Você já deve ter assistido ao Filme "Melhor Impossível" , onde o personagem principal é um simpático/antipático e ranzinza, que mesmo com todas as suas “manias” conquistou o público. Melvin, um escritor de meia-idade que lavava as mãos obcecadamente, levava seus próprios talheres ao restaurante e não se sentia confortável ao pisar nas calçadas multicoloridas da cidade. Ele sofria de TOC -Transtorno Obsessivo-Compulsivo. O filme ajudou a tornar mais conhecida pela maioria das pessoas, essa síndrome que hoje se apresenta de maneira mais comum do que se imagina em adultos, adolescentes e crianças.
Sobre o TOC: É uma doença caracterizada pela presença de obsessões e compulsões que se apresentam de forma repetitiva, causando sofrimento à pessoa portadora. As obsessões se referem a pensamentos e idéias de conteúdo negativo (morte, azar, etc.) que se repetem, originando sofrimento e angústia sem que algo na realidade externa as explique. As compulsões são comportamentos repetitivos e estereotipados que funcionam como resposta às obsessões e servem para aliviá-las (afastar o azar, evitar um acontecimento ruim). Esses pensamentos de caráter negativo invadem a mente da pessoa sem que ela tenha controle sobre eles. Para neutralizá-los, é necessário realizar uma série de rituais, como lavar as mãos, organizar objetos, contar em voz baixa, etc., na tentativa de evitar que se tornem realidade. Assim, o dia-a-dia de quem sofre desse transtorno passa a ser regulado em função dos rituais, consumindo tempo, energia e resultando em grande sofrimento e angústia.
É muito importante não confundir o TOC com algumas características de personalidade presentes em muitos de nós, como organização e perfeccionismo. Para que esse transtorno seja diagnosticado, esses elementos devem estar presentes em um nível muito elevado, prejudicando as relações sociais, o trabalho e o cotidiano de maneira geral.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), para que uma pessoa receba o diagnóstico de estar sofrendo de transtorno obsessivo-compulsivo, ela deve apresentar:
- Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento, são experimentados como intrusivos e inadequados, causando ansiedade ou sofrimento, não sendo meras preocupações excessivas com problemas da vida real.
Em algum ponto durante o curso do transtorno, a pessoa reconhece que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais (esse item não é valido para o diagnóstico em crianças).
As obsessões ou compulsões causam acentuado sofrimento, consomem tempo (tomam mais de 1 hora por dia) ou interferem significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (ou acadêmico), atividades ou relacionamentos sociais habituais do indivíduo.
O transtorno obsessivo-compulsivo pode ser vivenciado também por crianças. Nesse caso, pais e professores devem prestar atenção a sinais específicos, como medo persistente de doenças; contar e recontar buscando a exatidão; demora em realizar as tarefas escolares por causa da necessidade de apagar constantemente os exercícios já feitos; inflexibilidade e rigidez nas brincadeiras; e ritual diário de higiene repetitivo e exagerado.
É importante que pais e educadores aprendam a identificar esses sintomas e sinais, já que as crianças nem sempre costumam verbalizar seus sentimentos. Deve-se estar atento à conduta de crianças e adolescentes e, frente a dúvidas, buscar o apoio de profissionais especializados.
A realização de um diagnóstico adequado é imprescindível em qualquer idade, uma vez que este transtorno pode estar associado a outras doenças, como depressão, ansiedade e problemas alimentares, que devem ser tratados em conjunto. O tratamento ocorre geralmente mediante a associação de terapia e novas medicações, e seus resultados vêm sendo positivos, principalmente em relação à notável diminuição dos sintomas.
_______________________
Fonte e Sugestão de Leitura:
SILVA, Ana Beatriz. Mentes e Manias. São Paulo, Gente: 2004.
CORDIOLI, Aristides. Vencendo o Transtorno Obsessivo-Compulsivo. São Paulo, Artmed: 2003