: absorvendo mais de Harvard e fazendo menos."

sábado, 26 de setembro de 2009

Surras diminuem o Q.I. de crianças

Fonte: Pesquisa da New Scientist - Reportagem da Folha OnLine - Caderno: Ciência & Saúde

Uma surra pode deixar uma marca na criança que é pior do que o desenho vermelho das mãos. Palmadas e outras punições corporais atrasam a inteligência infantil, segundo demonstra um novo estudo.
O Q.I. (quociente de inteligência) de crianças entre 2 e 4 anos que receberam palmadas regulares de seus pais caiu mais de cinco pontos no decorrer de quatro anos, comparado com o de crianças que não levaram palmadas.
O Quoeficiente de Inteligência apresenta queda de 5.5 pontos com palmadas. Vale ressaltar que o estímulo intelectual é mais importante, diz estudo. "O lado prático disso é que os pediatras e psicólogos precisam começar a dizer: " Não batam, sob qualquer circunstância!", diz Murray Straus ( sociólogo da Universidade de New Hampshire, em Durham) que capitaneou o estudo juntamente a Mallie Paschall (do Centro de Pesquisa e Prevenção em Berkeley, na Califórnia)

Sem desculpas
Essas não são as primeiras evidências de que bater em crianças traz um custo. Tomografias do cérebro de crianças severamente castigadas, descobriram que receber surra baixa o desempenho cerebral. No entanto, os novos pesquisadores fazem uma ligação mais forte no relacionamento de causa e efeito entre surras e inteligência.
Elizabeth Gershoff, pesquisadora de desenvolvimento infantil da Universidade do Texas, examinou crianças no decorrer de quatro anos, além de calcular muitas variáveis passíveis de confusão, como a etnia dos pais, educação e se eles faziam leituras para as crianças ou não.

Straus e Paschall analisaram dados coletados nos anos 1980 como parte de uma pesquisa nacional de saúde infantil. Em 1986, um estudo anterior mensurou o Q.I. de 1.510 crianças com idade entre 2 e 9 anos, e também observou a frequência em que suas mães as submetiam a punições corporais. Os pesquisadores repetiram os testes quatro anos depois. Os pesquisadores separaram as crianças em dois grupos de idade --2 a 4 anos e 5 a 9-- porque alguns psicólogos infantis afirmam que surras ocasionais são aceitáveis em crianças mais novas, mas não em crianças mais velhas. (Eu não concordo com esta parte)

Abaixo às palmadas
As projeções revelaram que 93% das mães bateram em crianças entre 2 a 4 anos ao menos uma vez por semana, e que 58% recorreram à disciplina física com crianças mais velhas. Quase metade das mães das crianças mais novas bateram em seus filhos três ou mais vezes por semana, apontaram Straus e Paschall.

Quatro anos depois, as crianças mais novas que jamais apanharam de suas mães tiveram um ganho de 5.5 pontos de Q.I., se comparadas com crianças que sofreram punições corporais, enquanto os mais velhos que não apanharam ganharam 2 pontos de Q.I. em relação aos que não apanharam. Estes resultados põem em dúvida a prática de surra apenas nas crianças mais novas, diz Straus. "Uma das ironias mais cruéis é que as crianças novas são mais propensas a risco porque seus cérebros têm partes de desenvolvimento ainda em formação". (Esta parte eu concordo!)

Apesar da conclusão dos cientistas, a palmada não é uma garantia de mediocridade intelectual. Nas crianças mais novas, o atributo que fez mais diferença para a pontuação do Q.I. era se as mães estimulavam ou não a capacidade cognitiva. Isto era mais importante do que qualquer outra coisa, incluindo o castigo corporal.
"Digamos que você tem uma criança que tem pais educados, que apoiam e dão estimulação cognitiva, mas que batem: estas crianças vão ficar bem de qualquer modo, poderiam ficar melhores caso não apanhassem", afirma Strauss.
Entretanto, ele tem pouca paciência com o argumento de que a surra complementa aquilo que a disciplina não cobre. "A pesquisa simplesmente não mostra isso", diz ele. "Bater não funciona melhor com crianças pequenas".

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Educação nos dias atuais...

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável: "Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?".
Certo dia eu escutei uma história de arrepiar os cabelos. Decidi compartilhar com vocês, pois tenho certeza de que já ouviram algo parecido. Ela é um bom exemplo sobre como podemos estar educando mal os nossos filhos e no caminho da destruição (deles, de nós mesmos e do planeta).
Estava em um consultório médico para uma consulta de rotina. É um médico que frequento a muito tempo e sempre conversamos. Começamos a conversar sobre educação dos filhos. O doutor me contou um evento que ocorreu com ele e seu filho há alguns anos atrás: O filho e alguns amigos estavam cometendo pequenos furtos nas lojas vizinhas ao colégio, pegos, foram levados à diretoria do colégio que prontamente decidiu chamar os pais para uma conversa e orientação. Neste encontro, o caso ocorrido foi relatado e para a surpresa de alguns e a certeza de outros, alguns (a maioria) dos pais sentiram-se indignados com a escola por terem sido chamados, tirados de seus locais de trabalho, onde são muito ocupados para uma conversa tola e inútil. Perguntaram à diretora: "Qual é o problema? é pagar o que eles pegaram? se for isso deixe que eu pago o prejuízo, para mim dinheiro não é problema..." Muitos pais compartilharam da indignação e postura desses pais e tiveram a mesma atitude, com exceção do referido médico, que disse que iria conversar seriamente com o filho e tomar providencias para que isso nunca mais ocorresse. Todos foram embora para suas vidas ocupadas, quase ninguém fez nada a não ser o doutor, que conversando com a esposa, decidiram afastar o filho do colégio (e dos amigos); tiveram uma conversa nada agradável e lembraram ao filho quais eram os valores daquela família. Relutante o filho adolescente brigou com o pai, odiou a mãe, fez uma confusão daquelas, mas seus pais certos do que deveriam fazer, mantiveram a decisão. "Foi uma decisão difícil, abalou a relação familiar, mas era o que tinha que ser feito" (disse o médico). Alguns anos após o evento, lá está o filho assistindo um programa local na TV, quando ouve e vê a notícia de contrabandistas e usuários de drogas sendo presos, ele reconhece os ex-amigos da adolescência e chama o pai para ver aquilo. O pai pergunta: "Você lembra o que aconteceu entre você e esses rapazes? porque saiu do colégio? O filho disse que não lembrava e o pai contou toda a história... o filho em lágrimas agradeceu ao pai e lhe disse: "Espero que eu seja para os meus filhos o mesmo que o senhor foi para um mim".
Uma criança que aprende sobre respeito, consideração, honra e honestidade dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive... O papel da escola é passar o conhecimento, e não a educação, esta é dever dos pais.
Abraços,
Lila

domingo, 6 de setembro de 2009

Nova Lei amplia o conceito de estupro e aumenta as penas

A nova Lei 12.015, que passou a valer a partir de 07 de agosto deste ano e promoveu alterações no Código Penal. A nova lei considera a prática de atos libidinosos como um crime hediondo. Gestos que causem constrangimento, como carícias forçadas, poderão ser enquadrados como estupro e o acusado, em caso de condenação pela Justiça, pode ser punido com uma severa pena que, agora, varia de seis a dez anos de reclusão. Na lei anterior, essa pena oscilava entre três a oito anos para quem "constrangesse mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça".
Para as autoridades que lidam com a violência, e outros operadores do Direito, o endurecimento da lei é um contundente passo para uma punição mais rigorosa dos estupradores. Contudo, asseguram que, o mais importante, foi a ampliação do raio de ação da nova legislação. Na concepção da lei anterior, somente as mulheres sofriam o crime de estupro. Hoje, a legislação fala de "alguém", portanto, os homens também estão enquadrados nesta condição. "Foi realmente um importante avanço. Pela lei anterior, um criminoso que estuprasse um homem respondia por crime de atentado violento ao pudor e, apesar de ser um crime gravíssimo, a pena prevista era menor que a aplicada no caso de um roubo”. Explica a advogada criminalista cearense, Erbênia Rodrigues. O raciocínio da advogada tem realmente fundamento na lei que, até então, era aplicada no caso de um uma pessoa do sexo masculino ter sido violentada sexualmente. O autor seria enquadrado no artigo 214 do Código Penal Brasileiro (atentado violento ao pudor), com pena de dois a sete anos. Se este mesmo criminoso assaltasse a vítima, roubando-lhe, por exemplo, uma simples caneta ou um celular, seria enquadrado no artigo 157 do CPB, com punição de quatro a dez anos de cadeia. Agora, o caso de violência sexual será considerado um estupro.

Aplicação
Na prática, a nova legislação já começou a produzir os seus efeitos. O mais recente - e notório - caso envolve o famoso médico Roger Abdelmassih, até então, considerado um dos maiores especialistas brasileiros em tratamento de reprodução humana assistida.
Com base em uma longa investigação policial iniciada em 2008, e concluída recentemente, o Ministério Público de São Paulo - representado por quatro promotores que compõem o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado/Gaeco - denunciou Abdelmassih, por nada menos, que 56 estupros contra suas próprias pacientes, isto é, mulheres que tentavam engravidar artificialmente. Pela legislação anterior, seriam 53 atentados violento ao pudor (atos libidinosos) e três estupros (conjunção carnal). A mudança aconteceu porque a denúncia foi apresentada já com base na nova lei (12.015), sancionada no dia 7 último.
"Certamente, a mudança na lei representou um avanço. A nova redação termina por fazer a lei alcançar outras condutas que, antes, eram observadas no Código Penal como diferentes da prática do estupro. Mas, a mudança ainda vai gerar muita discussão, principalmente em relação aos casos em que os processos já estavam em tramitação antes da mudança, explica o promotor de Justiça Domingos Sávio Amorim, representante do Ministério Público Estadual junto à Nova Vara Criminal de Fortaleza.

Mudanças
A nova lei prevê também duas situações agravantes, alcançadas por dois parágrafos. O primeiro, "se da conduta (estupro) resulta em lesão corporal de natureza grave, ou se a vítima é menor de 18 anos e maior de 14, a pena de reclusão pode variar de oito a 12 anos de reclusão. O segundo parágrafo prevê que, "se da conduta resulta morte", a pena aumenta, vai de 12 a 30 anos de reclusão.
Mais dois capítulos fazem parte da nova lei, o que trata "dos crimes sexuais contra vulnerável (alguém menor de 14 anos)", e o de "lenocínio e do tráfico de pessoa para fim de prostituição ou outra forma de exploração sexual".
No geral, a lei 12.015 alterou o Código Penal Brasileiro (no seu Título VI), gerou modificações no artigo primeiro da lei 8.072/90 (a dos crimes hediondos) e, ainda, revogou a lei de número 2.252, de julho de 1954, que tratava do crime de corrupção de menores.
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Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Texto escrito por Fernando Ribeiro - Editor da Polícia 

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aprenda a tratar bem os seus filhos

 As crianças possuem algo de mágico. Elas são capazes de transformar qualquer coisa em arte, beleza e amor. A espontaneidade é surpreendente e a sinceridade que permeiam as suas ações, mais ainda. Para mim, todas são merecedoras de muito carinho e amor. Mas porque os pais nem sempre tratam bem os seus filhos?
Pare por um momento e observe os pais com seus filhos. Sempre faço isso e vejo cada cena de arrepiar. Certo dia em um shopping da cidade, vi um pai aos berros com uma menina de no máximo cinco anos. Ela queria continuar brincando e estava chorando contrariada por ter que ir embora; a mãe que segurava o braço da menina, quase a arrastava pelos corredores em direção ao elevador, o pai com o dedo em riste e com uma postura corporal que até eu ficaria amedrontada, tentava dar "lições" à filha de como ela deveria se comportar e ressaltava a sua desobediência e teimosa. Que irônico! A menina assustada colocou as mãos nos ouvidos para não ouvir as "doces" palavras vindas dos pais e recusava-se a entrar no elevador com os dois.

O que acontece então com os pais? Eles não amam os seus filhos? Ou não aprenderam a amar direito? Particularmente gosto de uma psicoterapeuta e escritora suíça chamada Alice Miller que escreve sobre abusos sofridos na infância. Sobre esse assunto, ela diz: "Qualquer pessoa que maltrata os filhos foi ela mesma gravemente traumatizada na infância... não há outro motivo para os maus-tratos às crianças senão a repressão das lembranças dos maus-tratos e da confusão sofrida pelo próprio agressor". Então, como um adulto maltratado na infância pode superar as experiências dolorosas e conseguir dar a seus filhos mais amor do que ele mesmo recebeu? Será que essas crianças, ao se tornarem adultas, estão fadadas a reproduzir um ciclo interminável de raiva, agressão e retaliação? Ou existem meios de se interromper esse ciclo e aprender maneiras empáticas e sensíveis de tratar bem os seus pequenos? A boa notícia é que embora os pais que ferem tenham sido eles mesmos feridos na infância, a perpetuação desse modelo não é inevitável. Algumas crianças que foram maltratadas crescem determinadas a dar a seus próprios filhos a infância que não tiveram.

Uma coisa é certa: apenas a vontade de cuidar bem de seus filhos não é suficiente. É preciso antes de tudo se cuidar; saber onde e quais são as suas feridas infantis. Após a tomada de consciência, o segundo passo nessa direção é o adulto aprender a se relacionar com os filhos de um modo diferente, que talvez ele raramente ou nunca tenha presenciado em sua própria infância. Aprender a tratar os filhos com dignidade e respeito é um aprendizado!

O Dr. Elliot Barker, Diretor da Sociedade Canadense para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças, recomenda quatro medidas fundamentais para os futuros pais e mães criarem filhos emocionalmente saudáveis, independentemente de quão inadequada tenha sido a sua própria criação.

1) Um bom nascimento: se o pai e a mãe estiverem presentes ao nascimento e essa experiência for boa, é mais provável que os pais se apaixonem por seu bebê. O trabalho duro de cuidar do filho vai parecer bem mais leve, pois os pais estarão encantados com a maravilha que é o seu bebê. A paixão começa ou se renova aí!

2) Amamentar no peito por um período prolongado: A amamentação mantém apaixonada a mãe pelo filho. Amamentar durante meses ou anos contribui para que a relação entre eles sobreviva a tempos difíceis, que de outro modo poderiam causar separação e distanciamento emocional.

3) Períodos mínimos de separação e qualidade no modo de tratar a criança: De acordo com o pediatra William Sears, só os pais estão perfeitamente sintonizados com as necessidades da sua criança. Afastar-se em momentos difíceis priva a criança de seu apoio mais valioso e também priva você de uma oportunidade de fortalecer sua amizade. Os bebês aprendem a suportar suas necessidades insatisfeitas, mas ao custo de um rebaixamento da auto-estima e da capacidade de confiar.

4) Planejar o espaçamento de nascimento entre os filhos: cuidar bem de uma criança de menos de três anos exige de pais bem intencionados uma quantidade enorme de tempo e energia. Planejar o espaçamento entre os filhos é importante para os pais não se exaurirem tentando cumprir a tarefa dificílima de atender às necessidades emocionais de filhos com pouca diferença de idade.

Essas quatro medidas atingem profundamente toda a família. Não só estabelecem a capacidade de amor e confiança do filho como também ajudam os pais a curar as feridas da sua própria infância. Criando um forte vínculo de amor e confiança entre pais e filhos, essas medidas podem deter o ciclo de maus-tratos em uma geração.

Crianças cuidadas com amor, carinho e respeito crescem com a convicção profunda de que é errado ferir outro ser humano. É o desenvolvimento da empatia!

Viver em um ambiente de honestidade, respeito e afeição torna praticamente impossível qualquer pessoa vir a ter impulsos de judiar de alguém mais fraco, pois ela aprendeu desde muito cedo que é correto e bom proteger e ajudar todos os seres. Esse é um aprendizado que ficará gravado em sua mente e em seu corpo e valerá pelo resto de sua vida.

Infelizmente muitos pais ignoram essas quatro medidas fundamentais. Pais agressores, que nunca receberam eles mesmos amor e confiança incondicionais, podem ter dificuldade em encontrar um modo diferente de se relacionar com os próprios filhos. O quê se pode fazer por essas famílias? Muitos estudiosos e cuidadores que se empenham na causa infantil, acreditam que mudanças na legislação poderiam obrigar os pais a "resolver o seu passado" se a lei não permitisse mais que as crianças fossem usadas como bodes expiatórios. Na Escandinávia as leis protegem as crianças dos maus tratos, não só agressão física e abuso sexual, mas também surras e intimidação. Essas leis não implicam em penalidades; elas têm como objetivo despertar a consciência das pessoas para as necessidades e direitos legítimos das crianças.

É comprovado que o ciclo dos maus-tratos pode ser interrompido com o tratamento amoroso das crianças. Faço um pedido àqueles profissionais que atendem a famílias, aos pais e a todos que tenham acesso a crianças abusadas, que enfatizem as quatro medidas de empatia entre pais e filhos, pois enquanto não temos uma mudança na legislação brasileira em prol das crianças, é o mínimo que podemos fazer por elas.

Felizmente a capacidade de amar e confiar, uma vez incutida na criança, passa de geração em geração tão facilmente quanto passam a desconfiança e a crueldade. As feridas cicatrizam e não precisam ser reproduzidas, desde que não sejam ignoradas. É perfeitamente possível estar aberto para a mensagem que nossos filhos nos passam e que pode nos ajudar a nunca mais destruir a vida e sim protegê-la e permitir que ela floresça.

Abraços,
Lila

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Cuidado! Seu filho pode ser vítima de Bullying


Muito provavelmente você já foi alvo de bullying quando era pré-adolescente ou adolescente. Sabe aquele colega chato que não te deixava em paz, mexia nas suas coisas, fazia piada a seu respeito e lhe colocava apelidos depreciativos? pois é, aquele coleguinha era um praticante de bullying.

Bullying é um tipo de comportamento que sempre existiu, e que recentemente foi batizado com este nome. Não existe uma tradução precisa para o português, mas refere-se a todo tipo de comportamento agressivo que ocorre sem nenhuma razão aparente e se caracteriza pelas atitudes agressivas intencionais e recorrentes praticadas por crianças e adolescentes. Esse tipo de comportamento causa nas pessoas que são seu alvo, humilhação, dor, angústia e raiva.

O Bullying começou a ser pesquisado cerca de dez anos atrás na Europa, quando se descobriu o que estava por trás de muitas tentativas de suicídio entre adolescentes. Segundo a Abrapia (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Criança e ao Adolescente)o bullying não está restrito ao tipo de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.

Com a internet, o Bullying ganha espaço também nas comunidades virtuais aumentando ainda mais o transtorno das vítimas, já que no ambiente virtual os autores da agressão podem manter suas identidades no anonimato.

A prática do Bullying é mais comum entre os meninos, o que não quer dizer que não ocorra entre as meninas. Neste caso, geralmente envolve ações de exclusão e difamação.

"Tudo começa com ofensas, palavras, que nos magoam, até que tudo ultrapassa os limites, daí batem, agridem, roubam, excluem, chegam até a nos ameaçar em casa"(relato de uma vítima de BULLYNG)

O bullying é definido em três termos:

1) O comportamento é agressivo e negativo;
2) O comportamento é executado repetidamente;
3) O comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

As ações que costumam estar presentes nessas práticas são: colocar apelidos, ofender, humilhar, discriminar, excluir, intimidar, perseguir, assediar, amedrontar, agredir, bater, roubar ou quebrar pertences, entre outras formas.

"A prática do bullying é uma forma de abuso psicológico, físico e social. É um problema mundial que infelizmente está ganhando campo nas escolas" (Abrapia)

Os sintomas e comportamentos que geralmente aparecem quando uma criança ou adolescente está sendo vítima de Bullying são: depressão, ansiedade, estresse, dores não-especificadas, perda da auto-estima, problemas de relacionamento, abuso de drogas e até suicídio.

Quando o bullying é praticado no ambiente escolar e não há intervenção, todos os alunos são afetados negativamente. Por isso as escolas e as famílias precisam se capacitar para aprender a diagnosticar os sintomas de bullying porque quanto mais cedo houver tratamento, maior a chance de ajudar a vítima e o praticante.

Bem, a primeira dificuldade que os pais e as escolas enfrentam é a de identificar se seu filho/aluno está sendo alvo deste tipo de comportamento, pois a criança ou adolescente que se sente ameaçado, reluta para falar a respeito. Então, fique atento aos seguintes sinais:

Seu filho...
- Demonstra falta de vontade de ir à escola;
- Sente-se mal perto da hora de sair de casa;
- Pede para trocar de escola;
- Pede sempre para ser levado à escola;
- Muda frequentemente o trajeto entre a casa e a escola;
- Apresenta baixo rendimento escolar;
- Volta da escola, repetidamente, com roupas e materiais rasgados;
- Chega muitas vezes em casa com machucados sem explicação convincente;
- Parece angustiado, ansioso e deprimido;
- Tem pesadelos constantes com pedidos de “socorro” ou “me deixa”;
- “Perde” repetidas vezes, seus pertences e dinheiro.

E se o seu filho for um autor de Bullying? O que fazer?

Em primeiro lugar, é preciso conversar. Saiba que ele está precisando de ajuda! Não tente ignorar a situação, mas mantenha a calma. Controlar sua própria agressividade é imprescindível. Mostre que você sabe o que está acontecendo, e procure entendê-lo. Demonstre que o ama, porém deixe claro que você não aprova esse comportamento. Enfatize que isso é errado e que não deve ser repetido. Procure saber o porquê ele está agindo assim. Garanta a ele que você vai ajudá-lo. Estabeleça limites firmes e o encoraje-o a pedir desculpas a quem possa ter agredido,seja pessoalmente ou por carta. Destaque coisas positivas para melhorar a sua auto-estima e procure criar situações em que ele possa se sair bem, elogiando-o sempre quando isso ocorrer.E finalmente, mas não por último, entre em contato com a escola, converse com professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo.
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Fonte: ABRAPIA

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Abuso e constrangimento de criança na TV

Já é do conhecimento de muitos que praticar violência contra uma criança é crime, mas poucos levam a sério o assunto. Existe uma legislação específica para proteger crianças e adolescentes: Art. 18. "É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor" - Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990. Ela determina punições e no Brasil é caso de polícia. Por isso, não deixe de denunciar!
As crianças e adolescentes vem sendo desrespeitados e abusados de maneiras diversas. São desconsiderados os seus sentimentos e, em alguns casos, são usados para risos e brincadeiras. O vídeo abaixo e um bom exemplo de abuso e insensibilidade. Nele o apresentador Silvio Santos, humilhou a infância de Maísa, sua funcionária de apenas sete anos, que deixou o palco em prantos e gritos. Todos riram e não demonstram nenhum respeito para com a menina. O resultado disso? foi aberto um processo administrativo para apurar se o SBT abusou moralmente de sua apresentadora Maísa. O processo está sendo conduzido pelo ministério das comunicações e avaliará dois programas veiculados pela emissora em maio. Vamos aguarda o resultado da apuração e espero sinceramente que o Conselho Tutelar não permita que esse episódio passe em branco.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Campanha: Proteja as nossas crianças

A dor, o abuso e o abandono sofridos quando criança, deixam marcas para sempre.

Fonte: Vodpod vídeos

terça-feira, 14 de julho de 2009

4 Passos para protejer seus filhos do abuso sexual.

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Quando a família adoece.


Viver em um contexto familiar é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. É na família que vamos aprender nossos primeiros conceitos sobre a vida, relacionamentos, educação, etc. Estes conceitos podem ser positivos ou negativos, o que os determina é a estrutura familiar em que estamos vivendo. Famílias saudáveis (onde existe amor, respeito e cuidado entre seus membros) geram aprendizados positivos. Famílias doentes (onde existe desrespeito, maus tratos e abuso entre seus membros) geram aprendizados negativos.

O principio familiar positivo parece fácil de seguir, mas na prática a teoria é outra - diz o dito popular. O dia a dia nos rouba esse conceito tão romântico sobre família, pois vivemos em um contexto onde estamos sempre pensando no amanhã, muitas vezes é como se o dia de hoje não existisse, o momento atual não fosse importante. Almoçamos pensando no que iremos fazer após o almoço, vamos ao cinema e já temos planos para o momento seguinte, trabalhamos hoje pensando no mês que vem e assim por diante. De fato nunca dedicamos tempo real para cuidar de nós e dos que amamos.

A vida é tomada por diversas atividades que muitas vezes não conseguimos cumprir. Estamos sempre querendo mais e mais coisas materiais e nos enchemos de objetivos fúteis e esquecemos que a simplicidade é o caminho da serenidade. O que acontece é que não conseguimos ser serenos, conseguimos ser ansiosos, preocupados com o futuro e desconectados do nosso presente. Deixamos de viver o aqui e agora para viver o amanhã e podemos não perceber, mas passamos esse comportamento adiante para os nossos filhos.

Esquecemos de olhar para nós mesmos, de nos cuidar, de parar e perceber o que nos incomoda. Esquecemos de nos perguntar o que realmente nos faz felizes. Se estivermos infelizes, como podemos gerar felicidade ao nosso redor? Se estivermos ansiosos demais, como podemos promover a tranqüilidade, o bom senso e a quietude para os que estão conosco?

Preocupamos-nos com dinheiro, tecnologia, carreira, sucesso e menos com as relações, principalmente a relação com a nossa família. Podemos até argumentar: Ora, mas eu trabalho para dar um conforto aos meus familiares, uma melhor educação aos meus filhos. Só que cuidar e educar vai além do material. Qualidade de vida está nas boas relações e não nas boas aquisições.

Cada vez mais as crianças e adolescentes estão desenvolvendo doenças ditas de adultos, como: depressão, ansiedade, estresse, síndrome do pânico, etc. É claro que tendemos a nos perguntar: O que está acontecendo com os nossos filhos? O que acontece com as crianças e jovens da atualidade? Bem, existe uma realidade a nossa volta. O mundo está mais acelerado, a cada dia deixamos de nos contentar com o pouco, até mesmo porque o desenvolvimento está indo além do que conseguimos acompanhar e muitas vezes nos sentimos ficando para trás e precisamos correr. Mas correr para quê? Esta é uma boa pergunta para fazer. Por que temos tanta pressa? Por que precisamos estar sempre em movimento e ocupados? Por que sentar e brincar com os nossos filhos, assistir a um filme com quem amamos ou mesmo jogar conversa fora é considerado perda de tempo pela maioria? As coisas simples da vida estão perdendo o seu valor e nos perdemos na complexidade. Com isso, nós e nossa família adoecemos, sofremos e geramos sofrimento.

Não é raro escutar de crianças e adolescentes o quanto sentem falta dos pais, de como queriam que eles tivessem mais tempo e de como desejam pais mais tranqüilos e equilibrados.

Certo dia, escutei um relato emocionado de uma adolescente sobre seus pais: “Eu quase não os vejo. Quando acordo para ir ao colégio, eles ainda estão dormindo, volto para almoçar e eles já almoçaram e estão dando um cochilo, à tarde vou para o curso e eles já estão no trabalho, à noite voltam muito tarde e estão cansados demais para ficarmos juntos e é assim dia após dia. Acho que nem estamos mais acostumados a ficar juntos, pois quando raramente isso acontecesse, sempre brigamos...” Creio que essa família se perdeu em meio a tantas coisas para fazer e tão pouco tempo entre eles. O resultado disso pode ser bombástico: pais cansados, estressados, ansiosos, deprimidos e filhos revoltados, tristes, desamparados e ansiosos por um acolhimento.

Um estudo recente sobre o impacto dos transtornos ansiosos dos adultos na vida dos seus filhos mostra a importância de um olhar atento aos membros mais novos da família. A pesquisa mostra que filhos de adultos ansiosos, têm uma probabilidade maior de sofrer também de ansiedade.
É urgente pararmos e pensarmos na vida que vivemos. Por isso, lanço uma proposta para reflexões constantes: A sua vida está do jeito que você gostaria que estivesse? As suas relações estão satisfatórias e saudáveis? Se hoje fosse o seu último dia de vida, como você gostaria que ele fosse? Esta última é pesada eu sei, mas é necessária, até mesmo porque vivemos acreditando que temos a eternidade e por isso estamos sempre pensando no futuro e deixando de viver e aproveitar o presente. Lembre-se: A vida é feita de momentos, um depois do outro. Nenhum se repete, todos são únicos, por isso aproveite bem cada um deles. Torne-se saudável!

domingo, 5 de julho de 2009

Quando os filhos mandam nos pais


Você já assistiu ao filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate?”. Nele encontramos alguns perfis infantis interessantes: O garoto guloso, a garota extremamente competitiva, que não suporta a ideia de perder; o garoto hacker que se julga mais esperto que a maioria; o garoto pobre de ótima formação moral e a menina rica, mimada e mandona. Bem, é para esta última que eu quero chamar a atenção. Ela é um ótimo exemplo de filhos que mandam nos pais: sem limites, cheios de vontade, indisciplinados, desrespeitosos e egoístas.

Tem uma cena ótima no filme, onde esta criança quer algo é diz com voz imperativa ao pai: “Pai, eu quero isso agora!”, o pai por sua vez, já nervoso pela impaciência da filha, imediatamente vai realizar o desejo dela.

Podemos nos perguntar: Como uma criança pequena, fofinha e ingénua se torna um tirano? A receita é simples: - Realize todos os seus desejos, - Não ensine o respeito ao próximo, - Deixe que ela pense que o mundo gira ao seu redor, - Faça tudo no lugar dela e por ela, - Diga sempre sim, - A sua palavra (dos pais) é a última que conta, dentre outras coisinhas mais...

As crianças que mandam nos pais, geralmente são um reflexo de um modelo familiar onde os pais giram em volta dos filhos. Não falo de pais amáveis, carinhosos ou dedicados, falos dos pais que não sabem diferenciar amor de educação. Como diz o titulo do livro do Pedagogo Içami Tiba: “Quem ama, educa!” Essa é uma verdade no contexto da educação de filhos - sem educação, o amor torna-se destrutivo na vida de uma criança.

Muitos pais não conseguem estabelecer limites saudáveis para seus filhos, pois são frutos de uma educação marcada pela austeridade e pelo autoritarismo. Pensam que se permitirem tudo aos filhos, estarão estabelecendo uma relação afetuosa. Mas esquecem de uma coisa, que a permissividade, a incapacidade para dizer não ou os sentimentos de culpa associados a não definição de limites, são tão ou mais nocivos do que o autoritarismo, pois uma criança que cresce sem limites não tolera a espera, é incapaz de adiar a satisfação, não gosta de se sentir frustrada e não entende porque as coisas não estão funcionando como desejam. É muito provável que estas crianças tenham implicações severas para a sua socialização. Mesmo porque outros adultos e crianças com quem conviverá a partir do momento em que estiverem na escola, não estarão a altura das suas expectativas ou dos padrões a que está habituada. Por exemplo: Em casa, o pai é capaz de não assistir ao seu jornal predileto, porque o filho quer que ele brinque de futebol pela 100.ª vez.

A dificuldade em dizer não e estabelecer limites, muitas vezes estão diretamente relacionados ao sentimento de culpa. Pais que passam o dia todo fora para trabalhar, sentem dificuldade em dizer não às vontades dos filhos. Com isso, os desejos das crianças transformam-se facilmente em leis a que os adultos da casa se submetem praticamente sem contestar.
Então o que devemos fazer é dizer sempre não aos nossos filhos para que eles não se tornem mandões? – É claro que não! O bom senso, com muito amor, paciência, dedicação e uma pitada de disciplina é a receita do sucesso.

É nosso dever educar. É nossa obrigação estabelecer limites saudáveis. É nossa função instruir nossos filhos em um caminho de integridade e humanidade. E a melhor maneira de conseguirmos isso é sendo um modelo a seguir. Caso você diga ao seu filho para não mentir, e, ao tocar o telefone você é o primeiro a dizer: “se for para mim, diga que não estou”, tudo irá por água abaixo...

Espero ter ajudado em algo.
Um abraço,
Lila

domingo, 28 de junho de 2009

Quando separar-se é necessário...


Adoro a minha profissão de Psicóloga, pois ela me proporciona conhecer pessoas, histórias, sonhos e realizações. Ser parte da vida dessas pessoas é para mim, algo muito especial. Sou diariamente tomada por um profundo respeito, carinho e admiração pelos que eu atendo. O texto abaixo foi escrito por uma mulher muito especial, que busca incansavelmente encontrar a si mesma. Tenho o grande privilégio de compartilhar da sua vida como terapeuta e de presenciar o seu crescimento dia após dia. Com profunda autenticidade ela escreveu o texto para ser postado neste Blog. Seu desejo é de dividir com outras pessoas a sua rica experiência.
"Caro Leitor,

Quero compartilhar com você a minha experiência de vida: Quando eu era bem pequena fiz uma promessa, que por alguns anos ficou “esquecida”, mas que agora começa a ser cumprida...Certo dia prometi pra mim mesma que seria feliz. Sei que pode parecer estranho esse tipo de promessa, porque ser feliz é algo inerente às pessoas, é algo tão básico e normal de se querer, que o fato de se prometer algo como isso soa, no mínimo, estranho. Mas para alguém que nunca soube o significado dessa palavra é a grande conquista de uma vida toda.
Cresci numa família desestruturado, com um pai alcoolista e bastante violento. Eu não conseguia compreender o porquê de tanta crueldade, não entendia como alguém que deveria amar e cuidar de sua família nos fazia passar por todo tipo de violência física e emocional. A única coisa que eu entendia claramente era a profunda tristeza que eu via nos olhos da minha mãe, eram olhos sem brilho, infelizes de uma profunda apatia. Foi vendo a tristeza naqueles olhos que eu tanto amava que prometi pra mim mesma que eu seria feliz, que buscaria o amor e a verdade pra minha vida.
Duas décadas mais tarde estava eu me olhando no espelho, quando, de repente, vi refletido aquele mesmo olhar que eu via ao olhar para minha mãe. Comecei a me perguntar o que havia acontecido com a minha promessa de ser feliz. Onde foram parar os meus sonhos? E as coisas que eu acreditava?Estava então casada. Meu marido era um bom homem, uma pessoa honesta, tranquila, dedicado à nossa família. Tínhamos uma casa modesta e confortável. Tínhamos também nossos empregos, ou seja; uma vida tranquila. Em tese eu tinha tudo pra ser uma pessoa feliz e realizada. No entanto, não era. Carregava na alma uma tristeza profunda.
Por muitas e muitas noites, durante anos, deitava a cabeça no travesseiro à noite e as lágrimas desciam sem que eu pudesse controlá-las, chorava baixinho pra que meu marido não percebesse, levava as mãos à boca para abafar um grito que poderia sair a qualquer momento. Durante àquele choro silencioso a pergunta se repetia: O que é que eu fiz da minha vida? O que havia acontecido com minha promessa? O que mais me fazia sofrer era não amar o meu marido. Na realidade nunca o amei. Nos dois primeiros anos do nosso casamento cheguei a me enganar imaginando que o amor viria com a convivência, que eu conseguiria ser feliz mesmo vivendo um relacionamento sem paixão.
Imagino que você, deve estar se perguntando como eu me casei mesmo sem amor, sem paixão. Na realidade acredito que a principal razão foi porque aquele homem me trazia muita tranquilidade. Ele me deu um lar calmo (bem diferente do que vivi quando criança). Eu tentava me conformar e ser grata pela vida que eu tinha. No entanto, quanto mais eu tentava, maior era o meu sofrimento e maior a certeza de que eu não conseguiria.
Em meio a esses e outros conflitos comecei a fazer terapia. Já se vão cinco anos desde o primeiro atendimento. Aqueles encontros eram para mim como um alívio, um lugar seguro onde eu podia dizer absolutamente tudo o que sentia. Muitas vezes quando eu ia me aproximando da clínica já começava a chorar. As lágrimas desciam sem que eu pudesse contê-las e quando sentava na frente da minha terapeuta não falava uma só palavra, apenas chorava copiosamente. Aquelas lágrimas aliviavam o meu espírito, me deixava mais forte pra seguir o meu caminho. Durante as sessões eu sempre falava que queria ser livre. Queria poder ser feliz de verdade, fazer minhas próprias escolhas de forma consciente e verdadeira. Não queria estar num casamento apenas para dar satisfação ao mundo, ou porque meu marido era um homem bom. Queria liberdade pra poder cumprir a minha promessa.
Na terapia “descobri” que para mim, a tão sonhada felicidade estava intimamente ligada ao fato de poder fazer minhas próprias escolhas, a ser livre para aprender e viver todas as experiências que a vida pode me proporcionar.
Imagino que você deve estar se perguntando se por acaso eu estava com um revólver na cabeça sendo obrigada a dizer sim perante o juiz, afinal, fui eu mesma, por livre e espontânea vontade, que escolhi o noivo, a data do casório e todos os móveis da casa. É, fui eu que fiz tudo, ninguém me forçou a absolutamente nada. No entanto, hoje percebo que eu não estava de fato fazendo escolhas, estava apenas brincado do “jogo do contente”.Qual de nós já não leu ou conhece aquele famigerado livro chamado Poliana? Há décadas este é o livro que algumas mães dão às filhas para ler quando estão entrando na adolescência (como uma espécie de ritual de iniciação à vida adulta). Pois bem, o joguinho era muito simples, consistia apenas em parecer ser feliz diante das situações mais adversas. Perceber que por pior que seja a situação sempre há algo de bom. Foi exatamente isso que fiz comigo, eu não estava casando com que eu amava, mas pelo menos podia agradecer por ter um companheiro, uma casa tranquila... Não tinha paixão naquela relação, mas tinha segurança, alguém pra me apoiar quando precisasse. É impressionante como não apenas eu, mas muitas pessoas brincam do jogo do contente e nem se dão conta. Sou capaz de apostar que você está brincando dele agora. Vamos testar? Imagino que você deve detestar seu trabalho, que todos os dias de manhã quando acorda é acometida de um desânimo enorme. E aí qual é seu primeiro pensamento? Bom, pelo menos eu tenho um trabalho. Imagino que você deve estar noiva, namorando, ou enrolada com alguém; não importa. Você já se perguntou se ama de verdade esse alguém, ou será que está brincando do tal joguinho, dizendo para si mesma: “Não morro de amores, mas ao menos não estou no grupo das encalhadas”. Eh! Minha cara. É por essas e outras, que detesto aquele manual de fazer Amélias chamado Poliana. Durante os nossos encontros minha terapeuta me deu outro livrinho pra ler chamado “Complexo de Cinderela”. Já li muitas coisas nessa vida, mas nunca, jamais, li algo que me trouxesse tanta lucidez. Esse livro fala da dependência emocional das mulheres com relação aos homens. Por mais que nós mulheres, tenhamos nos tornado referência no mercado de trabalho, quer sejamos sinônimo de competência e competitividade. Que, apesar de atualmente a maioria dos lares serem sustentados por mulheres, por mais que tenhamos conquistado nosso espaço de igual para igual com os homens, no que diz respeito ao lado emocional nós somos absolutamente dependentes. Não vou fazer maiores comentários sobre o livro por receio de ser simplista demais levando em consideração a inteligência e maestria da escritora. O que de fato pretendo dizer é que apesar de eu saber onde estava a raiz do meu sofrimento, apesar de ter condições financeiras para me separar, ainda assim, eu não conseguia fazer absolutamente nada.
Fiquei durante cinco anos chorando diante da terapeuta dizendo que não conseguiria que não seria capaz, que não tinha forças para recomeçar a vida do jeito que eu queria. Sabe o que certa vez ela me falou? “Se você não tomar as rédeas da sua vida ninguém mais o fará”. A partir daquele momento tudo ficou claro pra mim. O que estava acontecendo é que eu estava há anos chorando a espera de alguém, de um príncipe encantado que me viesse “salvar” da minha vida sem cor e sem brilho. Entendi que o que me deixava na mais absoluta inércia era o que o livro tão sabiamente chamava de dependência emocional. Percebi que, ou eu fazia algo pra mudar minha realidade, ou ficaria durante muitos anos chorando sem que nada mudasse.
Não me pergunte como, mas a verdade é que após muitas noites insones, muitas lágrimas e anos de terapia, um belo dia resolvi que era chegada à hora de cumprir a promessa de ser feliz, de buscar a verdade pra minha vida, de ser totalmente independente (inclusive emocionalmente). Separei-me e posso garantir a você que não foi um processo fácil, muito pelo contrário, apesar de viver numa relação falida foi muito difícil reconhecer que de fato eu sempre estive só e sair de casa era apenas a concretização de algo que eu já vivia.
O dia da minha saída foi terrível. Quando comecei a desarrumar minhas coisas e colocá-las em caixas um medo enorme começou a tomar conta de mim. A pressão que eu sofria por parte da minha família e alguns amigos para não pôr fim à relação começou a me sufocar. Minha mãe que na noite anterior havia dormido na minha casa, pela manhã tomou o seu café e foi embora, não me ajudou, não me perguntou como eu me sentia e nem me desejou boa sorte, simplesmente foi embora. Meu único irmão que mora na cidade e que havia prometido me ajudar com os móveis durante a mudança na hora marcada, não me ligou, não me ajudou, não apareceu... Naquele momento eu me senti absolutamente abandonada, fragilizada e só. Não demorou muito e as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Eram lágrimas de decepção.
Apesar de tudo eu tinha uma certeza: Não iria desistir, sabia que a dor fazia parte do processo que eu estava passando. Tentava me focar na certeza de estar tomando a melhor decisão.Eu ficaria horas falando a respeito de tudo que passei e senti durante os primeiros dias após a minha separação. Os primeiros dias são complicados, a cada dia o aprendizado é intenso. Mas o importante é dizer que estou realmente feliz e realizada. Moro sozinha, meus parentes vivem longe, sou eu que pago as minhas contas. Estou reaprendendo a fazer amigos e posso garantir que nunca fui tão feliz em toda minha vida, a sensação de independência emocional é maravilhosa. A separação é recente, estou descobrindo como é ser feliz comigo mesma, sem esperar que os outros me faça feliz e cada dia desse aprendizado me surpreende em constatar que diferentemente do que eu imaginava, longe de me sentir solitária e fragilizada, cada dia vivido desde minha separação tem sido dias cheios de paz, plenitude e felicidade em saber que dei o primeiro passo em busca da felicidade".

A estética ideal pode ser uma armadilha.

“Disse alguém que a verdadeira elegância não é sequer notada. Não andemos tão longe. Mas é necessário convir que não é pela atenção que se chama que se pode avaliar elegância. De fato, muitas mulheres crêem que, quanto mais jóias, mais bela ficarão. Não saber parar de se enfeitar é como não saber parar de comer. Só que, na elegância, a indigestão é dos olhos.Não use roupas que a incomodam. Por mais belas que sejam, ao fim de algum tempo, prejudicarão a graça dos gestos, a naturalidade, dando um ar “endomingado” a quem as use. Quem pode sorrir espontaneamente quando a cinta está tão apertada que quase tira o folêgo?De que adianta estar com um vestido bonito, se você ficar puxando a saia ou endireitando a gola ou acertando o cinto ou alisando as pregas, ou, ou, ou, etc. Um dos melhores modos de usar bem um vestido é, depois de vesti-lo, esquecer-se dele. A mulher usa roupas que lhe assentam. Mas deve também adaptar-se às roupas que usa. Por exemplo: que acha de uma jovem em vestido de noite, caminhando com passadas de quem está jogando tênis? Ou que pensa você de uma criatura vestida com saia e blusa a atravessar uma rua como se arrastasse uma longa cauda de vestido?”
A verdadeira elegância - Clarice Lispector

A beleza e a estética feminina, assuntos eternos. Historicamente a mulher pôde ser vista de diversas formas. Na Grécia Antiga a concepção de beleza incluía o exterior do indivíduo, como suas qualidades internas. Isto acontecia, em parte, porque a beleza incluía o fato de estar em boa forma física. Sabe-se que valorizavam a magreza, odiando a obesidade e para isso, após os banquetes, usavam a prática bulímica do vômito induzido, para não engordarem, uma prática legítima e socialmente aceita. Na Idade Média, a mulher era mais corpulenta, pois a gordura era considera erótica e sedutora. Já a mulher no século XIX passa a existir em dois tipos físicos: a primeira caracteriza-se por ser delicada, frágil e bela; a segunda, pesada e sensual, detentora de bustos mais fartos, quadris mais largos e pernas grossas. No século XX, a mulher se despiu, estava mais a vista para ser avaliada. Estar despida e ser avaliada trouxe um problema. A solução? Cobrir o corpo de cremes, vitaminas, silicones, plásticas e colágenos. A pele tonificada, alisada, limpa de manchas é a nova vestimenta. Começa a era do culto do corpo, fonte inesgotável de ansiedade e de frustração.

Diferentemente das nossas avós, hoje, não nos preocupamos mais em salvar as nossas almas e sim os nossos corpos. Mas salvar do quê? Da rejeição social. O tormento não é mais o “fogo do inferno”, mas a balança e o espelho.

A mídia e os meios de comunicação nos “ajudam” na nossa neurose. Temos padrões ocidentais cruéis de moda, beleza, estética, e cada vez mais meninas e mulheres insatisfeitas com o seu corpo. Colocamo-nos a serviço de nossos próprios corpos, nos tornamos subordinadas da mídia, dos cartazes da rua e das revistas.

Atualmente, vivemos um momento de grande insatisfação no que diz respeito ao nosso corpo. Submetemos-nos a cirurgias desnecessárias, e mesmo assim acabamos infelizes, pois alcançarmos os padrões pré-estabelecidos da beleza torna-se uma meta impossível. Perdemos de foco a nossa identidade, personalidade, os nossos desejos naturais e sonhos como ser humano.

Começamos a viver num mundo onde o discurso de beleza feminina como promessa de prestígio, felicidade e ascensão social, reitera uma representação passiva do “ser feminina”. Insistimos na submissão, agora não somente às pessoas externas, mas a nós mesmas.

Infelizmente o que nos encarcera ao mito de embelezamento não é o fato de desejarmos cuidar da nossa aparência, mas, sim, as representações que este mito nos cria e faz com que nos sintamos invisível ou incorreta se não atingirmos os padrões estipulados para nosso tempo. É uma prisão cuja chave está na nossa mão.
Aproveitem!
Com afeto,
Lila
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Fontes que ajudaram nas Postagens: ANDRADE, Sandra dos Santos. Saúde e beleza do corpo feminino. Algumas representações no Brasil do século XX – Revista Movimento, Porto Alegre, v.9, n.1, janeiro/abril de 2003.GARCIA, Wilton. Corpo, Mídia e Representação: estudos contemporâneos. São Paulo: PioneiraThomson Learning, 2005.

Adolescência: a primeira crise da feminilidade.

Na Psicologia, uma “crise é um período de tensões e rupturas, marcado pela instabilidade durante a qual a ansiedade relativa às próprias capacidades e ou á própria identidade aumenta” – Dicionário de Psicologia.
As crises adultas, quando resolvidas, levam a maturidade e a saúde psicológica. A crise na adolescência de uma garota tem outra funcionalidade dentre muitas, a de fazer a conexão da fase criança com a nova fase, a da jovem moça que está surgindo. É o que Bardwick e Douvan chamaram de “A primeira crise do feminino”. Para ficar mais claro é só observar a mudança de comportamento que ocorre com as meninas por volta dos 11 anos. Até esta idade, elas se acham mais ou menos livres para fazerem e se comportarem como bem entenderem; com a adolescência chegando, a porta da liberdade vai se fechando e a mudança de comportamento acontecendo. Agora, parece que todos esperam da jovem um repertório, um visual e um comportamento novo e específico. De maneira sutil (mas muitas vezes nada sutil) ela é cobrada a ter sucesso com os rapazes. Independente de quanto sucesso uma adolescente esteja tendo em outras áreas da vida, os pais de uma jovem de 15 anos que não esteja namorando começa a ser preocupar. É claro que ela será forçada a arranjar um namorado, pois já está na idade de pensar em rapazes.
A adolescente estará começando a sua saga pela busca da sua identidade feminina. Ela receberá conselhos da mãe, tias e amigas sobre como se vestir, andar, falar... É uma chuva de informações que quase não há tempo para processá-las e muito menos tempo ainda para descobrir seu próprio e único jeito de ser.Escuto o relato de adolescentes se sentindo desamparadas, apesar de ter muita gente por perto disposta a ajudar, mas para estas jovens o tipo de ajuda ofertada não é a procurada. O sentimento de confusão e rejeição torna-se um parceiro freqüente.
E para tornar um pouco mais complexa a primeira crise da feminilidade, temos a ajuda da mídia e do marketing visual que enche os lares com idéias de comportamento e corpo “ideal”.
Todas as fases da vida precisam ser experienciadas intensamente, mas para que isso aconteça precisamos tomar consciência que somos seres únicos, com experiências individuais, ninguém é igual a ninguém, e desejar esse tipo de igualdade é não permitir que a individualidade se manifeste, é tentar usar a face do outro.
Abraços,
Lila

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Que tipo de mãe você é?


Ser mãe não é uma fórmula única. A maternidade permite uma diversidade de expressões, sem, no entanto, perder o encanto. Sabemos que existe todo tipo de pessoas e também de mães. Existem mães carinhosas, mães bravas e outras rancorosas, mães manhosas, intelectuais, atléticas e domésticas. Vou falar um pouquinho de alguns tipos de mães: Você provavelmente já conheceu alguma mulher que disse que detesta estar grávida, mas que ama ser mãe, pois é essas mulheres não gostam de estar grávidas e de todo o processo que envolve a gravidez e de ter um filho, como: gestar, amamentar, dar banho, fazer dormir... No entanto gostam de ser mães. Protegem, amparam e dão carinho, mas procuram não gerar dependência em seus filhos. Esse perfil materno gosta de criar seus filhotes de forma livre, pois quanto antes eles se tornarem independentes dela melhor. Mães assim são ótimas para incentivar a natureza nata de explorador que toda criança possui. A grande dificuldade está quando mesmo com uma criação independente, o (a) filho (a) tem uma personalidade passiva e dependente. É preciso ficar atenta para não gerar ansiedade e expectativas exageradas na criança e em si mesma. Lembre-se, nossos filhos, apesar de parecidos, são diferentes de nós.

Existem mulheres que adiam o máximo possível a maternidade. Sempre há uma prioridade, que pode ser o trabalho, a viagem, o dinheiro... Mas quando a maternidade chega, elas encaram de forma prática, já articulando como será o quarto, quem cuidará da criança, quanto tempo pretende dispor para ficar com ela. Essas mamães querem os filhos maiores o quanto antes para que possam interagir com elas. Caso fosse possível escolher, eles já nasceriam com três anos. Como são extremamente racionais e objetivas, ter filhos emotivos e sensíveis demais podem lhe gerar estresse e incomodo. É importante se permitir aprender com eles. Uma dica legal é procurar olhar o mundo a partir da perspectiva da criança: fique por alguns momentos da altura dela e procure ver o mundo a partir desse foco. Costuma ser revelador como o mundo é visto diferente por eles.

Existem mães tranquilas, pacatas e sem muita ambição para si e para seus filhos. Em geral são donas de casa, com ou sem uma profissão que provavelmente não exercem. São cuidadosas e amorosas com seus filhos, mas por vezes podem ficar “desligadas” e voltadas para o seu mundo e seus incómodos. Estar em reflexão nem sempre gera mudanças nessas mães e em seus filhos. Como vivem sem muitas expectativas, não as incentivam em seus filhotes, deixando-os mais livres. Para os filhos é bom ter uma mãe tranquila e pouco exigente, mas chega um ponto da vida deles que podem sentir falta de uma mãe mais ativa e que os incentivem a sonhar.

Existem mães que acreditam que a maternidade é algo que faz parte do casamento e seguem uma ordem lógica: casei e agora terei filhos. Não gostam muito de brincar com seus filhos e procuram acima de tudo discipliná-los, o que em geral fazem com muito êxito. Seus filhos são disciplinados, mas por vezes distantes na relação mãe e filho, pois não recebem muito carinho físico e demonstrações de afeto. Lembre-se que dar carinho inclui beijos, toques e atenção.

Existem mulheres que desde criança já falavam que queriam ser mães. Após o casamento, em pouco tempo estão grávidas e ávidas para cuidar de seu filhote. São cuidadosas, amorosas e dedicadas. Gostam de tudo que envolve a maternidade, desde gestar, amamentar e brincar com seus filhos. Dedicam muito de sua vida a eles. É aí que mora o perigo, pois esse tipo de mãe costuma cobrar o amor por anos doado e por isso não aceitam muito bem quando um filho quer se tornar independente e demonstra não precisar mais de seus cuidados. Para essas mães, os filhos nunca crescem, mas na verdade eles crescem e é preciso se acostumar com isso e encontrar outro objetivo que vai além da maternidade.

Existem as mães inseguras ao extremo, que acreditam que nunca vão conseguir cuidar de uma criança sozinha, pois afinal não se sentem competentes o suficiente para cuidar nem de si mesmas. Transferem a responsabilidade pelos seus filhos para outra pessoa, que pode ser a sua mãe ou avó. Depositar em outra pessoa a competência para cuidar de seus próprios filhos é a maneira que encontram para não assumir a responsabilidade de educar. A sua insegurança pode ser transmitida aos filhos que não conseguem ver na mãe uma figura forte e capaz de proteger. É importante se apropriar da sua capacidade materna e acreditar na sua maneira de educar, que pode não ser igual a da sua mãe ou avó, mas é sua e única.

Não importa que tipo de mãe você é, o que importa é que você cuide bem de seu (s) filho (s), honrando a maior função que Deus deu a um ser humano: a maternidade.
Abraços,
Lila

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Maternidade

Ser mãe é uma experiência extraordinária. Desde que me tornei uma, me sinto mais completa, inteira. A minha vida tomou um outro rumo, outro ritmo, outra cor... Mas sempre penso nas mulheres que ainda não conseguiram alcançar a maternidade, que ardentemente almejam um dia ter o seu filho nos braços e ouvir uma voz suave e amorosa chamando a palavra mais doce aos nossos ouvidos: "Mãe". A essas mulheres quero dizer que o amor e o desejo de ser mãe é a mais poderosa energia emanada de seu ser, pois desejar ter um filho é um ato de amor, uma atitude de imensa doação, é uma oração à Deus.
Conheço algumas mulheres maravilhosas que tentam naturalmente ou fazem tratamento para engravidar, umas com sucesso e outras ainda não... Vejo em todas a profunda dedicação em prol da maternidade. Quanta persistência, quanta doação, quanto amor. Nessas mulheres já reconheço a maternidade. O desejo de ser mãe é tão intenso e verdadeiro que elas abrem mão de muitas coisas para alcançar esse nobre objetivo. Digo que essas mulheres já se tornaram mães, pois dentro delas já existe amor materno, já existe doação, já existe esperança, já existe fé. Somente mães de verdade sentem tão verdadeiramente a sintonia com seus filhos, somente mães sabem a dor de não ter um filho por perto, somente mães sabem o que é ter e perder um filho...Ser mãe é tão profundo, verdadeiro e intenso.
Muitas mulheres são mães sem ter um filho. Falo da energia materna que emana de seu ser. Ser mãe é como o amor, inexplicável!
Para essas Mães meu profundo respeito e admiração.
Com afeto,
Lila

domingo, 26 de abril de 2009

Algumas Dicas de Educação



Atrevo-me a lançar este tema, não por me julgar uma perfeita educadora, mas por acreditar que todos nós podemos educar com amor e sem violência os nossos filhos. Sei que todos nós somos capazes, apenas precisamos saber como fazer isso.

Estamos contaminados com padrões antigos de educação. Precisamos solta-los e nos permitir aceitar o novo. O tempo mudou, as crianças estão diferentes e mais exigentes. Ser autoritário não faz mais efeito positivo na educação. As crianças querem respeito, carinho, atenção e amor.

É claro que elas ainda precisam de limites para que cresçam de forma saudável e alguns desses limites são definidos pelas regras de convivência. Assim como não podemos bater em um colega de trabalho, elas também não podem bater nos colegas ou em qualquer pessoa em casa ou na rua. Esse tipo de limite é diferente daqueles que usamos para proteger as crianças, como por exemplo, quando impedimos que atravessem a rua sozinha. Muitas crianças desafiam os limites na tentativa de ter a certeza de que são cuidadas e amadas.
É importante ressaltar que não existe apenas um jeito certo para educar. As dinâmicas familiares e relações estabelecidas são diversas e é no dia-a-dia que você encontrará as melhores formas de educar seus filhos, de acordo com as características de cada um deles. Educar é um processo diário e as mudanças muitas vezes levam tempo.

Educar exige paciência!
Depois de um dia inteiro de problemas, mães e pais chegam em casa e precisam cuidar dos filhos. E as crianças querem atenção, nem sempre obedecem logo, pedem tudo. É muita pressão.
Nessa hora a palmada ou um tapinha de leve parecem uma boa idéia. Apenas parece. Por favor, não cai nessa tentação!

Muitos pais que dão comida e beijinho de boa noite, de vez em quando aparecem com o chinelo na mão. Que controvérsia assustadora para as crianças. Para não apanhar, elas passam a preferir a distância e o silêncio. Mentem para evitar brigas, escondem seus erros. Aos poucos, quase nada se resolve sem gritos ou ameaças. E o resultado disso é que as crianças, ao invés de respeitar os pais, ficam com medo deles.Muitos pais apelam para a violência porque é comum acreditar que é a melhor forma de manter a autoridade e de proteger os filhos. Sabemos, ou pelo menos deveríamos saber que não é bem assim. Existem formas carinhosas de educar que dão resultado.
Confira e tente!

1. Se acalme. Esta é a palavra de ordem. Respire fundo antes de chamar a atenção do seu filho. Evite discutir os problemas quando estiver com raiva. A raiva nos faz dizer coisas que provavelmente vamos nos arrepender, que magoam e assustam. É claro que ele vai perceber a sua raiva, e você pode e deve afirmar que está aborrecido, mas isso não significa que deve descarregar a sua ira nele (a).

2. Conversar com a criança, tentando entende-la e não impondo o seu ponto de vista. Entender porque algo está acontecendo ao conversar com a criança é o primeiro passo para juntos vocês encontrarem a solução.

3. Mostre à criança o comportamento mais adequado dando o seu próprio exemplo. Beber suco diretamente da garrafa irá ensiná-lo que esse é um comportamento adequado. Assim como falar mal das pessoas depois de encontrá-las. Seu filho aprenderá muito mais com o seu exemplo do que com o que você diz a ele sobre o que é certo ou errado. Isso vale também para os pequenos atos de higiene do cotidiano: escovar os dentes, lavar as mãos antes de comer, etc. É mais fácil para a criança criar e manter essa rotina se você também a realiza.

4. Jamais recorra a tapas, insultos ou palavrões. Como adultos não queremos ser tratados assim quando cometemos um erro, então não devemos agir assim com nossos filhos! Devemos tratá-los da maneira respeitosa como esperamos ser tratados por nossos colegas, amigos ou pessoas da família.

5. Não deixe que a raiva ou o stress que acumulou por outras razões se manifestem nas discussões com seus filhos. Pode parecer difícil, mas é perfeitamente possível separar as coisas. Temos a terrível tendência de descarregar as nossas tensões nos mais frágeis. Por favor, seja justo e não espere que as crianças se responsabilizem por coisas que não lhes dizem respeito. Caso esteja aborrecido com o seu chefe, não pense que o choro de seu filho é o motivo de toda a sua raiva.

6. Converse sentado, somente com os envolvidos na discussão. Isso contribui para uma melhor comunicação. Mantenha um tom de voz baixo e calmo, segure as mãos enquanto conversam - o contato físico afetuoso ajuda a gerar maior confiança entre pais e filhos e acalma as crianças.

7. Considere as opiniões e idéias dos seus filhos. Tomem decisões juntos, comprometendo-o com os resultados esperados. Se tudo funcionar bem, dê parabéns. Se não funcionar, avaliem o que aconteceu de errado.

8. Valorize e elogie. Pequenos elogios sobre bom comportamento nunca são demais! Por exemplo: ela colocou a roupa suja no cesto de roupas? Elogie. Assim como o desenho que fez; o fato de ter conseguido colocar a calça sozinha, de contar uma história para você ou colocar algo no lugar que você pediu.

9. Expressar de forma clara quais são os comportamentos que não gosta e te aborrecem. Explique o motivo de suas decisões e ajude-os a entendê-las e cumpri-las. As regras precisam ser claras e coerentes para que as crianças possam interiorizá-las.

10. "Prevenir é melhor que remediar”. Sempre que for fazer algo com seus filhos, esclareça sobre o que é e se algo precisa ser feito por eles. Essa atitude estabelece uma relação de confiança e cumplicidade entre vocês. Por exemplo: Você precisa fazer compras e terá que levar com você seu filho pequeno. Diga a ele aonde irão e o que vão fazer. Você pode deixá-lo ajudar nas compras; conversar com ele sobre o que está comprando – peça-lhe para falar o que ele acha de um determinado produto; se for uma criança mais velha, ela pode ter maior mobilidade e ir pegar outros produtos enquanto você está em outro setor do supermercado.

11. Peça desculpa. Elas aprendem mais com os exemplos que vivenciam do que com os nossos discursos. Desculpar-se é um ato de amor e respeito. Coloca-nos mais próximo de nossos filhos, nos torna mais humanos.

12. “Não espere nada que a idade não permita” Esta é uma frase que sempre uso, pois temos a tendência de exigir demais de nossos filhos. Uma criança de um ano e meio já consegue se alimentar sozinha e este é um comportamento que deve ser estimulado pelos pais, mas ela não consegue faze-lo sem se lambuzar. Exigir que a comida não caia no chão é um pouco demais.

Espero ter ajudado em algo.
Abraços,
Lila

domingo, 5 de abril de 2009

Não bata. Eduque!


Quem me conhece sabe que sou uma defensora da não violência contra crianças e adolescentes, por isso, escrever sobre esse tema é acima de tudo um dever.

O meu trabalho com crianças me permite escutar pais e filhos e ter uma visão mais realista de como a educação está equivocada. É claro que a intenção dos pais é de ajudar e educar os seus filhos, mas o que observo é que existe um enorme abismo entre esse desejo e a ação.

Muitos já devem ter escutado a frase: “Pedagogia da Palmada”. Ela mostra claramente um problema sério, que é a banalização do uso da violência como meio de solucionar conflitos. Além disso, ensina a criança que a violência é uma maneira plausível e aceitável. Já perguntei para muitas crianças que apanham de seus pais, o que elas pensam. Pasmem, mas elas acham que é certo, pois fazem “bobeira” e merecem apanhar. É claro que elas não gostam nem um pouco, mas estão convencidas através da ação dos pais, que bater e apanhar é o certo. Não lhes é mostrado outro caminho, então é claro, elas vão acreditar no que é dito e feito.

A realidade é que as punições corporais e psicológicas contra crianças e adolescentes, tais como as palmadas, castigos, chineladas e ameaças, são práticas habituais em quase todas as famílias, e o pior de tudo é que são encarados como ferramentas essenciais para “educar e disciplinar” os filhos. Poucos levam a sério o fato de que o castigo físico e humilhante poderá ter reflexos negativos ao longo da vida da criança; sem falar que constituem uma violação aos Direitos Humanos fundamentais, atentando contra a dignidade humana e a integridade física das crianças e adolescentes.

É bom lembrar que o uso do castigo físico infligido a uma pessoa faz parte de um “ciclo de violência”. Entretanto, muitos pais ainda não enxergam dessa forma, pois esta metodologia educativa está fortemente legitimada em nossa sociedade. Assistimos a programas que ensinam como castigar nossos filhos. Existem muitos livros que ditam normas cruéis sobre como punir e disciplinar. Os pais que utilizam a tapa, a palmada ou a chinelada para “educar” o fazem acreditando que estão fazendo o melhor, mas não percebem o estrago por trás dessa ação. Não vêem que estão abusando da diferença de poder que existe numa relação entre um adulto e uma criança.

Se a violência física contra um adulto não é aceitável socialmente, sendo passível inclusive de sanções legais, porque contra a criança deve ser aceita? Essa é uma pergunta intrigante.

Muitos não têm conhecimento dos efeitos que o bater provoca em seus filhos. Pensam que a criança esquece ou nada assimila. Engano terrível. Existem conseqüências nada positivas nas crianças vítimas de violência doméstica. As consequencias não podem ser generalizadas para todas as crianças, pois depende da experiência de vida de cada uma e da configuração familiar. Entretanto, uma conseqüência direta do uso do castigo físico é o aprendizado equivocado de que a violência é certa e soluciona conflitos e diferenças. A partir desse aprendizado, a criança irá manter o mesmo tipo de relação com outras pessoas, como na escola, com os irmãos e amigos, com os pais, etc. Sem falar em conseqüências psicológicas freqüentes, tais como introversão, medos desconhecidos, baixa auto-estima, insegurança, timidez, excesso de passividade e submissão.

Muitas vezes, a agressão física ou psicológica acaba acontecendo num rompante, não sendo uma prática cotidiana. Quando isso acontecer, sente com seu filho e seja sincero com ele, explicando que perdeu o controle e que se arrepende por isso. Este tipo de atitude é um ótimo exemplo de humildade e de respeito para com o outro. Ao sentar para conversar, você estará dando um ótimo exemplo de que pedir desculpas não é algo do qual a criança deva se envergonhar e de que errar é humano, que nem sempre vocês pais, irão acertar em tudo, apesar de sempre desejarem o melhor para ele. Aproveite o momento para ouvir a criança e procurar, juntamente com ela, estabelecer as “regras” de boa convivência para todos dentro de casa.

Agora se você usa a pedagogia negra* para educar, valer-se do que foi citado no parágrafo anterior não vai adiantar de nada, só vai lhe criar um problema maior, pois ao bater cotidianamente e pedir desculpas, você vai transmitir insegurança, desrespeito e o quanto a sua palavra não tem o menor valor. Antes de tudo você precisa parar de bater e encontrar uma maneira mais humana de educar aqueles que você tanto ama.

Um simples exemplo da perda de controle dos pais, é quando estão cansados demais após um dia de trabalho e descarregam em seus filhos todo o seu estresse. Junto com a criança, você pode conversar e estabelecer que, quando estiver cansado, você precisará de um tempinho para respirar fundo, relaxar e, então, dar a atenção de qualidade que ela merece.
 
Acredito ser importante esclarecer quais são os castigos físicos e humilhantes. A lista é grande, mas cito aqui apenas os mais usuais nas famílias:
· Palmadas
· Beliscões
· Tapinhas na mão
· Pontapés
· Puxão de cabelo
· Rejeição ou desqualificação da criança ou do adolescente
· Bater com a mão ou com um objeto (vara, cinto, chicote, sapato, fios, etc.)
· Xingamentos, humilhações
· Castigos excessivos, recriminações, culpabilização
· Ameaças
· Uso da criança como intermediário de desqualificações mutuas entre os pais em processo de separação
· Responsabilidades excessivas para a idade
· Sacudir ou empurrar a criança
· Clima de violência entre os pais e de descarga emocional em cima da criança
· Obrigá-la a permanecer em posições incômodas ou indecorosas
· Obrigá-la a fazer exercícios físicos excessivos.
· Surras
· Chacoalhar a criança, etc.
Educar não é difícil, mas vai exigir de você paciência e amor. Costumo dizer que antes de qualquer casal decidir ter um filho, eles precisam decidir se estão dispostos a educar. Para isso vão precisar de algum tempo disponível, paciência, respeito e amor para com seus pequenos.

Não delegar a educação dos filhos a terceiros é um precioso passo para a educação de qualidade.

Decidi compartilhar algumas perguntas que frequentemente escuto e percebo que é comum para muitos pais.

“Não tenho autoridade com meus filhos. O que fazer para que eles me respeitem?”- Ser autoritário e ter autoridade sobre os filhos são coisas diferentes. Os pais autoritários geram filhos com medo, insegurança e ressentimento. Ao contrário, pais com autoridade a conquistaram com respeito e diálogo. As crianças aprendem a se relacionar com os adultos a partir da maneira como eles se relacionam com elas. Sabemos que a criança precisa de limites. A idéia não é remover os limites e a disciplina da educação e da criação dos filhos, mas utilizar formas de disciplina sem o uso da violência.

Meu filho está agressivo e não obedece. Já tentei fazer várias coisas e não quero bater. Como dar limites sem bater? O que faço?- Parto do princípio que todas as crianças devem crescer em um ambiente livre de violência e que o diálogo – mesmo com os muito pequenos – deve sempre prevalecer. Uma criança que apanha ou é humilhada vai aprender que os conflitos se resolvem desta maneira. A agressão e a desobediência são um reflexo de uma educação inadequada, e para corrigir um aprendizado equivocado, somente com muita calma e amor. Certamente a criança aprendeu a agredir por defesa e a não obedecer por não acreditar mais nos pais. O processo agora é de reconquista: converse com calma com o seu filho. Muitas vezes as crianças testam os nossos limites e o nosso amor. Se quando a criança grita ou tem um comportamento agressivo e os pais cedem ao que ele quer, ele vai aprender que gritando e caindo no chão ele consegue o que quer. Uma dica: sempre que for falar com eles sobre a atitude que está tendo, abaixe-se para ficar da altura dele e olhe nos olhos. Repita até que ela apreenda o comando que você está dando. Lembre-se que o tempo e a forma como as crianças entendem as coisas é bem diferente do nosso. A paciência é indispensável.

"Apanhei quando criança e sou uma boa pessoa, não aconteceu nada comigo". Porque não devo educar meus filhos da mesma maneira?- Essa pergunta é a mais comum de todas. Embora muitas pessoas acreditem que "não aconteceu nada", castigos deixam sentimentos de raiva, ressentimento, rancor, medo e frustração. Apesar de muitos pais acharem que “educar batendo deu certo”, acredito que “educar sem bater”, com diálogo, respeito e participação fortalece o relacionamento com seus filhos, cria respeito, confiança. Educar com violência acaba legitimando a idéia de que a melhor forma de resolver conflitos é através da violência. Posso quase afirmar que você não gostava nadinha de apanhar, não é mesmo?

Acredito que a forma de educar meus filhos é assunto de minha família. Porque uma questão privada deve ser discutida na “sociedade”?- O castigo físico é uma forma de violência social e viola o direito da proteção integral da criança e do adolescente. A Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada por 130 países, dentre eles o Brasil, recomenda expressamente que as punições corporais na família, na escola e nas instituições penais, sejam proibidas por todos os signatários. O que para muitos parece uma simples questão privada acaba tendo reflexos negativos para toda uma sociedade. Um exemplo é a questão da violência contra a mulher. Até algumas décadas atrás, a violência contra mulher também era considerada um ”problema privado”, e muitos países ainda consideram que a mulher é “propriedade” do homem. No entanto essa situação vem mudando, sendo que muitos países já possuem legislações exclusivas para o tema, e a mulher é progressivamente vista como sujeito de direitos nas mesmas condições que qualquer outro cidadão. Sendo as crianças indivíduos vulneráveis, garantir a sua integridade física e moral é dever de todos: da família, da comunidade e da sociedade. Absolutamente não é um assunto da sua família, é um assunto da sociedade!

Porque eliminar castigos físicos e humilhantes deve ser uma prioridade, quando existem violências mais severas, como o abuso sexual por exemplo?- Por serem amplamente aceitos, e, portanto também corriqueiros, os castigos físicos e humilhantes acabam sendo deixados em segundo plano na luta pela garantia dos direitos das crianças. Todavia, as razões acima são justamente as que fazem deste tema prioritário nessa luta. Trabalhar pela erradicação dos castigos físicos é uma forma de eliminar todas as formas de violência contra crianças, afirmar que existe um “limite” entre violência leve e grave é uma forma equivocada de abordagem, pois ignora a criança como um sujeito de direitos.
Finalmente, todas as formas de violência estão inter-relacionadas e devem ser combatidas igualmente, começando pelos nossos lares.

Abaixo um vídeo para reflexão.
Abraços,
Lila

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*Pedagogia Negra - termo usado pela psicóloga e escritora Alice Miller para definir uma educação desrespeitosa e com violência.
- Fonte que ajudou na postagem: Manual dos direitos da criança e do adolescente.