quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mães e Filhas

Bem este até pode ser considerado um dos mais intensos e complexos de todos os relacionamentos. 
Até a adolescência, a relação mãe-filha tende a ser próxima e afetuosa. Filhas livremente expressam seu amor e admiração por suas mães. Chegam a dizer:  “Quando eu crescer quero ser como você, mamãe”. Mas durante a adolescência, quando a filha adolescente se depara com a tarefa de diferenciar-se da mãe, a relação mãe-filha pode se tornar um mix de intimidade e distanciamento.

Recentemente escutei o seguinte relato de uma mãe: “Minha filha e eu somos tanto as melhores amigas quanto as piores inimigas. Não há meio-termo. Às vezes, ela confia em mim como uma aliada. Ela quer sair comigo, principalmente quando eu me ofereço para levá-la às compras. Há ocasiões em que conseguimos discutir sobre seu futuro de forma civilizada. Mas em outros momentos, não podemos nem ao menos estar na mesma sala, sem insultarmos uma a outra. Sim, eu admito, às vezes eu sou tão ruim com ela tanto quanto ela é comigo, talvez eu seja ainda pior.”

Garotas adolescentes querem tanto a liberdade de suas mães como manter uma relação próxima com elas. Parece conflitante não? E de fato o é. É uma relação bastante contraditória, principalmente quando as filhas adolescentes estão exercendo sua autonomia em suas tentativas de construir uma auto imagem diferenciada, nesta fase, eles empurram suas mães para bem longe.

O autor John Gray(Homens são de Marte Mulheres são de Vênus) acredita que meninas que mantiveram um relacionamento conflitante com suas mães durante a infância, tendem a ser afastar delas durante a adolescência. E diz mais: "Para desenvolver um sentido sobre si mesmas, meninas adolescentes sentem uma maior necessidade de lutar, desafiar, ou rebelar-se contra o controle de suas mães."
Por outro lado, quando as filhas estão à procura de conexão, eles normalmente voltam para suas mães. Quando a mãe está disponível para este retorno, elas podem viver um dos momentos mais preciosos,grandiosos e íntimos nesta relação.

Uma universidade canadense está desenvolvendo uma teoria interessante sobre este tipo de relacionamento – mães e filhas.  Eles temporariamente chamam de “P M two”, é a relação entre a menstruação (ou period em Inglês) e a menopausa. Estão estudando meninas adolescentes que estão em seu início da menstruação e suas mães entrando na menopausa. O que vem se observando nestes estudos, é que mães e filhas vem passando por mudanças físicas e hormonais praticamente ao mesmo tempo. Esses hormônios e as alterações físicas que acontecem no mesmo período de tempo, são uma receita para a inconsistência interpessoal e conflitos entre essas duas gerações de mulheres.

Uma participante da pesquisa relata: “Havia apenas uma ou duas semanas entre o momento em que experimentei minhas primeiras ondas de calor e minha filha teve sua primeira menstruação. E para mim, a menopausa foi repleta de todos os sintomas - calor, irritabilidade, alterações de humor, até mesmo o zumbido nos ouvidos. Com a minha filha passando por todas as oscilações de seu humor e as mudanças físicas decorrentes da menstruação, éramos como dois gatos de rua presos em um espaço apertado.”

Tem muito o que se falar sobre este tipo de relacionamento, mas o intuito deste texto é chamar a atenção para a dinâmica perigosa que pode existir entre mães e filhas. Quando as mães, em suas tentativas de manter o relacionamento vivo e saudável, podem vir a sufocar suas filhas. As mães precisam aprender a ficar perto e ao mesmo tempo dar às suas filhas o espaço necessário para ser tornarem independentes e criarem a sua própria identidade.

domingo, 13 de maio de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

BRASILEIRA SIM SENHOR!!!!!: "Amor Maternal" por Lila Rosana

BRASILEIRA SIM SENHOR!!!!!: "Amor Maternal" por Lila Rosana: Olá pessoal, Hoje inicia-se a nossa homenagem ao Mês da Mães! Fiz o convite aberto a todos, e recebi o retorno de queridas amigas, c...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Briga entre irmãos


          As constantes brigas entre irmãos tem preocupado você? Então saiba que você não está sozinho e que a hora para fazer algo em relação a isso é agora. Os irmãos ciumentos, que se veem como rivais, podem ter dificuldades para se relacionar com outras pessoas na sua vida adulta, pois a rivalidade entre irmãos pode não terminar na infância.

         Você quer saber como a rivalidade entre os seus filhos está afetando as suas crianças? Você sente que perdeu o controle sobre o que acontece entre eles? Saiba que é possível administrar de maneira saudável esta situação. Vamos começar pelo entendimento deste cenário e depois conhecer algumas maneiras de ajudar esses pequenos a ter um bom relacionamento entre eles.

         A maioria das crianças se ajusta rapidamente a um novo irmão ou irmã. No entanto, geralmente existe uma rivalidade entre irmãos, isso é comum e compreensível. Quando o bebê nasce, a criança mais velha pode vir a se sentir “destronada” ou deslocada. Os pais geralmente dedicam boa parte de sua atenção para o novo integrante da casa. Os pais agora irão dividir sua atenção entre dois ou mais filhos. E o novo bebê freqüentemente recebe a maior parte dela, devido ao seu estado vulnerável.
       
         Os pais passam a ter menos tempo para seus filhos mais velhos e tanto a qualidade e quantidade de suas interações podem diminuir. Os irmãos mais velhos são propensos a notar a diferença e a se sentir deslocados. O novo bebê se torna um rival pela atenção dos pais. Isso pode definir as bases para a rivalidade entre irmãos.
Além disso, a rivalidade entre irmãos na infância também pode definir o cenário para a rivalidade entre os mesmos quando adultos. Conheci adultos que continuavam a se sentir ameaçados pelos irmaõs. Este é um comportamente mais comum do que imaginamos.

          A idade é um fator relevante na briga entre irmãos. Esta costuma ser mais intensa entre as crianças mais jovens e na adolescência, por eles se tornarem mais independentes, a rivalidade geralmente diminui.

          As crianças pequenas são as mais susceptíveis na luta por posses. Elas disputam qual programa de televisão querem assistir, brigam pelo brinquedo, pela brincadeira, etc. Tudo pode vir a ser uma batalha constante. Mas isso não acontece apenas com crianças pequenas. Pré-adolescentes também se ressentem com um irmão mais novo, principalmente quando eles percebem que os pais favorecem o(a) filho(a) mais novo(a). Eles podem se sentir injustiçados.

          Hoje eu presenciei uma cena típica de provavel futura rivalidade entre irmãos. Eu estava tomando um café num local público e na mesa na minha frente tinha uma mãe com um lindo menininho de uns 2 anos e meio e uma bebê de colo (que tinha aproximadamente uns 3 meses de idade). A mãe estava chateada com o menino porque ele derramou o copo com suco sobre a mesa. Ela estava visivelmente irritada com o pequeno e ao mesmo tempo dava muitos beijinhos no bebê que ela carregava no colo. Pude observar o quanto o pequeno se incomodava com a situação. Ele se irritava toda vez que a mãe não lhe dava atenção e dava atenção à sua irmã. Tentou obter a atenção da mãe de todas as maneiras possíveis, mas não teve sucesso. Por ser muito pequeno, o garotinho não conseguia comprender a situação como de fato ela era. No seu entendimento a mãe dava carinho e atenção para a irmã e não para ele. Reflita: Se você fosse aquele menininho, como se sentiria? O que pensaria e sentiria sobre a sua irmã mais nova? O que pensaria sobre a sua mãe? Pensar como uma criança pode ajudar você a compreender o universo delas.

           Conflito entre irmãos costuma ser mais intenso com crianças em torno de 2 anos de idade ou menos. Isto provavelmente acontece porque crianças com idades semelhantes dependem de quantidades similares de atenção e apoio de seus pais. Com o passar dos anos, isso tende a diminuir e muitas vezes os irmãoes mais velhos assumem uma prestação de cuidados ou o papel de protetor do irmão mais novo.

           Bem, agora que entendemos um pouco sobre o porque dessa rivalidade acontecer, vamos ao entendimento sobre como ajudar os nossos filhos durante essa fase.
Como ajudar uma criança mais velha a ajustar-se com um novo irmão?
1. Talvez a coisa mais importante que os pais podem fazer é envolver a criança mais velha antes e depois do nascimento do bebê. Por exemplo:
  • Antes do nascimento do novo bebê incentive os filhos mais velhos para fazer parte do evento. Envolva-os na preparação para a chegada do bebê (preparar as roupinhas, os enfeites do quarto, etc)
  • Leia livros infantis adequados à criança sobre a chegada de um novo irmão ou irmã.
  • Depois que o bebê nascer continue a envolver os irmãos mais velhos. Peça-lhes para ajudar com o bebê. Incentive-os a tomar consciência dos sentimentos do bebê e suas necessidades, peça para ajudá-la a confortar o bebê quando ele estiver chorando.
2. Atenda as necessidades da criança mais velha.
  • Tente não ignorar seus filhos mais velhos enquanto você cuida do novo bebê.
  • Lembre-se do tempo que você dedicava ao seu filho mais velho antes do bebê nascer. Continue mantendo esse momentos especiais, arranje tempo para estar a sós com o filho mais velho. Dedique-se a ele também.
  • Mantenha rotinas com o filho mais velho e sempre lhe dê amor e atenção.
3. Esteja atenta para os sinais de ciúmes, pois muitas vezes ele está na raiz da luta entre irmãos.
Os sinais de ciúme em uma criança que se sente deslocado pelo novo bebê incluem:
(a) Preocupações comportamentais:
  • Mudanças no comportamento
  • Tende a ser mais exigente
  • Passa a ser mais dependente, apegando-se demasiadamente aos pais
  • Passa a lamentar-se com mais frequência
  • Alterações de humor, crises de birra ou irritabilidade
  • Problemas para comer, dormir e para cumprir as rotinas ao banheiro.
(b) Comportamentos difíceis e provocação de dor no bebê ou irmão mais novo:
  • Provocação excessivas ou dizer coisas desagradáveis ​​sobre o bebê.
  • Pode ser agressivo ou machucar o bebê (por exemplo beliscar, dar tapas)
  • Com crianças mais velhas os sinais de ciúme e rivalidade pode incluir o uso de palavrões, gritos, chutes e socos.
Você pode intervir na luta entre irmãos?
Sim, você pode e deve fazer isso! Os pais podem ajudar seus filhos a lidar mais eficazmente com o conflito entre seus filhos. Estes incidentes podem ser uma grande oportunidade para ensinar as crianças a conviver com os outros e a resolver conflitos. O combate entre irmãos pode ser uma oportunidades para aumentar a competência social e psicológica da criança, assim como ajudá-los a desenvolver a inteligência emocional. Use a briga entre seus filhos para ensinar-lhes a resolver conflitos, para resolver problemas, afirmar-se, lidar com sentimentos negativos e desenvolver a empatia.

             A permanência destes comportamentos inadequados podem contribuir para os futuros comportamentos e problemas sociais em crianças na escola e na comunidade.


Erros comuns que os pais costumam cometer:
  • Ignorar a rivalidade e encará-la como normal
  • Deixar de ensinar as crianças a resolver problemas e conflitos com seus irmãos
  • Deixar de desenvolver nos seus filhos as habilidades para resoluções adequadas de conflitos
  • Continuar favorecendo uma criança em detrimento da outra
  • Exigir demais de uma criança mais velha, em comparação com o mais novo
  • Culpar uma criança mais velha pelos eventos ocorridos, argumentando que ela por ser mais velha deveria saber e entender melhor a situação
  • Dar carinho e atenção excessivos para a criança mais nova e menos para a mais velha
  • Deixar de manter uma relação de carinho e proximidade com seus filhos mais velhos após o nascimento do novo bebê
  • Deixar de ensinar as crianças a resolver problemas, controlar e entender a raiva e a lidar com seus sentimentos.
  • Consistentemente culpar uma criança pelos problemas com os irmãos, e não permitir a essas a oportunidade de se justificar
Agora que você já entende porque as brigas entre irmãos acontecem e já conhece algumas prováveis soluções, use a situação de uma maneira positiva e veja essa experiência como uma oportunidade para educar de maneira saudável os seus filhos.
Abraços,
Lila

quarta-feira, 28 de março de 2012

Bilinguismo


Este texto faz parte da Blogagem Coletiva do Blog Maes Internacionais Visite o site para saber mais sobre filhos bilíngues.
Tenho um garotinho de sete anos de idade.  Quando ele chegou ao Canadá, falava muito pouco o inglês, e a minha preocupação era como ele iria se adaptar a nova escola, a novos amigos e a nova língua.  Todos me diziam que em seis meses ele estaria se comunicando com mais facilidade e começando a dominar a língua.  De fato foi o que aconteceu.  Após os seis primeiros meses ele estava mais confiante para se expressar em inglês e para interagir com outras pessoas.  Porém, os meus questionamentos sobre a adaptação à língua eram só o começo de vários que estavam por vir.  Frequentemente as pessoas me perguntam como vou educar o meu filho em duas línguas e qual a melhor maneira para fazer isso. Eu não posso indicar qual a melhor maneira, mas posso falar sobre como venho fazendo isso.  Creio que não existe uma regra geral, pois cada criança e família têm as suas particularidades. É claro que os pais vão encontrar seu próprio caminho, porém por experiência própria, acredito que devemos entrar em um acordo familiar sobre como queremos ensinar as diferentes línguas as nossas criança; o conflito de opiniões pode gerar ansiedade não só nelas, mas em todos os envolvidos nesse processo; sem falar que esses pequenos podem querer atender as expectativas dos pais e desviar a atenção do processo natural para aprender outra língua. O meu filho acabou ajudando na decisão sobre qual língua falaríamos com ele dentro de casa; optando por falar o português quando estamos com ele, pude perceber que isso não afetou o seu desenvolvimento cognitivo do inglês. Aliás, pude notar o seu bom desenvolvimento nas duas, inclusive no que diz respeito a vocabulário.  Hoje ele assiste desenhos e lê livros nas duas línguas. Ao ouvir o meu filho falando inglês sem sotaque e com a pronúncia de fazer inveja, foi inevitável o meu entusiasmo e orgulho por ele conseguir se expressar com adequada fluência. Mas aprendi que precisamos lidar com esta situação da maneira mais natural possível, elogiando cada conquista, mas sendo cuidadoso para não fazer disso um festival e gerar embaraço na criança; até mesmo porque para eles a fala é um processo natural.  Algumas crianças aprendem com facilidade uma segunda língua, porém outras precisam de um tempo maior; para estas, é fundamental uma porção a mais de paciência; paciência não só com a criança, mas com todos que fazem parte da relação familiar. Muitos parentes desejam que as crianças tenham o domínio da língua natal e se sentem no direito de exigir isso de nós. Para eu não ficar incomodada com tais cobranças, precisei ter a certeza do como gostaria de educar o meu filho em duas línguas, pois quando estamos seguros disso fica mais fácil argumentarmos ou simplesmente ignorarmos tais solicitações. Tornar o aprendizado de uma ou mais línguas, algo natural despertou em meu filho a vontade de aprender outras mais. Hoje ele fala que deseja aprender o francês, que é a segunda língua oficial no Canadá.  Sei que existem muitos artigos que falam sobre como devemos educar filhos bilíngues, leio cada um deles com muita atenção aproveitando as dicas que para minha situação podem ser úteis, porém sempre coloco em primeiro lugar o meu bom senso e o respeito pelo meu filho. Pensar assim tem me dado a serenidade necessária para continuar educando ele com sucesso nas duas línguas.
Abraços,
Lila