domingo, 5 de abril de 2009

Não bata. Eduque!


Quem me conhece sabe que sou uma defensora da não violência contra crianças e adolescentes, por isso, escrever sobre esse tema é acima de tudo um dever.

O meu trabalho com crianças me permite escutar pais e filhos e ter uma visão mais realista de como a educação está equivocada. É claro que a intenção dos pais é de ajudar e educar os seus filhos, mas o que observo é que existe um enorme abismo entre esse desejo e a ação.

Muitos já devem ter escutado a frase: “Pedagogia da Palmada”. Ela mostra claramente um problema sério, que é a banalização do uso da violência como meio de solucionar conflitos. Além disso, ensina a criança que a violência é uma maneira plausível e aceitável. Já perguntei para muitas crianças que apanham de seus pais, o que elas pensam. Pasmem, mas elas acham que é certo, pois fazem “bobeira” e merecem apanhar. É claro que elas não gostam nem um pouco, mas estão convencidas através da ação dos pais, que bater e apanhar é o certo. Não lhes é mostrado outro caminho, então é claro, elas vão acreditar no que é dito e feito.

A realidade é que as punições corporais e psicológicas contra crianças e adolescentes, tais como as palmadas, castigos, chineladas e ameaças, são práticas habituais em quase todas as famílias, e o pior de tudo é que são encarados como ferramentas essenciais para “educar e disciplinar” os filhos. Poucos levam a sério o fato de que o castigo físico e humilhante poderá ter reflexos negativos ao longo da vida da criança; sem falar que constituem uma violação aos Direitos Humanos fundamentais, atentando contra a dignidade humana e a integridade física das crianças e adolescentes.

É bom lembrar que o uso do castigo físico infligido a uma pessoa faz parte de um “ciclo de violência”. Entretanto, muitos pais ainda não enxergam dessa forma, pois esta metodologia educativa está fortemente legitimada em nossa sociedade. Assistimos a programas que ensinam como castigar nossos filhos. Existem muitos livros que ditam normas cruéis sobre como punir e disciplinar. Os pais que utilizam a tapa, a palmada ou a chinelada para “educar” o fazem acreditando que estão fazendo o melhor, mas não percebem o estrago por trás dessa ação. Não vêem que estão abusando da diferença de poder que existe numa relação entre um adulto e uma criança.

Se a violência física contra um adulto não é aceitável socialmente, sendo passível inclusive de sanções legais, porque contra a criança deve ser aceita? Essa é uma pergunta intrigante.

Muitos não têm conhecimento dos efeitos que o bater provoca em seus filhos. Pensam que a criança esquece ou nada assimila. Engano terrível. Existem conseqüências nada positivas nas crianças vítimas de violência doméstica. As consequencias não podem ser generalizadas para todas as crianças, pois depende da experiência de vida de cada uma e da configuração familiar. Entretanto, uma conseqüência direta do uso do castigo físico é o aprendizado equivocado de que a violência é certa e soluciona conflitos e diferenças. A partir desse aprendizado, a criança irá manter o mesmo tipo de relação com outras pessoas, como na escola, com os irmãos e amigos, com os pais, etc. Sem falar em conseqüências psicológicas freqüentes, tais como introversão, medos desconhecidos, baixa auto-estima, insegurança, timidez, excesso de passividade e submissão.

Muitas vezes, a agressão física ou psicológica acaba acontecendo num rompante, não sendo uma prática cotidiana. Quando isso acontecer, sente com seu filho e seja sincero com ele, explicando que perdeu o controle e que se arrepende por isso. Este tipo de atitude é um ótimo exemplo de humildade e de respeito para com o outro. Ao sentar para conversar, você estará dando um ótimo exemplo de que pedir desculpas não é algo do qual a criança deva se envergonhar e de que errar é humano, que nem sempre vocês pais, irão acertar em tudo, apesar de sempre desejarem o melhor para ele. Aproveite o momento para ouvir a criança e procurar, juntamente com ela, estabelecer as “regras” de boa convivência para todos dentro de casa.

Agora se você usa a pedagogia negra* para educar, valer-se do que foi citado no parágrafo anterior não vai adiantar de nada, só vai lhe criar um problema maior, pois ao bater cotidianamente e pedir desculpas, você vai transmitir insegurança, desrespeito e o quanto a sua palavra não tem o menor valor. Antes de tudo você precisa parar de bater e encontrar uma maneira mais humana de educar aqueles que você tanto ama.

Um simples exemplo da perda de controle dos pais, é quando estão cansados demais após um dia de trabalho e descarregam em seus filhos todo o seu estresse. Junto com a criança, você pode conversar e estabelecer que, quando estiver cansado, você precisará de um tempinho para respirar fundo, relaxar e, então, dar a atenção de qualidade que ela merece.
 
Acredito ser importante esclarecer quais são os castigos físicos e humilhantes. A lista é grande, mas cito aqui apenas os mais usuais nas famílias:
· Palmadas
· Beliscões
· Tapinhas na mão
· Pontapés
· Puxão de cabelo
· Rejeição ou desqualificação da criança ou do adolescente
· Bater com a mão ou com um objeto (vara, cinto, chicote, sapato, fios, etc.)
· Xingamentos, humilhações
· Castigos excessivos, recriminações, culpabilização
· Ameaças
· Uso da criança como intermediário de desqualificações mutuas entre os pais em processo de separação
· Responsabilidades excessivas para a idade
· Sacudir ou empurrar a criança
· Clima de violência entre os pais e de descarga emocional em cima da criança
· Obrigá-la a permanecer em posições incômodas ou indecorosas
· Obrigá-la a fazer exercícios físicos excessivos.
· Surras
· Chacoalhar a criança, etc.
Educar não é difícil, mas vai exigir de você paciência e amor. Costumo dizer que antes de qualquer casal decidir ter um filho, eles precisam decidir se estão dispostos a educar. Para isso vão precisar de algum tempo disponível, paciência, respeito e amor para com seus pequenos.

Não delegar a educação dos filhos a terceiros é um precioso passo para a educação de qualidade.

Decidi compartilhar algumas perguntas que frequentemente escuto e percebo que é comum para muitos pais.

“Não tenho autoridade com meus filhos. O que fazer para que eles me respeitem?”- Ser autoritário e ter autoridade sobre os filhos são coisas diferentes. Os pais autoritários geram filhos com medo, insegurança e ressentimento. Ao contrário, pais com autoridade a conquistaram com respeito e diálogo. As crianças aprendem a se relacionar com os adultos a partir da maneira como eles se relacionam com elas. Sabemos que a criança precisa de limites. A idéia não é remover os limites e a disciplina da educação e da criação dos filhos, mas utilizar formas de disciplina sem o uso da violência.

Meu filho está agressivo e não obedece. Já tentei fazer várias coisas e não quero bater. Como dar limites sem bater? O que faço?- Parto do princípio que todas as crianças devem crescer em um ambiente livre de violência e que o diálogo – mesmo com os muito pequenos – deve sempre prevalecer. Uma criança que apanha ou é humilhada vai aprender que os conflitos se resolvem desta maneira. A agressão e a desobediência são um reflexo de uma educação inadequada, e para corrigir um aprendizado equivocado, somente com muita calma e amor. Certamente a criança aprendeu a agredir por defesa e a não obedecer por não acreditar mais nos pais. O processo agora é de reconquista: converse com calma com o seu filho. Muitas vezes as crianças testam os nossos limites e o nosso amor. Se quando a criança grita ou tem um comportamento agressivo e os pais cedem ao que ele quer, ele vai aprender que gritando e caindo no chão ele consegue o que quer. Uma dica: sempre que for falar com eles sobre a atitude que está tendo, abaixe-se para ficar da altura dele e olhe nos olhos. Repita até que ela apreenda o comando que você está dando. Lembre-se que o tempo e a forma como as crianças entendem as coisas é bem diferente do nosso. A paciência é indispensável.

"Apanhei quando criança e sou uma boa pessoa, não aconteceu nada comigo". Porque não devo educar meus filhos da mesma maneira?- Essa pergunta é a mais comum de todas. Embora muitas pessoas acreditem que "não aconteceu nada", castigos deixam sentimentos de raiva, ressentimento, rancor, medo e frustração. Apesar de muitos pais acharem que “educar batendo deu certo”, acredito que “educar sem bater”, com diálogo, respeito e participação fortalece o relacionamento com seus filhos, cria respeito, confiança. Educar com violência acaba legitimando a idéia de que a melhor forma de resolver conflitos é através da violência. Posso quase afirmar que você não gostava nadinha de apanhar, não é mesmo?

Acredito que a forma de educar meus filhos é assunto de minha família. Porque uma questão privada deve ser discutida na “sociedade”?- O castigo físico é uma forma de violência social e viola o direito da proteção integral da criança e do adolescente. A Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada por 130 países, dentre eles o Brasil, recomenda expressamente que as punições corporais na família, na escola e nas instituições penais, sejam proibidas por todos os signatários. O que para muitos parece uma simples questão privada acaba tendo reflexos negativos para toda uma sociedade. Um exemplo é a questão da violência contra a mulher. Até algumas décadas atrás, a violência contra mulher também era considerada um ”problema privado”, e muitos países ainda consideram que a mulher é “propriedade” do homem. No entanto essa situação vem mudando, sendo que muitos países já possuem legislações exclusivas para o tema, e a mulher é progressivamente vista como sujeito de direitos nas mesmas condições que qualquer outro cidadão. Sendo as crianças indivíduos vulneráveis, garantir a sua integridade física e moral é dever de todos: da família, da comunidade e da sociedade. Absolutamente não é um assunto da sua família, é um assunto da sociedade!

Porque eliminar castigos físicos e humilhantes deve ser uma prioridade, quando existem violências mais severas, como o abuso sexual por exemplo?- Por serem amplamente aceitos, e, portanto também corriqueiros, os castigos físicos e humilhantes acabam sendo deixados em segundo plano na luta pela garantia dos direitos das crianças. Todavia, as razões acima são justamente as que fazem deste tema prioritário nessa luta. Trabalhar pela erradicação dos castigos físicos é uma forma de eliminar todas as formas de violência contra crianças, afirmar que existe um “limite” entre violência leve e grave é uma forma equivocada de abordagem, pois ignora a criança como um sujeito de direitos.
Finalmente, todas as formas de violência estão inter-relacionadas e devem ser combatidas igualmente, começando pelos nossos lares.

Abaixo um vídeo para reflexão.
Abraços,
Lila

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*Pedagogia Negra - termo usado pela psicóloga e escritora Alice Miller para definir uma educação desrespeitosa e com violência.
- Fonte que ajudou na postagem: Manual dos direitos da criança e do adolescente.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ser Mãe de Menino


Uma amiga, que está grávida de quatro meses, descobriu-se mãe de um menino quando pensava que seria mãe de sua segunda menina. Surpresa está se perguntando e me perguntou: como é ser mãe de um menino? Eu lhe respondi que é uma experiência maravilhosa. Ri quando ela me fez a sua segunda pergunta: mais maravilhosa que ser mãe de uma menina? Bem, aí eu não sei responder, pois não sou mãe de uma menina (pelo menos por enquanto), mas o que eu quero dizer é que ser mãe de um menino é diferente e pode ser tão gostoso quanto.

Essa amiga me inspirou para escrever sobre a arte, a beleza, a delicadeza e a responsabilidade de ser mãe de um garotinho. Sou mãe de um e simplesmente adoro. Nós brincamos juntos, saímos para passear, assistimos DVD, viajamos, vamos ao cinema, a parques, etc. Com os meninos podemos fazer muitas coisas legais!

O meu filho é um garoto muito sensível, com muita percepção de si e do outro, assim como da natureza. Comento isso não para elogiar publicamente o meu bambino, mas para exemplificar que sensibilidade, empatia e percepção são potenciais que precisamos ajudar a desenvolver em nossos filhos e nos meninos em especial, pois os nossos garotos sofrem com uma educação machista e eles precisam muito de amor, delicadeza e sensibilidade tanto quanto as nossas garotas.

É importante lembrar que num tempo não tão distante assim, nascer um menino era uma benção e uma menina uma falta de sorte. Ainda bem que as coisas mudaram um pouco no contexto cultural, mas, ainda hoje em alguns países meninas podem ser vendidas, abandonadas, etc. Você deve estar se perguntando por que estou falando sobre isso quando o tema é ser mãe de menino? Aí é que está a questão. Ser mãe de menino é, além de tudo, uma grande responsabilidade social, pois os meninos também estão sofrendo com esse formato de educação permeada pela insensibilidade e autoritarismo que damos a eles. Para termos um mundo melhor, precisamos criar e educar filhos mais felizes, saudáveis e sensíveis diante da dor do outro, para este último damos o nome de empatia (colocar-se no lugar do outro). Ensinar empatia é algo fundamental e indispensável na educação de nossos meninos.

Percebo nas mães a sensação de prazer em ser mãe de uma menina. Elas falam do companheirismo e da amizade que as filhas podem proporcionar e do receio em ser mãe de meninos pelo motivo contrário. Eu particularmente conheço muitos meninos companheiros e amigos de seus pais. Eles são assim se o educarmos para serem assim.

O que acontece é que a educação dos meninos está recheada de preconceitos e tabus*, pois muitos pais têm medo de educar seus filhos homens com delicadeza e sensibilidade por receio de se tornarem femininos, delicados ou sensíveis demais, como se homens não o pudessem ser.

Nos EUA foi feita uma pesquisa curiosa sobre como lidamos emocionalmente diferente com meninos e meninas. A pesquisa foi feita em uma maternidade e consistia em vestir os bebês meninos com roupa cor de rosa e os bebês meninas com roupa azul. As pessoas que visitavam os bebês pegavam as supostas meninas vestidas de cor de rosa, no colo e com muita delicadeza faziam voz macia, gesto delicado, diziam frases sensíveis para expressar carinho, etc. As pessoas que pegavam os supostos bebês meninos vestidos de azul no colo o faziam com menos delicadeza, pois eram meninos, a voz era mais grossa para expressar carinho, os gestos menos delicados e a sensibilidade menos expressa. No final de cada visita, era revelado aos visitantes o verdadeiro sexo dos bebês, o susto era grande e a mudança de comportamento em relação aos mesmos, visível. Essa pesquisa mostra como de fato as pessoas lidam, educam, pensam diferente em relação aos meninos e meninas.

Muitas mães querem ter uma menina para ir às compras, ao salão de beleza, as festas, para enfeitar com coisas legais no cabelo e corpo, etc. Os pais querem um menino para levar para o futebol, para a natação, oficina, etc. As meninas fazem coisas de menina com a mãe e os meninos fazem coisa de menino com o pai, com isso a família vai se fragmentando sutilmente e os valores ficam distorcidos em relação à educação, cultura e amor de pais. No futuro, quando se tornam adultos, a moça não terá muito que fazer, conversar com o pai e o rapaz não terá muito que fazer, conversar com a mãe, não por culpa deles, mas eles aprenderam que era assim: tudo fragmentado.

Existe algo que muitas vezes os pais esquecem: que os filhos existem não para atenderem as nossas necessidades, mas para se tornarem indivíduos saudáveis e cumprirem o objetivo que os trouxe à vida. Nós pais precisamos ajudá-los nisso. É a nossa missão! Existe uma frase que sempre digo em oração ao meu filho desde que ele estava em meu ventre “Que você meu filho se torne um homem Honesto, Justo e Bom”. Para mim, honestidade, justiça e bondade, são valores que precisam ser ensinados e valorizados em nossos filhos acima de qualquer outro.

Nós como pais, precisamos refletir sobre quais valores estamos repassando, ensinado aos nossos filhos, e acima de tudo se estamos tendo tempo de ensinar tais valores ou se estamos delegando essa importante e vital tarefa a alguém, pois muitas vezes preferimos ficar até tarde no escritório enquanto alguém ensina o dever de casa ao nosso filho, ou mesmo a tocar piano ou a jogar bola. Como bons e dedicados pais pagamos todas as contas, mas não educamos os nossos filhos. Com isso, perdemos fases preciosas da vida, nossa e deles, momentos valorosos onde podemos construir afeto, união, amor e desenvolver filhos saudáveis.

Na educação de meninos, observo muitos pais tendo uma postura que paira o descaso e chega à irresponsabilidade, permeada pelo seguinte argumento: “É um menino, precisa aprender desde cedo a se virar sozinho e a ser independente e forte, a ser homem. Deixa ele se virar!” Infelizmente é esse tipo de pensamento e educação que está deixando os nossos meninos perdidos, confusos e com conflito de identidade.

Imagine-se no lugar de um menino que em uma idade que precisa de educação, proteção e orientação, é deixado sozinho para aprender, que tipo de menino você se tornaria? Sensível para com a dor do outro? Bondoso? Justo? Provavelmente não, pois esses são valores que precisam ser ensinados por alguém. Quando estamos sós e perdidos, aprendemos com o que está ao nosso alcance, e valores morais não estão tão acessíveis assim no dia a dia.

Os meninos precisam de atenção tanto da mamãe quanto do papai, pois cada um vai passar um tipo de conhecimento ao filho homem. A mãe vai lhe ensinar sobre amor e segurança, acolhimento e sensibilidade. O pai vai lhe transmitir interesses por atividades, competências, habilidades, afabilidade, humor, equilíbrio, masculinidade (que é diferente de machismo). A vida dos meninos caminha melhor quando a mãe e o pai estão por perto educando-o. Quando um deles se ausenta de manifestar calor e afeto, principalmente nos primeiros anos de vida, para suportar a dor e o sofrimento, o menino “desliga” a sua parte mais terna e amorosa, tornando-se uma criança triste ou raivosa, por exemplo.

Um dia escutei de uma mãe desconhecida em uma praça pública, uma conversa que me pareceu absurda. Ela estava com um bebê de aproximadamente seis meses e disse à outra pessoa que não gostava de deixá-lo no colo por muito tempo que isso iria mimá-lo demais, que ela o deixava no berço a maior parte do tempo para ele ir se tornando independente dela. Penso que esta mãe não tinha a intenção de maltratar seu filho, apesar de está-lo fazendo, mas sim que era ignorante na arte de educar uma criança. Abraçar, beijar, cheirar, brincar, rir, criar afeto, vínculo, demonstrar amor nunca é demais, não mima, não estraga filho; o contrário sim!

Para termos filhos meninos ou meninas felizes e saudáveis, precisamos demonstrar carinho, afeto, amor, dizer o quanto eles são importantes. Vamos elogiar sua conquista por menor que pareça para nós, mas para eles, ela deve ter sido enorme. Vamos parabenizar pela nota conquistada, por mais que não tenha sido a desejada, e dizer: “na próxima vez você vai se esforçar mais e vai conseguir uma nota melhor, eu tenho certeza e acredito em você!” Vamos exigir menos e acreditar mais, incentivar mais, cuidar mais, estar mais por perto. Eles com certeza sentem a sua falta.

Ame, beije, abrace seus filhos não importa se eles têm cinco, dez ou quinze anos...

Um grande abraço a todos!
Lila

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Fonte Wikipédia:
*Preconceito é um
juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos".
*Tabu é um assunto de que simplesmente não se fala por várias razões: porque é alvo de opiniões contraditórias, porque é um assunto que interfere com a sensibilidade das pessoas, etc. Também pode ser considerado como qualquer assunto inaceitável ou proibido em uma determinada
sociedade

Filhos de Pais Alcoolistas e a Relação de Co-dependência


Trago este tema, pois esta é uma realidade para muitas famílias brasileiras. Muitas vezes nem mesmos os filhos sabem reconhecer se seus pais são ou não alcoolistas, apenas observam que seus pais bebem um pouco demais e ficam “diferentes”. Isso se dá devido a relação álcool e família ser protegidas dentro do lar. Para percebermos isso é só observarmos quantas pessoas bebem dentro de casa, em festas familiares, no dia a dia. Não falo de um copo de vinho no jantar, falo de uma grande quantidade de bebida. Um exemplo de proteção a que me refiro aparece nas falas do tipo: “Pelo menos está bebendo dentro de casa e não na rua”, “Prefiro que beba em casa, pois é mais seguro”. Por isso, a criança ao se tornar adulta tem dificuldade em reconhecer se um dos seus pais era ou é um alcoolista, e na maioria das vezes esse reconhecimento vem devagar, é uma percepção que vem com o tempo, quando vem. Para muitos, reconhecer que um membro da família é alcoolista, quebra regras familiares e viola o silêncio que emudece as famílias amedrontadas e revela segredos que foram mantidos escondidos por anos.

O que muita gente não sabe é que o alcoolismo é uma doença com várias classificações. Vou me referir aqui a física e a mental. É uma doença física, pois nem todo mundo que bebe igual quantidade de álcool se torna dependente. Algumas pessoas experimentam “blackouts” (falhas de memória) na primeira vez que fica bêbada. Num outro nível, alcoolismo é uma doença mental, uma vez que pessoas se tornam fisicamente dependentes do álcool, mesmo que num grau mínimo, suas funções mentais ficam alteradas. Elas já não podem sentir emoções intensamente nem podem pensar com o máximo de clareza.

É claro que todo consumo excessivo de álcool gera problema não só para o individuo ou para a sociedade, mas em especial para a sua família. E, em toda família que existe um alcoolista existe a relação de Co-dependência*. Mas o que é isso? Timmen L. Cermak nos dá a seguinte explicação para a co-dependência: “Quando duas pessoas (ou duas nações) se tornam interdependentes, ambas concedem ao outro poder sobre seu bem estar. Por outro lado, quando duas pessoas se tornam co-dependentes, ambas dão ao outro poder sobre sua auto-estima. Quando alguém falha com você numa relação de interdependência, você padece uma perda de dinheiro, tempo, etc. Mas quando alguém falha com você numa relação de co-dependência, você padece uma perda de auto-estima”.
O exemplo abaixo demonstra as relações distorcidas que existem numa família alcoolista, e o papel que todos os membros da família desempenham na manutenção dessas distorções.

“Um casal senta-se no consultório com suas costas ligeiramente voltadas um para o outro. Seu filho mais velho, quase às lágrimas, está sentado entre eles. Eles não falam abertamente sobre o que está acontecendo. Os pais negam sentir qualquer coisa. O filho parece ter medo de chorar e insiste que as coisas estão melhores, agora que a bebedeira parou. Um dos pais olha para o filho com desprazer. O outro olha com pena e estende a mão para segurar o filho que se retrai”.
Quem é o alcoolista na família? Poderia ser qualquer um dos três. Faz alguma diferença? Há algo em comum no comportamento dessas pessoas. Este algo é chamado co-dependência.

“Co-dependentes vivem de acordo com um conjunto de regras não faladas, que validam e legitimam a crença de que seu senso de auto-estima depende de como se comportam os que lhes são próximos. A fim de se sentir bem a respeito de si mesmo, eles direcionam suas energias para fazer outros felizes. Eles se bajulam dizendo que são amorosos, ajudadores e que estão salvando alguém. A verdade é que eles estão tentando controlar a vida de outra pessoa, num esforço de tornar suas vidas mais seguras. Nesse processo, eles dão ao outro um grande poder sobre si mesmos.” Timmen L. Cermak.

A relação de co-dependência não acontece apenas com pessoas que não se dão bem, mas em relações aparentemente saudáveis, o que a torna mais difícil de ser identificada. Como a relação acontece?
Por exemplo: começa quando uma pessoa com baixa auto-estima se junta a outra e esse tipo de situação permite a duas pessoas, que são incapazes de se sentir bem consigo mesmas, conseguir uma sensação de auto-aceitação através de sua conexão uma com a outra. Os laços entre co-dependentes transformam-se em limitações. Mais tarde os dois poderão se sentir aprisionados por sua inabilidade de tolerar rejeição e exauridos pelo peso da responsabilidade, pela segurança e felicidade do outro. Sua intolerância à rejeição literalmente os tranca dentro de uma relação de co-dependência.

A relação de co-dependência aparece em muitas relações, não é um privilegio das famílias que possuem um membro alcoolista.

Cito abaixo cinco características de relação de Co-dependência:

1- Co-dependentes mudam quem eles são e o que estão sentindo para agradar aos outros.
2-Co-dependentes se sentem responsáveis por preencher as necessidades de outra pessoa, mesmo que à custa de sua própria necessidade;
3- Co-dependentes têm baixa auto-estima;
4- Co-dependentes são movidos por compulsões;
5-Co-dependentes fazem o mesmo uso da negação e da relação distorcida com a força de vontade que é típica de alcoolistas ativos e de dependentes de outras drogas.

As cinco características da co-dependência apresentadas aqui podem ajudar você a identificar qualquer tendência em si mesmo para ser co-dependente. Acima de tudo, co-dependência é uma sensação interna.
Tal qual o alcoolismo, faz pouca diferença se alguém está colocando a etiqueta em você. O que importa é se você sente que a etiqueta lhe cabe.
Talvez a definição de um co-dependente seja mais bem expressa pelo dito “Quando um co-dependente está morrendo, o que passa diante de seus olhos é a vida de uma outra pessoa”.
Desejo que a sua vida passe diante dos seus olhos, não na hora da sua morte, mas no auge da sua vida!

Um Abraço!
Lila
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*A definição científica de co-dependência: Necessidade imperiosa em controlar coisas, pessoas, circunstâncias/comportamentos na expectativa de controlar suas próprias emoções.

Fontes que ajudaram na postagem:
Sede de Plenitude – Christina Grof – Editora Rocco
Sobre Adultos Filhos de Alcoolistas - Timmen L. Cermak, M.D (livro ainda não editado para o português).
Site: http://www.alcoolismo.com.br/

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Por que os adolescentes ficam tão irritados?


Gosto de observar pessoas e a minha profissão me encoraja a fazer isso, mas gosto de observá-las principalmente por ser muito interessante. As crianças e os adolescentes têm uma atenção especial nas minhas observações, pois eles me surpreendem. As crianças são leves e espontâneas, elas de fato não se preocupam com quem está por perto, diferentemente dos adolescentes que parecem estar sempre querendo dizer algo para todos, sejam através de suas roupas, gestos, falas, posturas ou humor. Ah, o humor, quase todo mundo conhece ou vai conhecer um adolescente irado, pois quase todos expressam a sua ira em algum momento do seu crescimento como ser humano. Para eles, este é um poderoso meio de comunicação dos seus sentimentos, mas em geral ela é assustadora para os pais e as demais pessoas que convivem com o jovenzinho.

Quando observo os jovens, acabo refletindo sobre os lares de onde eles vêem, é como se eu pudesse afirmar quais vêem de lares estruturados e cuidadosos e quais vêem de lares conflitantes e desorganizados. Mas, quando os observo com mais detalhe e fito os seus olhos, toda aquela minha confiança vai embora. Mesmo porque conheço adolescentes rudes que tem pais com o coração de ouro e outros calados, retraídos que tem uma família que faria qualquer um estremecer.

Os pais sempre perguntam: “É normal um adolescente sentir tanta raiva?”. Pasmem, mas a resposta é “Sim”. Todos os adolescentes experimentam esta emoção. Na verdade o adolescente deve sentir-se zangado, pois sem essa expressão emocional, seus sentimentos negativos ficariam sufocados dentro de si e poderia prejudicá-lo físico, emocional e espiritualmente. O que estraga é o excesso de raiva e o fato de não sabermos como lidar com ela.

Nós adultos ensinamos aos nossos filhos que a raiva é uma emoção negativa. Atrevo-me a afirmar que você já disse ao seu filho: “Você não pode falar nesse tom de voz comigo!”. Bem pelo menos eu já disse, pois temos uma necessidade de comunicar aos nossos filhos que as pessoas “más” é que ficam zangadas e as “boas” livram-se da sua raiva. É o que aprendemos e vamos repassando sem muita reflexão do que estamos fazendo.

Bem, dizer simplesmente aos nossos filhos que deixem a sua raiva de lado não adianta muito, precisamos ensiná-los a usar construtivamente este emoção. E como fazemos isso? Hoje pela manhã, tive um exemplo prático em casa de como podemos permitir que a raiva de nossos filhos se expresse, mas com consciência e responsabilidade. O meu pequeno de quatro anos e sete meses estava jogando no computador, ele têm um “pavio meio curto” e como não estava acertando a jogada, ele “espancou” o teclado do computador. Eu lhe disse: filho, assim o computador quebra e você não poderá jogar mais, porque não bate no colchão? Ele me olhou por um segundo e coitado do colchão, apanhou bastante. Bem, meu filho não é um adolescente ainda, mas sinceramente até lá espero que ele aprenda a lidar positivamente com toda a sua raiva.

Mas como podemos ajudar os nossos adolescentes irados? Quero começar pelo que “Não” devemos fazer, pois tais comportamentos somente aumentarão a ira: (Obs.: estas dicas servem para as crianças também)

- Não forcem o adolescente a pensar ou a agir de determinada forma;
- Não tirem dele objetos apreciados, esperando coagir o jovem a colaborar;
- Não diga que ele precisa pensar em maneiras construtivas de lidar com as suas emoções (quem está com raiva não pensa);
- Não use força física;
- Não o faça se sentir culpado para que se arrependa;
- Não use chantagem;
- Não retire o afeto para que ele aprenda a respeitar as suas emoções;
- Não dê sermões;

Então o que podemos fazer? Você deve estar se perguntando...
Convido vocês a compreendê-lo. Os adolescentes irados em geral, lançam a acusação: “Você não me entende!” quando começamos a entendê-los a cura começa a operar.

Muitos pais dizem que se compreenderem seus filhos eles vão achar que concordam com o que estão fazendo. Primeiro passo é realmente entender que compreender e concordar não são sinônimos, podemos compreender sem concordar. Os adolescentes sabem quando estamos fazendo isso. Por que muitas vezes o processo de terapia com adolescente é eficaz? Exatamente por que ele é compreendido, por mais que saiba que muitas vezes seu terapêuta não concorda com ele.

A raiva de um adolescente sempre tem uma fala por trás e fazermos realmente um esforço para compreendê-las é tentar efetivamente ajuda-los, sem a necessidade da força física, castigos ou argumentos sobre a vida e etc., pois eles pensam: esta não é a minha experiência, é a sua! E eles têm razão.

Eis algumas declarações que escuto desses adoráveis jovens:
- “Ninguém nota as minhas necessidades”, pode parecer exagerado, mas ele está pedindo para ser tratado com justiça. Eles se sentem desrespeitados.
- “Tenho vergonha do erro que cometi, mas como posso admitir sem levar sermão?” O embaraço vivido por uma experiência muitas vezes é disfarçado de ira. Eles não gostam de parecer fraco, mas quem gosta?
- “Eu perco o controle” Na adolescência provamos de uma independência que não tínhamos na infância e tememos perdê-la. É só lembrar de você adolescente, tenho certeza de que já passou por isso.
- “Eles acham que eu não sei tomar decisões” Eles estão tentando ganhar autoconfiança e maturidade e precisam ser assegurados por nós que podem ser capaz de tomar decisões e que isso é um aprendizado.
- “Eu não quero perder a minha juventude” Acho esta expressão muito significativa, principalmente quando vêem da boca de meninos e meninas de 13, 14 anos. Eles se referem ao aqui e agora, para eles a juventude está acontecendo e querem explorar o mundo. Precisamos ensiná-los a fazer isso com responsabilidade.

Não pense que a raiva do adolescente vai passar imediatamente só porque você o está compreendendo, as coisas não são tão rápidas assim. Quando você está com raiva, você se acalma imediatamente? Claro que não, não é? Você precisa de um tempo, até para a respiração se normalizar, o coração desacelerar, etc. Com o adolescente é da mesma forma. Então tente agir da seguinte maneira em momentos de crise de raiva do(a) seu(a) filho(a):

- Evite uma explosão de ânimos entre vocês, ou seja, evite brigas inúteis (na verdade elas sempre são inúteis), pois em uma discussão com um adolescente você pode ganhar uma batalha, mas você perde a guerra. Espere ele se acalmar para depois conversar.
- E nessa conversa foque a situação de maneira objetiva, sem sermões que eles simplesmente odeiam e não use a sua experiência de vida para dar exemplos do tipo, “Quando eu tinha a sua idade...” esse argumento só levará o adolescente a pensar que você não o entende e não entende nada.
- Repense na relação de vocês, o que ele pode estar dizendo por trás de tamanha raiva, esse é um grande passo para a compreensão. Uma dica: coloque-se no lugar dele, pensando “Se eu tivesse X idade o que eu queria dizer com isso?”.- Tenha mais tempo de qualidade com seu filho adolescente. Preocupamos-nos de fazer isso quando eles são pequenos, mas deixamos de lado quando eles crescem, porém as necessidades continuam, em formato diferente, mas estão aí. Eles querem a nossa atenção e o nosso respeito. É claro que não posso deixar de mencionar o amor, mas amar simplesmente não basta, o amor precisa estar associado a compreensão, paciência, comunicação e orientação positiva.

Penso que muitas vezes nos afastamos de nossos filhos quando eles crescem porque não sabemos lidar com o adolescente e adulto que existe dentro de nós. E quando nos vemos refletidos em nossos filhos, ficamos assustados e irados tanto quanto ou mais que eles. É como se estivéssemos com raiva de nós mesmos.

Estarei focando novamente este tema por aqui, pois ele é amplo e o considero importantíssimo para nós pais e para os nossos jovens.

O vídeo abaixo é de uma propaganda japonesa que foca a qualidade de tempo dos pais com os filhos. Reflita sobre como você está lidando com os seus.

Abraços;
Lila Rosana



domingo, 1 de fevereiro de 2009

Criança vê, criança faz!


O que decidimos ensinar aos nossos filhos vai além das palavras, os mais eficazes aprendizados se dão pelo exemplo. Tudo o que fazemos e dizemos tem sempre um olhar observador e um ouvido atento, por mais que nós não percebamos. Filhos são observadores sutis. Seus filhos podem não falar nada, mas certamente estarão tirando suas conclusões. Todas as experiências observadas ficam impressas na mente. Crenças, valores e exemplos apreendidos vão estar presentes no momento em que estiverem em situações semelhantes.

Nós pais, somos os primeiros modelos de vida para nossos filhos e é através dele que as crianças procuram entender o mundo. É de onde vão tirando as suas conclusões do que é certo/errado, bom/ruim, o que podem ou não fazer. Não adianta nada você falar para seu filho que ele não pode mentir se ao tocar o telefone você diz: “Se for para mim diga que eu não estou.” Os exemplos falam mais do que as palavras. “As crianças fazem o que vêem fazer, não o que lhes dizem para fazerem”.

Um psicólogo chamado Alfred Bandura pesquisou um processo que ficou conhecido como “Aprendizado Social”. Ele separou dois grupos de crianças e as levou para uma sala repleta de brinquedos variados, entre eles um joão-teimoso. O primeiro grupo brincou à vontade com os brinquedos, inclusive com o joão-teimoso. O segundo grupo, antes de entrar na sala, assistiu a um vídeo em que uma criança começava a brincar com o joão-teimoso e levava uma bronca enorme de um adulto, que lhe dizia para não tocar no boneco. Depois de assistirem ao filme, as crianças foram conduzidas para a mesma sala de brinquedos do primeiro grupo. Bandura notou que as crianças brincaram à vontade com os brinquedos menos com o joão-teimoso, que ninguém tocou. Ou seja, ninguém lhes disse para não brincar com o boneco, mas viram o que aconteceu com a criança que se meteu a fazê-lo e acharam melhor procurar outro brinquedo.

Esta pesquisa é um bom referencial de que as crianças não aprendem só com a própria experiência, mas especialmente com a experiência de outros.

É de extrema e vital importância estarmos atentos aos ensinamentos que queremos passar para nossos filhos, pois as nossas crenças originais permanecem conosco e continuam a influenciar nosso modo de ser e pensar durante anos.
O vídeo acima foi produzido por uma ONG Australiana para uma campanha sobre o tema: Criança vê, criança faz!