segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma história que precisa ter fim

Hoje recebi um triste e-mail de uma amiga que me contava sobre um grave acidente de carro que seu filho mais velho sofreu. Ele está em coma induzido, e ela é claro, desolada! Infelizmente o seu filho é usuário de drogas... Sei de todos os esforços que a minha amiga fez para que ele abandonasse este terrível vício. Desejamos que em breve isso possa acontecer.

Cito a história dela como um exemplo dentre muitos que acontecem em diversas famílias no mundo inteiro. Por isso digo que nunca é cedo ou tarde demais para orientarmos os nossos filhos sobre a vida, e principalmente sobre o uso de drogas...

Ontem, o meu pequeno perguntou sobre o que era o cigarro. A sua pergunta saiu da seguinte maneira: "Mamãe, o que é esse negocinho branco e fino que as pessoas põem na boca e sai fumaça?" 
Atenção! Fiquem atentos para as perguntas que seus filhos fazem e aproveitem elas ao máximo para informar, formar moralmente e educar os seus pequenos. Esses momentos de questionamentos, são verdadeiros sinais de que a criança está preparada para receber a informação. 
Expliquei ao meu filho o que era o cigarro e mostrei fotos na internet. Cada foto foi um questionamento e uma oportunidade para educar. 
Hoje ele estava assistindo TV e passou uma propaganda de cigarro. Ele falou: mamãe, aquele homem está fumando cigarro e vai ficar doente! Essa fala foi a minha certeza de que a nossa conversa teve efeito positivo.

Tem uma maravilhosa história em quadrinho de Maurício de Sousa sobre o uso de drogas. Leia para o seu filho. Acredite, ele lembrará dela na hora em que algo semelhante ocorrer.
Acesse o site para ler a historinha. http://www.monica.com.br/institut/drogas/#top
Bom Proveito!
Lila

sábado, 21 de agosto de 2010

No Parque

A pequena historinha abaixo, mostra com clareza como as crianças lidam com a própria timidez.
"Dia desses eu estava sozinha
Sentada num banquinho
Que só tinha lugar para mim
Ai pensei:
Que tal procurar um outro lugar
com mais espaço
pra outro caber?
Sai voando e encontrei um banco comprido
Tão grandioso que acomodaria uma geração de borboletas!
E não demorou para chegar a companhia
"Gosta de vir ao parque?", perguntou.
"Sim, sim. Aqui tem árvores, sorvete e vento gostoso".
"Eu também adoro o vento! Ele desmancha os cabelos,
mas também faz cafuné."
Quer saber? Agora só procuro sentar
em bancos bem grandões assim".
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Fotos: Dani Romanesi

Almofadas no Chão

Olá queridos leitores do blog!
Para reativar o blog depois de quatro semanas ausente, escolhi este texto que amo de paixão.
Que ele inspire a pequena criança que existe dentro de cada um de nós.
Com carinho,
Lila
"Você é uma criança e sempre será.
Por mais que os anos lhe pareçam pesos acrescentados à sua bagagem, você nunca esquecerá de uma caixa cheia de brinquedos.
Ainda que sua alegria de hoje não seja a mesma dos anos primeiros, jamais lhe será possível esquecer como era sorrir sem medo de ser feliz.
Mesmo que decepções tenham abalado sua confiança nos semelhantes, vez ou outra você se lembrará de alguém pequenino que há muitos anos lhe deu um beijo todo melado, numa festa de aniversário.
Ainda que muitos amores entrem e saiam de sua vida, as lembranças do primeiro amor em nenhum tempo se apagarão de sua memória.
Depois de alguns fracassos, talvez hoje você creia que é difícil alcançar o sucesso, mas para sempre relembrará o orgulho que sentiu de si mesmo quando recebeu seu primeiro diploma.
Se hoje, pouco ou nada a surpreende, após tantos revezes, por certo nunca esquecerá a surpresa e o prazer que sentiu quando descobriu que Papai Noel era o seu papai.
Embora a solidão tantas vezes a assalte, em certos momentos você lembrará como era bom ficar sozinha, falando com seus amigos invisíveis.
Se hoje, em dias de lazer, em praias ou campos, você se policia todo o tempo para não se sentir ridícula, é bem nesses dias que você recorda como já foi gostoso andar sem vestes, inocentemente, e sem sentir vergonha.
Por mais que o tempo passe, você é uma criança e sempre será.
Agora você está aí, crescida, sofrida, cheia de boas e de más experiências, de vivências que a ajudam a prosseguir, mas lá no fundo - bem no fundo - você sabe que alguém que mais tinha a lhe ensinar era a criança que você mandou ficar quieta, comportada, sentada lá num cantinho, não podendo abrir a boca sem pedir licença.
Seja qual for a sua idade, isso pouco importa à sua criança.
É só chamar e ela se aproximará
Chame-a!
Ria com ela... Brinque com ela...
Ela está louquinha para fazer bagunça e para morrer de rir de você e com você.
Alegre-a! Ela merece! Você merece!
Não se importe com o que os outros possam pensar. Pois eles também são crianças e sempre serão.
Convide-os para um passeio no seu trenzinho elétrico.
Talvez eles se neguem a ir, mas um dia se arrependerão.
Ande sem medo de cair, pois para as crianças, Deus coloca almofadas no chão".
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Texto: Silvia Schmidt

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre Meninos e Lobos

"Soldados americanos conversando com crianças afegãs em Maruf-Kariz Distrito de Dand"

"Oito jovens acusados de envolvimento no incêndio a ônibus que matou 14 pessoas no domingo são presos em El Salvador"

"Menino Afegão brincando com uma velha roda. Atrás, um soldado afegão"

"Bombeiro em resgate na região atingida por temporais em Alagoas"

Pego emprestado o título em português do filme de Clint Eastwood (Mistic River) e a história para o título deste post. Lendo o jornal, algumas manchetes e fotos me chamaram a atenção. Jovens violentos, meninos curiosos, soldados, bombeiros. Cada um com uma ação diferente. Uns ajudando, outros provocando dor.

No filme de Clint, a história conta sobre três amigos de infância que voltam a se reunir depois que um deles vive uma tragédia familiar. Tudo começa em um flashback mostrando o trio na adolescência, brincando na rua e escrevendo seus nomes em uma calçada de cimento fresco. Dois homens que se identificam como policiais surpreendem os garotos, repreendem o ato e levam o mais ingênuo do grupo, Boyle. O problema é que ele na verdade é sequestrado e abusado sexualmente pelos farsantes. Um fato que marcará profundamente não só sua vida, mas de todos os três. Trinta anos depois, cada um deles seguiu seu caminho. Boyle agora é um homem casado, mas que não esconde a imagem de um sujeito atormentado pelo passado. Jimmy é um comerciante que tem um histórico criminoso e que tenta levar a vida com a esposa e três filhas. Os dois continuam próximos, ao contrário de Sean, que se afastou e virou policial do departamento de homicídios.
O filme mostra um recorte do que acontece na vida real. Mas, o que determinou o caminho que cada um decidiu seguir? O destino? as suas experiências de vida? os seus traumas? O que torna uns homens diferentes dos outros? Porque alguns jovens se envolvem em ações violentas? É claro que a resposta não é simples, pois envolve muitas questões. Mas vou me deter a educação que damos aos nossos filhos. 

Penso que a educação, a maneira de interagir, os exemplos e ensinamentos sobre amor, solidariedade, compaixão, respeito, afeto, etc que damos aos nossos filhos, ajudam a determinar o caminho que irão seguir no futuro. Então somos responsáveis por quem e pelo que criamos? Sim! O papel de pai e mãe é o mais importante que exercemos na vida. Está em nossas mãos o desenvolvimento de um ser saudável.
Assistindo a um outro filme (Robin Hood) em uma determinada cena um soldado que estava morrendo, pede à Robin que leve a sua espada ao seu pai, pois ele o amava e o considerava demais. Robin diz ao soldado que sabia pouco sobre amor e relacionamento entre pai e filho, pois seu pai o abandonou quando ele tinha 5 anos. A cena deste filme mostra com clareza a realidade do cotidiano de muitas crianças que não aprenderam sobre amor, sobre relacionamento, sobre solidariedade e quando adultos vão reproduzir esse vazio.

Quando vejo cenas como as das fotos acima, me compadeço desses meninos que se tornaram homens com um imenso vazio no peito, vazio que poderia ter sido preenchido com tanta coisa boa e bonita, mas não foi... Rezo para que eles encontrem pelo caminho outros homens bons e que tenham compaixão por eles.

Deixo aqui um pedido para uma reflexão sobre como estamos nos relacionando com os nossos filhos, o que estamos desenvolvendo neles. O que podemos mudar nessa relação e que façamos isso logo.
Com carinho,
Lila

terça-feira, 15 de junho de 2010

Expressando a Raiva

Todos nós já vimos uma criança com raiva. Se você ainda não viu uma, espere até ter um filho... Elas não estão nem um pouco preocupadas em esconder esse sentimento. Quando estão iradas a fisionomia, postura corporal, o tom de voz e os gestos mudam. Aquele anjinho vira uma fera. O primeiro impulso delas é bater, chutar e gritar.

A raiva é importante e natural, mas não podemos permitir que nossos filhos saiam batendo em todo mundo que encontram pela frente em um acesso de raiva. Eles precisam saber diferenciar entre raiva e violência. Violência é a raiva que saiu errado.

Então como podemos ajudar os nossos filhos a estarem confortáveis com esse sentimento?

Costumo dizer que a raiva tem voz e uma razão. Estimule a criança a dizer em voz alta que está com raiva e por que. Ex: “Eu estou com raiva de você porque não me deixou brincar no computador!”. Entender a raiva e um treino e pode levar algum tempo, então tenha paciência e persistência.

Quando as crianças não conseguem dizer o motivo da raiva, você pode dar uma ajudinha. Ex: “Você acha que eu cheguei tarde demais do trabalho hoje? É por isso que está chateado?”

Escute a raiva de seus filhos. Entenda que eles não querem lhe desafiar e nem medir forças, querem apenas ser ouvidos, compreendidos.
Certo dia meu filho ficou muito bravo comigo porque eu não queria deixá-lo fazer algo que me parecia perigoso. Ele muito irritado gritou: “Vou embora dessa casa e não volto mais!” Penso que ele queria me dizer: “Estou com muita raiva de você, principalmente quando não me deixa fazer o que eu quero. Deve ter um lugar melhor para morar” (ou algo assim). Diante daquela fala percebi que precisávamos conversar e deixar algumas coisas esclarecidas. Abaixei-me na altura de seus olhos e lhe disse: “Se você for embora desta casa eu irei junto, pois você é muito importante para mim e vou sentir a sua falta”. Ele me abraçou e chorando disse: “Mas mamãe, você não me deixa brincar”. Conversamos sobre o que aconteceu e naquele momento tudo ficou bem. Mas, não pensem que a cena não se repetiu (Lembram que entender e expressar a raiva é um treino?). Houve outras situações onde ele ficou com raiva e não soube se expressar. Hoje em dia, ele já consegue dizer: “Estou com raiva por (tal motivo)”.

Você é o melhor modelo a seguir para seus filhos, então seja bom nisso. Dê o exemplo! Filhos aprendem melhor sobre a raiva quando tem pais expressivos, muito mais do que com pais sempre contidos. As crianças precisam saber que seus pais são humanos. Quando você estiver com raiva, expresse isso a elas sem insultá-las ou maltratá-las, é claro. Diga as razões da sua raiva e use o tom de voz firme. Ex: “Estou brava com você porque não cumpriu o nosso acordo”. Expressar as nossas emoções de maneira saudável vai nos ajudar a educar os nossos filhos com respeito, empatia e amor.

Abraços,
Lila