quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Primeiro Amor

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Arquivo Pessoal
 
 
 
Quando eu estava na Universidade estudando psicologia e ainda nem me imaginava como seria ser mãe; lia nos livros e escutava os professores falando sobre o amor do menino pela mãe e da menina pelo pai. Sem a menor ideia de como seria isso na vida real, eu ia acreditando na teoria dos grandes mestres como Freud, Jung e muitos outros.
 
Hoje em dia, já no exercício da maternidade e observando meu filho no seu dia a dia,  posso confirmar o que tanto estudei por anos: as meninas amam os pais e os meninos amam as mães.
 
Pai e mãe são os primeiros amores na vida das crianças. E não há nada de mal nisso; aliás, é fundamental que esse amor exista, pois é a partir dele que as crianças irão formar o modelo de amor que desejam receber no futuro.
 
Treinando futuros relacionamentos
 
As crianças sem que tenham a menor noção sobre isso, estão “treinando” para o exercício de uma vida amorosa quando adultos. Não podemos negar que isso existe, pois faz parte da natureza humana, assim como não podemos deixar passar essa importante oportunidade para ensinarmos aos nossos filhos sobre este valioso sentimento, o amor.
 
Como isso funciona para as meninas
 
A menina precisa sentir-se valorizada pelo pai. Ela adora os elogios que recebe para os cabelos, roupas e o sucesso adquirido nos esportes e atividades escolares.
 
É muito importante que o pai enxergue as qualidades da filha e demonstre essa percepção para ela. Exemplo: “Filha, seus cabelos estão bonitos com esse laço” ou “Parabéns querida, você fez uma excelente apresentação no balé/judô”.
 
A menina espera os elogios do pai e, justamente por isso, críticas não são bem recebidas ou mesmo, são sempre evitadas por elas. Ser a “queridinha do papai” é algo muito importante na formação da personalidade das meninas.
 
Como isso funciona para os meninos
 
Já o menino espera que a mãe o elogie dizendo o quanto ele é inteligente, forte e corajoso. Ouvir da mãe que é um fraco, medroso ou tolo é como destruir um lindo castelo de areia.
 
Os meninos se sentem bem ao ajudar a mãe em tarefas que exijam força e rapidez, tipo carregar as sacolas de compras ou correr para atender ao telefone antes de todo mundo. Ficam felizes em fazer cartões para as mães e se derretem diante de qualquer elogio recebido por elas.
 
Quem se atreve a tirar o “brilho dos olhos” de quem está apaixonado?
 
As críticas construtivas fazem parte da educação.  Se você tem uma filha menina, deixe-as para a mãe ou para uma figura feminina responsável pela criança. Escutar do pai que está feia ou com mau hálito, é um embaraço sem igual para as meninas.
 
O mesmo acontece para os meninos. Se eles precisam engordar ou emagrecer, não é a mãe quem irá dizer que ele está gordinho/magrinho demais e precisa de uma dieta especial. Essa é tarefa de “homem para homem”, então deixe isso para o pai.
 
 
Dica importante!
 
Sempre devemos usar o bom senso e muito tato quando o assunto é criticar positivamente uma criança.  Como a própria palavra diz, elas precisam construir de maneira positiva essa personalidade que está em formação e, jamais destruí-la.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Precisamos educar as nossas meninas


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Não é novidade que nós pais somos os responsáveis pela educação e formação geral de nossos filhos; porém nesse texto quero enfatizar a influência feminina sobre os filhos, sem absolutamente excluir a importante e fundamental participação masculina.  
 
Nós pais podemos formar (ou deformar – como diz a autora Alice Müller) a vida emocional dos nossos filhos. E nós mães sem a menor dúvida, temos uma influência enorme sobre as nossas “crias”.
 
A responsabilidade materna
 
Tornar-se mãe é uma decisão que passa por diversas variáveis e vai exigir muito de quem deseja educar e não apenas criar os filhos. O que observo é que muitas mães sem ao menos se dar conta, usam a maternidade com propósitos egoístas. Certa vez escutei de uma mãe o seguinte comentário: “Precisamos ter pelo menos dois filhos, pois será difícil deixar nas costas de um a responsabilidade de cuidar da gente (pais) na velhice”. Tenhamos em mente algo: Filho não é plano de aposentadoria! Porém, muitos pais fazem essa inconsciente relação.
 
Que relação é essa?
 
As mulheres carregam os filhos no ventre por no máximo nove meses e esse é sem dúvida, um tempo para uma ligação além de visceral; mas energética, mental e emocional. Nós mães somos o primeiro contato de qualquer ser humano com o mundo. Olhem a grandeza e importância dessa experiência.
 
Quem dera todas as mães pudessem ser amorosas e emocionalmente equilibradas. Seria quase perfeito e provavelmente teríamos uma sociedade mais saudável. Mas para chegarmos próximo desse ponto é preciso trilhar um longo caminho que começa a ser percorrido desde a infância.
 
Mãe, eu vejo o mundo com os seus olhos
 
Quero falar de algo que muitos ainda duvidam ou duvidavam, mas quando mencionamos que a “ciência comprova”, tudo passa a ter um novo e diferente crédito. Então vamos lá...Comprovados estudos, mostram que a partir do terceiro mês de gravidez, o feto já consegue absorver sensações maternas arquivando-as em suas memórias perinatais (dentro do útero). Essa é uma maneira que o feto e futuro bebê, começa a formar a sua percepção de mundo, e isso tem seu início através da mãe.
 
Ego discriminador...O que é  isso?
 
Como dito acima, o primeiro contato do bebê com o mundo é través da mãe e, as nossas percepções, ações, crenças, comportamentos e etc passam a ser também as de nossos filhos. Isso significa que temos uma enorme responsabilidade em nossas mãos. E, para tornar a grande aventura da maternidade algo mais emocionante, ainda vamos lidar com o seguinte aspecto: a ausência do ego discriminador durante a infância. O *Ego discriminador, em um breve resumo, é a capacidade humana de separar o que é meu e o que é do outro. Quando uma criança escuta a mãe dizendo: “Você é chato e pare de me atrapalhar!” Ela vai realmente pensar que é uma criança chata e que atrapalha a mãe. A criança não consegue entender, separar e assimilar que naquele momento em que mãe lhe diz isso, é porque ela está estressada ou com raiva e que está descarregando a  emoção dela em cima da criança.  A criança entende: “Eu sou!” e não: “Ela sente isso!” Somente a partir dos 12 anos que a criança começa a descobrir a sua identidade, podendo quem sabe, iniciar a responder à pergunta “Quem sou eu?”.
*Ego: De acordo com a psicanálise, o Ego é responsável por manter o equilíbrio do nosso aparelho psíquico.
Por que devemos educar as nossas meninas?
 
Pelo simples e importante fato de que elas serão as futuras mães, e elas estarão educando as próximas gerações; e seus filhos, educando as seguintes e assim por diante. Tudo o que vivemos durante a nossa infância estará nos guiando na fase adulta. Se tivermos vivido situações dramáticas, difíceis ou excessivamente tristes, ou mesmo alegres, respeitosas e íntegras, estas experiências serão a nossa referência de mundo e são elas que ensinaremos aos nossos filhos.   
 
“Eu apanhei e não morri”
 
Quando sofremos abusos durante a infância e sobrevivemos a eles, temos o nosso corpo físico vivo, mas provavelmente o nosso corpo emocional está fragmentado, doente e sofrido.
Já conversei com muitas mães que se sentiram pressionadas pelas “cobranças atuais sobre educação de filhos”. Elas frequentemente me diziam: “Hoje em dia tudo é proibido – bater, castigo e etc. Na minha época eu apanhei e não foi pouco, e estou aqui viva e inteira para contar a história!” -
Compreendo perfeitamente o que elas dizem e como se sentem. Mas em geral após esses comentários terem sido ditos, eu fazia a seguinte pergunta: “Se você pudesse ter escolhido entre apanhar ou não, entre ter tido pais amorosos ou estressados, o que você escolheria?” - Adivinhem as respostas.
 
Sobreviventes emocionais
 
É claro que nenhuma criança quer apanhar ou mesmo sofrer castigos. Quem sobrevive a pais abusadores são chamados de “sobreviventes”, literalmente falando (Rosa Cukier fala melhor sobre esse tema em seu livro Sobreviventes Emocionais) E como tais possuem sequelas, dores armazenadas e sufocadas no íntimo de seu ser, e essas irão se manifestar mais cedo ou mais tarde sem o olhar atento de quem vê a verdade dentro de si mesmo.
 
Vidas em ciclo
 
Pensem em quantas mulheres que foram surradas durante a infância e que se casaram com homens que continuaram a bater nelas e com isso, perpetuaram esse ciclo batendo em seus filhos ou mesmo permitindo que eles apanhassem de outras pessoas, seja o pai, avós ou tios.  
 
Pensem em quantas mulheres que foram sexualmente abusadas e que hoje são descuidadas com suas filhas meninas, fazendo “vista grossa” para que o abuso com elas aconteça dentro de casa por aqueles que deviam protegê-las.
 
Pensem em quantas mulheres que sofreram com as inúmeras chantagens emocionais de suas mães, devido a carência, imaturidade ou transtornos psiquicos que elas sofriam e, que hoje tem dificuldades para cuidar de si mesmas sem se sentirem culpadas por estarem abandonando a mãe para viverem as suas próprias vidas.   
 
Precisamos urgentemente cuidar de nossas meninas. Precisamos encerrar o ciclo de abusos. Preisamos libertar as futuras gerações para uma vida emocionalmente saudável. Precisamos de homens equilibrados que serão frutos de mães conscientes e responsáveis. Precisamos gerar uma nova sociedade e, isso começará dentro de um ventre.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Férias da criançada e o consumismo


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As férias escolares estão batendo à porta, e crianças com tempo livre demais são “um pé” para o consumo descontrolado; seja o consumo ilimitado de comida, excessivos passeios aos shoppings, horas a mais em frente ao computador ou na televisão.

Existe algo que nós pais precisamos apreender: a ensinar aos nossos filhos a curtir o tempo livre sem que a relação entre ele, versus lazer e o consumo venha imediatamente à mente.

Sabemos que devido à agitação do dia a dia e ao bombardeio de alternativas consumistas ao nosso redor, esquecemos que bons momentos também podem estar atrelados a atividades simples como idas ao parque, museus, caminhadas pela praia, jogos no quintal e etc.

É claro que se você for perguntar aos seus filhos: filho(a) você quer caminhar no parque ou ir ao shopping comprar algo? Eles vão optar pela segunda. Porém, é claro que ninguém vai se atrever a fazer essa pergunta, certo?

Novo público consumista

Sabemos a criança é alvo de muitas empresas que desejam atraí-la desde cedo para ser um possível consumidor amanhã. Hoje em dia podemos encontrar diversas linhas de produtos feitas especialmente para crianças até 12 anos de idade, pois até essa idade, elas são mais suscetíveis à propaganda, devido a falta de senso crítico para entender o significado real da publicidade.

Além da mídia envolvente, as crianças ainda enfrentam a pressão que vem do grupo em que estão inseridas, que muitas vezes é forte a ponto de ser irresistível. Por exemplo, dentro das escolas é bem comum ter crianças que são líderes natas, que têm influência forte sobre as outras e ditam moda e comportamentos; as demais que não estão “dentro do esquema” tendem a ser excluídas do grupo. Isso é uma pressão enorme para qualquer criança, jogando-as nos braços do consumismo.

E as férias como ficam?

Quando o assunto são as férias de verão ou final de ano, novos tópicos vêm à tona: para onde você vai viajar e o que vai comprar passam a ser as perguntas do momento. Dupla atenção para isso! É importante lembrar aos filhos que férias são para relaxar, aproveitar momentos juntos, não ter a preocupação com o relógio e conhecer lugares antes não visitados. Férias não são excursões de compras.

Consumo em excesso

Há alguns anos atrás, tive a oportunidade de ver fotos de uma menina de 11 anos que viajou para a Disney. Eu fiquei impressionada com a quantidade de malas que ela sozinha trouxe da viagem. Ela viajou com uma mala pequena e voltou com quatro grandes. Eu perguntei para ela o porquê de tantas malas e ele me respondeu que eram todas as coisas que ela havia comprado na viagem de 10 dias.

Reaprendendo

Precisamos urgentemente inverter os valores relacionados ao consumo. Não apenas para o bem de nossos filhos, mas da sociedade e do planeta. Afinal, quanto mais consumimos, mais lixo produzimos. Não me refiro apenas ao lixo material, mas ao mental. Uma mente consumista é uma mente vazia de propósitos.

Vamos ensinar aos nossos filhos que momentos descontraídos, onde o riso, o abraço e a conversa sem objetivo valem mais que qualquer presente material que nós possamos lhes oferecer. Esse é um aprendizado que pode levar um tempo e vai precisar de muita dedicação da sua parte, mas que com certeza valerá a pena. Esse formato de relacionamento desvinculado do consumo, pode ser resumido numa frase: “as melhores coisas na vida não são coisas”.  

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Adolescência e a necessidade de separação dos pais

 
 
Se você tem filhos adolescentes ou já esteve por algumas horas na companhia de um, você certamente está familiarizado com o “desdenhoso olhar” que eles costumam usar para expressar inquietação, incômodo ou desprezo pelo o que está sendo dito. Muitas vezes o referido olhar vem acompanhado de suspiros ou falas que deixam claro o incômodo da turma teen. Esse olhar é quase um equivalente ao bater de portas de forma dramática.
 
 
Rebelião adolescente

Adolescentes são gênios em fazer coisas que sabem que vão irritar você. Por exemplo, se você o está esperando para um calmo jantar em família, eles provavelmente vão fazer uma careta e reclamar da refeição. Se você tentar prever seu humor e agir em conformidade, eles vão mudar o humor. Se eles não concordam com o seu pedido, eles irão esquecer ou ignorar suas promessas.
 
Ao contrário do que muitos adultos pensam, adolescentes definitivamente não gostam de excessiva atenção, principamente quando esta é no sentido de censurar, avaliar ou criticar o que eles fazem. Tal como a excessiva atenção, os conselhos fazem parte do pacote que eles “odeiam”.
 
 
Necessidade de Sepação
 
Os pais precisam perceber que essa fase “rebelde” que os filhos passam nada mais é do que a imensa necessidade de demonstrar que já cresceram, que não são mais os bebês dependentes e sim seres auto-suficientes. É claro que nós pais sabemos que eles ainda precisam da nossa ajuda e apoio, mas eles não querem admitir isso, pois precisam se sentir capazes de encontrar seu caminho sem o constante direcionamento dos pais. Para a maioria dos adolescente, a nossa ajuda é percebida como uma interferência.
 
Eles procuram criar suas próprias regras e valores na tentativa de estabelecer a sua própria identidade. A tão conhecida “rebeldia adolescente”, seja na forma de estilos de roupas, censuráveis ​​cabelos, músicas, quartos desarrumados, ou mesmo o consumo de álcool e a prática da mentira, são tentativas de iniciar o processo de separação dos pais.
 
 
O que fazer?
 
Você pode estar se perguntando: “Então devo deixar meu filho ser um rebelde para ele conquistar a tão sonhada liberdade dos pais?” A minha resposta é não. A rebeldia se instala quando eles não vêem outra saída; quando eles percebem que as amarras que os pais colocam é tão forte que não os permite andar, e para tirá-las eles precisam “do grito”.
 
Já tive a oportunidade de escutar inúmeros adolescentes e posso afirmar que eles não são iguais. Ao contrário do que a grande maioria das pessoas panfletam sobre essa fase humana, a adolescência é uma fase linda e de grande importância na vida de um ser. O que nós precisamos aprender e entender, é que os nossos filhos estão crescendo e tendo a necessidade de fazer escolhas, correr riscos, conhecer o mundo pelos olhos deles.
 
O que nós precisamos aprender é a apoiar essa jornada dos nossos filhos, não controlá-los e super protegê-los. O mundo não deixará de ser perigoso se mantivermos nossos filhos sobre nossas asas; não temos o direito de tentar controlar a experiência que eles desejam ter e nem tão pouco deixar de permitir que explorem o mundo sobre a perspectiva deles.
 
Precisamos definitivamente aprender que os filhos não nos pertencem. Eles pertencem ao mundo e para ele precisam ir e explorar. É claro que amamos esses pequenos que esticaram e perderam as bochechas rosadas, mas nosso amor não pode ser uma prisão e sim um lugar seguro para que eles possam voltar ao sentirem a necessidade de recarregar as forças e de um abraço amoroso.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mantendo a autoridade e o respeito com os seus filhos

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O modo como tratamos nossas crianças poderá determinar como eles irão se relacionar conosco no futuro, com os próprios filhos e com as demais pessoas ao redor deles.
 
Para que boas relações sejam mantidas hoje e fortalecidas amanhã, precisamos educá-los com autoridade e respeito.
 
Se você está confuso ou não tem certeza de como fazer isso, abaixo coloco algumas dicas.
  • Fale calmamente em vez de gritar. Gritar é a total perda da autoridade.
  • Seja firme e nunca cruel. Use seu tom de voz para demonstrar firmeza. Nunca contato físico ou dedo em riste.
  • Tranquilize as crianças quando estiverem assustadas. Nunca ignore seus medos.
  • Seja tão educado com seus filhos quanto gostaria que eles fossem com você.
  • Não precisa ser insensivelmente crítico quando eles fazem algo que você não concorda. Trate o assunto com seriedade, mas com delicadeza.
  • Aceite que você não apenas ensina seus filhos, mas que aprende com eles.
  • Nunca corrija seus filhos em público. Isso é humilhante e ele não estará lhe escutando num momento desses e sim preocupado em se esconder de quem possa estar assistindo a cena.
  • Sempre que possível, respeite os desejos e escolhas que eles fazem. Isso ajuda na auto-confiança e auto-estima.
  • Valorize a opinião deles em qualquer conversa.
As crianças também são pessoas – o fato de serem menores e dependerem da gente, não nos dá o direito de fazermos ou dizermos o que bem entendemos.
 
Se você trata seus filhos com respeito agora, tenha certeza de que eles estão assimilando essa grande e valiosa lição.